Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Disputa acirrada

Pré-candidatos começam campanha para a presidência da OAB-SP

A eleição para presidente da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), que concentra nada menos que um terço de todos os profissionais do Brasil, entra em um dos seus momentos mais decisivos. Embora marcada para ocorrer apenas em novembro, é agora - há nove meses do pleito - que os pré-candidatos consolidam seus nomes e começam a batalha pelo voto dos mais de 160 mil advogados paulistas (ver quadro ao lado).

Neste ano, a situação é considerada ainda mais complicada: nove pré-candidatos estão no páreo, mas este número poderá ser reduzido para apenas duas chapas. As apostas dos profissionais experientes nas eleições da Ordem, entretanto, esperam que entre três ou quatro chapas devam concorrer, ou seja, mesmo com o número expressivo de pré-candidatos, a eleição da OAB paulista não deve repetir o número recorde de postulantes na eleição de 1997, que foi de cinco chapas.

A movimentação pela consolidação das candidaturas está mais adiantada na oposição. Embora com quatro nomes - um a menos que a situação - três destes nomes estão bem próximos de um acordo. Pela proposta, Roberto Ferreira tentaria novamente a presidência da Ordem, como os apoios de Euro Bento Maciel, seu provável vice-presidente, e de Alberto Rollo. "As negociações estão adiantadas e a hipótese de continuarmos com nossa candidatura estão bastante remotas neste momento", afirma Euro. A idéia é a composição rápida. "A campanha tem que ir para as ruas logo", justifica. Ferreira, mais provável cabeça de chapa da oposição neste momento, concorda com Euro. "Acredito que a oposição sairá unida, estamos caminhando bem nesta direção", diz.

O mais importante, na opinião de Ferreira, é que o projeto dos principais nomes da oposição seja convergente. Em linhas gerais, eles tratam de tentar resgatar a dignidade, o respeito e as condições dos advogados no Estado e defendem um reforço na atuação institucional da Ordem, com uma atuação mais pesada no acompanhamento de projetos de lei, por exemplo. Para o grupo, a melhoria das situação profissional dos advogados também passa pelo aperfeiçoamento do Judiciário paulista, uma dos mais lerdos e atrasados do país.

Alberto Rollo inclui nesta lista de prioridades da oposição uma maior transparência da Ordem. "Existem alguns problemas contábeis nas contas da Ordem, por falta de controle, e é necessário dar maior celeridade aos processos do tribunal de ética", afirma. Além deste acréscimo às propostas da oposição, Rollo, que defende a união do grupo, poderá sair como candidato independente. "Teremos uma reunião dia 24 para definir isso, já que existem pessoas que defendem a nossa candidatura para, mesmo se perdermos, sairmos fortes na próxima eleição", diz.

Auto-proclamando-se oposição, mas sem pertencer ao mesmo grupo dos três nomes anteriores, Clito Fornaciari Júnior começa sua campanha atuando no interior. "Até pensamos em coesões, mas não com o grupo do Roberto Ferreira - que é muito assistencialista com os advogados - mas com alguns nomes que hoje são apresentados como da situação", diz. Entre suas metas está a qualificação do advogado.

Entre os cinco nomes da situação, todos esperam obter a união de uma candidatura forte para unir diversos apoios já obtidos. Valter Uzzo, atual secretário-geral da OAB-SP, obtém forte apoio dos advogados trabalhistas, sua origem. Orlando Maluf Haddad, atual vice-presidente, conta com força no interior, onde diz somar o apoio de 150 dos 215 presidentes das subsecções do Estado. Luiz Flávio Borges D'Urso e José Luís de Oliveira Lima, ambos conselheiros, acreditam que seus nomes estão se disseminando em diversos setores, longe de um nicho específico. Rosana Chiavassa, conselheira federal pelo Estado, se considera oposição em alguns pontos e encontra sua base principalmente na mulher. Ela é a primeira candidata à presidência da OAB-SP nos seus 70 anos de existência.

"Caciques" traçam estratégias para a disputa paulista

De São Paulo

Além dos nove pré-candidatos, outras novidades podem aparecer no cenário das eleições da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) em breve. Líderes dos principais grupos de advogados do Estado, dois ex-presidentes da instituição comentam as expectativas para a eleição, que poderá até receber um novo candidato em abril.

O atual presidente da Ordem, Carlos Miguel Aidar, entende que é natural a proliferação de nomes ao pleito, mas acredita que dois grandes grupos unificarão suas chapas ainda em março. Mas a situação poderá mudar a qualquer momento. "Tudo pode ocorrer. Até mesmo eu, que não penso na reeleição, posso reaparecer", diz. Questionado se seu nome poderia representar a união que a situação almeja, Aidar desconversa. "Não sou candidato, mas nada é definitivo", diz. Para ele, caberá à oposição o ritmo - e os gastos - desta eleição. "A situação só colocará a campanha na rua depois que a oposição fizer isso. Se for cedo, a eleição fica bem mais cara", diz. Proporcionalmente ao número de eleitores, a eleição para a OAB-SP é considerada uma das mais custosas do país. A maior revelação de Aidar, entretanto, é por um novo candidato em abril.

Advogados acreditam que este novo nome poderá ser o do advogado de Santos Marcelo Guimarães. Ele, entretanto, se recusa a comentar o assunto. "Não digo que sou nem que não sou candidato", desconversa. Guimarães se recusa até mesmo a analisar a proposta de seu nome ou a responder se já pensou na hipótese de concorrer. "É muito cedo ainda, nunca vi uma eleição como essa", diz.

O advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, ex-presidente apontado como principal líder da situação, acredita que três ou quatro candidatos disputarão a eleição, que será, entretanto, polarizada em apenas dois nomes, um de cada corrente.

Já o ex-deputado José Roberto Batochio, "guru" da oposição, vê esta eleição como um verdadeiro "divisor de águas" na Ordem paulista, o que pode corroborar para a eleição extremamente polarizada. "Nos momentos de grandes críticas, como o atual, as forças se unem", diz. (HGB)

Revista Consultor Jurídico, 14 de fevereiro de 2003, 11h32

Comentários de leitores

0 comentários

Comentários encerrados em 22/02/2003.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.