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11 fevereiro 2003
Terça-feira, 11 de fevereiro.
Primeira Leitura: governo baixa extravagante pacote de medidas.

Extravagâncias no Planalto
A segunda reunião ministerial do governo Lula resultou num extravagante pacote de medidas de suposto alcance social, que mistura ações burocráticas, como a criação de uma secretaria de assuntos raciais, com obras já anunciadas por ministérios, como a abertura de licitação para ampliação do número de linhas de transmissão de energia.
Não se falou em investimento novo - até porque a meta de superávit primário acaba de ser aumentada de 3,75% do PIB para 4,25%.
Ações pontuais
O pacote anunciado é o retrato dos impasses que marcam o governo Lula: sem um programa além da mera repetição, nos marcos macroeconômicos, da era FHC, o Planalto se esforça para ser imaginativo em ações pontuais.
Governo de marketing
O conjunto resulta num verdadeiro curto-circuito que parece antes visar ao marketing. Daí que as linhas de transmissão se embolem, num mesmo conjunto de medidas, com reparação racial, combate à exclusão digital, aumento do contingente de policiais rodoviários. É o verdadeiro samba do petista doido.
Guerra de opiniões
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou nota afirmando que a eclosão da guerra pode anular fatos positivos da economia brasileira. Segundo o instituto, caso o conflito tenha curta duração, impactos, como aumento da aversão ao risco, teriam caráter transitório e, portanto, "seriam passíveis de ser financiados por organismos financeiros, como o FMI".
Tudo certo...
O FMI, em comunicado oficial, declarou-se satisfeito com a decisão do governo de elevar a meta de superávit. "Aplaudimos a decisão das autoridades brasileiras com respeito à nova meta fiscal para o ano de 2003. Isto mostra uma vez mais o compromisso do novo governo com um programa econômico e social sustentável e integral."
...mas nada em ordem
No primeiro dia útil depois de o governo ter elevado a meta de superávit primário para 4,25% do PIB, a corretora Merrill Lynch rebaixou a recomendação para títulos da dívida externa brasileira de "média de mercado" para "abaixo da média de mercado". A justificativa é a possibilidade de guerra entre os Estados Unidos e o Iraque.
Migração
Diante de um conflito, disse a instituição, é provável que os detentores dos títulos vendam os papéis e migrem para opções consideradas mais seguras. Esse movimento deve provocar queda nas cotações, razão pela qual a corretora reduziu a recomendação.
Assim falou...Lula
"Vida nova! Longa vida ao PT."
Do presidente da República, encerrando nota em homenagem aos 23 anos da fundação do partido.
Ironias da história
A prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), perdeu a calma ao responder a críticas dos ex-secretários Fernando José de Almeida e Nélio Bizzo à sua política de educação. Em reportagem da Folha de S.Paulo de segunda-feira, os dois afirmaram ter sofrido pressões por ações assistenciais rápidas e grandiosas.
Aos gritos, a prefeita atribuiu as críticas à imprensa: "Quem está na escola particular, como os donos de jornais, chama isso de marketing. Mas quem está precisando e sabe quanto custa o material escolar vê que não é". E quando a imprensa publicava críticas às gestões de Paulo Maluf e Celso Pitta na Prefeitura paulistana, também era uma "campanha" contra o governo municipal? A verdade é que, para a maioria dos governantes, o jornalismo bom é o "jornalismo" a favor, áulico.
Revista Consultor Jurídico, 11 de fevereiro de 2003
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