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Sexta-feira, 7 de fevereiro.

Primeira Leitura: Miranda é desmentido publicamente por Palocci.

Esqueçam o que eu disse 1

Empossado como chefe da Assessoria Econômica do Ministério do Planejamento, José Carlos Rocha Miranda, professor da Unicamp, afirmou que, se houver uma guerra demorada entre os Estados Unidos e o Iraque, o governo brasileiro será obrigado a elevar a taxa de juros, atualmente de 25,5% ao ano, em mais 3 a 4 pontos percentuais.

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A Unicamp é um reduto histórico de economistas heterodoxos, espécie de antítese acadêmica da PUC-RJ, que formou a linhagem de Pedro Malan e Armínio Fraga. Ver um economista de lá falar em choque de juros é o equivalente teórico de Fraga defender estatização de empresas.

Esqueçam o que eu disse 3

Miranda foi pronta e publicamente desmentido pelo ministro da Fazenda, Antônio Palocci: "Não é uma pessoa do Ministério do Planejamento que define a taxa de juros".

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Outra que se converteu à lógica ortodoxa foi a CUT, maior central de trabalhadores e braço sindical do PT, que até outro dia organizava manifestações contra a política de juros de FHC. O presidente da entidade, João Felício, afirmou que o aumento da taxa-Selic é o que resta a fazer, já que a alternativa de congelar preços seria um equívoco.

Esqueçam o que eu disse 5

O senador petista Paulo Paim (PT-RS), que construiu sua carreira defendendo os direitos dos trabalhadores e um militante fervoroso do salário mínimo a US$ 100 (R$ 359,20, ontem), vai propor a criação de uma comissão para mudar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), observando o princípio de compensar eventuais perdas de direitos conquistados com aumento de salário.

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"Férias, 13º, FGTS, tudo isso está sendo desmontado", disse Paim em novembro de 2001, comentando o projeto de lei que o fez subir na tribuna da Câmara certo dia e rasgar a Constituição. Antes de chegar ao governo, o PT condenava a perda de direitos trabalhistas mesmo com compensação salarial.

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Antes de rasgar a Constituição, Paim pensou em se acorrentar ao Plenário para protestar contra a mudança na CLT, que acabou sendo aprovada na Câmara. "O projeto é um ato terrorista contra os trabalhadores", disse ainda, na época.

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Depois de rasgar a Carta, Paim jogou-a contra o deputado Ricardo Izar (PTB-SP), que havia lhe dirigido impropérios. Malufista histórico, Izar é mais um recém-convertido entusiasta do governo Lula.

Esqueçam o que eu disse 9

"A imensa tarefa de criar uma alternativa econômica para enfrentar e vencer o desafio histórico da exclusão social exige a presença ativa e a ação reguladora do Estado sobre o mercado, evitando o comportamento predatório de monopólios e oligopólios." Trecho do programa de governo do PT para a eleição de 2002.

Esqueçam o que eu disse 10

Quinta-feira, TAM e Varig anunciaram uma fusão que dará à empresa resultante cerca de 70% de controle do mercado aéreo brasileiro. No entanto, o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, afirmou que "apoiará soluções de mercado acertadas entre os acionistas". É uma solução de mercado contra o mercado. Ou seja, contra os consumidores.

Assim falou...João Felício

"Nossa esperança é que o governo busque uma alternativa para conter a inflação sem elevar juros, mas sabemos que neste momento não resta outra opção"

Do presidente da CUT, deixando claro que, diferentemente do que fazia nos anos do governo FHC, a central sindical não vai se opor a um aumento da taxa-Selic na próxima reunião do Copom.

Ironias da história

No dia 6 de fevereiro de 1993, depois de oito horas e meia de debate, o diretório nacional do PT decidia suspender os direitos partidários de Luiza Erundina por um ano. A ex-prefeita de São Paulo aceitara o cargo de ministra-chefe da Secretaria Nacional de Administração no recém-formado governo Itamar Franco.

Dez anos depois, o PT pode novamente punir uma "rebelde": a senadora Heloísa Helena (AL), que criticou a escolha de Henrique Meirelles para o Banco Central e não votou em José Sarney (PMDB-AP) para presidir o Senado. A ironia é que Erundina foi punida por fazer um movimento à direita do partido. Heloísa seria punida por um movimento à esquerda do PT.

Revista Consultor Jurídico, 7 de fevereiro de 2003, 9h39

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