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Quinta-feira, 13 de fevereiro.

Primeira Leitura: inflação em SP sepulta expectativa do governo.

Descontrole do modelo 1

A primeira prévia do mês de fevereiro do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), apurado pela Fipe, apontou novo aumento da inflação em São Paulo, de 2,23% – em janeiro, havia sido de 2,19%.

O índice ficou próximo das previsões mais pessimistas do mercado e sepultou a expectativa de rápida desaceleração, que enchia o governo de esperança nos primeiros dias depois da posse.

Descontrole do modelo 2

As centrais sindicais começam a pressionar por aumentos salariais fora da data-base. O movimento foi iniciado pela Força Sindical na semana passada e teve a adesão de centrais menores.

Pressionada, a direção da CUT foi obrigada a fazer, quarta-feira, uma convocação geral a seus sindicatos para um movimento unificado cobrando recomposição salarial.

Descontrole do modelo 3

Mesmo as categorias que têm data-base no segundo semestre – bancários, petroleiros, metalúrgicos e químicos, entre as principais – deverão reivindicar “antecipação salarial, por conta do aumento da inflação”.

A CUT não fala em indexação, mas é disso que se trata. Na mesma nota, a central reitera seu apoio ao governo Lula, mas avisa que tem de manter independência para melhor representar os interesses dos trabalhadores.

Antibiótico

Por causa do risco de descontrole inflacionário, Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central e hoje na consultoria Tendências, defendeu elevação da taxa básica de juros em pelo menos dois pontos percentuais na próxima reunião do Copom.

Para ele, é chegada a hora de administrar um “antibiótico” contra a inflação. “É melhor pagar um custo menor agora do que arcar com um custo muito maior no futuro.”

Apostas

No mercado futuro da BM&F, os contratos de juros com vencimento em julho passaram a prever taxa de 27,71% (+ 0,21% em relação a terça-feira), ou seja, 2,21 pontos acima da taxa-Selic, atualmente em 25,5%.

Clone vermelho

Pedro Malan, ex-ministro da Fazenda, não demonstrou em oito anos de crises externas tanta desenvoltura para cortar gastos quando seu sucessor, o petista Antônio Palocci.

Essa espécie de clone vermelho de Malan afirmou, em almoço com jornalistas da área econômica, que a meta de superávit pode ser ainda maior do que os 4,25% do PIB anunciados na semana passada e que exigiram um corte de despesas de R$ 14 bilhões.

Medo da guerra

Palocci não disse, mas o governo teme que os efeitos da possível guerra dos EUA contra o Iraque provoque descontrole na cotação do dólar e na inflação — e que o crédito ao Brasil se feche.

A agência de classificação de risco Standard & Poor's avaliou que, em caso de uma guerra longa, o Brasil seria um dos países mais afetados. Segundo o relatório, o crédito a países dependentes de empréstimos externos será abalado. Como o Brasil é vulnerável externamente...

Assim falou...Eduardo Suplicy

“A erradicação da fome e da pobreza pode ser feita sem que se obriguem as famílias a demonstrar no que vão gastar o dinheiro.”

Do senador petista, que preside a Comissão de Relações Exteriores do Senado, ao criticar, na London School of Economics, a necessidade de comprovação do uso do dinheiro pelas famílias beneficiadas pelo Fome Zero.

Ironias da história

Desde 1991, quando foi fundada a Força Sindical, toda vez que a inflação subia, a CUT era a primeira a protestar, a colocar trabalhadores nas ruas, a comandar, sempre a partir das fábricas do ABC, movimentos pela recomposição salarial. Era, desse modo, referência para sindicatos independentes e para centrais sindicais menores. Já a Força Sindical seguia a reboque, quando já não podia mais segurar sua base.

A central rival à CUT, dizia-se, relutava em assumir posições públicas combativas, dadas suas relações geralmente amistosas com empresários e com governos – qualquer governo. A vitória de Lula, porém, mudou esse quadro.

Jogada na oposição, a Força Sindical saiu na frente desta vez para buscar a recomposição dos salários. Mais do que isso: pautou a mídia, atraiu centrais sindicais menores e ainda desafiou a direção da CUT, umbilicalmente ligada ao PT, a participar da mobilização! Ontem, a direção cutista decidiu, também, buscar antecipações salariais. Mas, pela primeira vez na história, foi a última.

Revista Consultor Jurídico, 13 de fevereiro de 2003, 11h20

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