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Modelo econômico

O desafio do desenvolvimento sustentável e a experiência chinesa

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Especialmente nesta fase de abertura da economia chinesa, acelerada, como já observado, pela sua entrada oficial no bloco da OMC. A conseqüência e que todos os esforços necessitariam ser concentrados nos próximos anos, em como emprestar (investir) e o mais importante, receber o dinheiro emprestado ou, no caso dos investimentos no setor produtivo desencadeados com recursos governamentais, ter taxas de retorno compatíveis com os padrões internacionais vigentes atualmente.

Acredita-se, que este seja, no curto prazo, o desafio maior a ser enfrentado pela China, pois o que menos interessa às autoridades chinesas, no momento, é ver a economia diminuir o ritmo de crescimento, ou o que é pior, entrar em um processo de estagnação similar ao que passa atualmente no Japão. Aqui, se visualiza uma possibilidade concreta de intercâmbio de experiências e eventualmente até investimentos entre Brasil e China. O Brasil, por diversas razões, tem um sistema de Bancos, onde os maiores, embora bem menores que os grandes Bancos chineses, se desenvolveu muito rapidamente nos últimos anos. Acredita-se, portanto que uma aproximação, nessa área, entre as autoridades dos dois países, possa ser também interessante para as suas economias.

No aspecto social e de geração de empregos (outro pilar da sustentabilidade), a Unido acredita que o desafio da área social de qualquer país seja a habilidade de crescer a uma taxa que possa absorver a força de trabalho e ao mesmo tempo oferecer oportunidades iguais a todos. E os desafios decorrentes do processo acelerado de desenvolvimento do modelo chinês estão, no momento, principalmente na formação adequada da mão de obra, especialmente a que está sendo substituída no já mencionado processo de reestruturação da economia.

Hoje, dos 700 milhões de trabalhadores chineses, cerca de 50 por cento, ou seja, 350 milhões, respondem por somente 15 por cento do PIB, que constitui o setor primário (agricultura e mineração) dessa economia que cresce a passos gigantescos. Por outro lado, 35 por cento do PIB vem do setor terciário (serviços) que absorve, atualmente, um pouco mais de 27 por cento da força de trabalho chinesa (cerca de 200 milhões de pessoas). O governo está ciente que se o objetivo for crescer até 2020 a taxas médias anuais de 7,3 por cento, agora, já não mais o setor secundário (indústria manufatureira e construção civil), como nos últimos 22 anos, e sim o setor terciário é que teria que funcionar como locomotiva.

A Unido estima que em 2015, por exemplo, cerca de 40 por cento dos trabalhadores vão estar envolvidos na indústria de serviços. Um valor ainda inferior à média dos países asiáticos, que é quase de 50 por cento, incluindo o Japão e a Coréia do Sul. Entretanto, 40 por cento de uma mão de obra, que se projeta estar em 780 milhões em 2015, são 310 milhões de trabalhadores.

Se considerarmos hoje que nem uma rede de "fast-food" contrata empregados que não tenham o curso secundário completo, temos ai um desafio de maior importância para a China: como conseguir capacitar, em menos de 15 anos, cerca de 110 milhões de pessoas? Não será fácil! Mas a busca de um modelo sustentável faz com que esse desafio tenha que ser solucionado, pois índices baixos de produtividade na prestação de serviços, não permitirão que o setor funcione como a tão esperada locomotiva e faça com que o objetivo do crescimento a taxas médias de 7,3 por cento deixe de ser alcançado.

A palavra chave, segundo a Unido é ainda o conhecimento, ou melhor, uma aceleração do fluxo de conhecimento, de uma forma sistemática, como processo efetivo de capacitação. Aqui, como no Brasil, não se trata somente de ir a escola e conseguir a tão procurada educação básica, mas sim conseguir uma mão de obra preparada, flexível, independente da idade que esteja, e o mais importante, que tenha aprendido a aprender. E não se pode, como conseqüência, se considerar somente os modelos tradicionais de capacitação da força de trabalho. E o ensino a distância (que é uma das aplicações do domínio do conhecimento em duas das doze áreas, a de telecomunicações e aeroespacial/satélites), parece ser uma das poucas alternativas que vão mostrar-se efetivas para o novo modelo chinês.

Nesse aspecto, do ponto de vista conceitual e não de volume de formação de mão de obra, o intercâmbio de experiências com o Brasil na área de formação de técnicos de nível médio, com instituições como o Senai e o Sesc/Senac, acredita-se possa ser interessante e útil para os dois países.

A produtividade da mão de obra chinesa, segundo vários estudos de empresas de consultoria, está bem acima da média dos países em desenvolvimento. A Unido não discorda. Porém observa que, embora mais alta que a média, falta ainda espaço a ser ganho nessa área, quando se trata de busca a um modelo mais sustentável. Na Inglaterra, por exemplo, cerca de quase 94 por cento da produção de aço é feita por uma empresa. Na China, apenas 8,7 por cento do aço é feito por uma empresa, a "Baosteel". Como a produção da China é muito alta e dispersa em várias empresas, é muito difícil controlar a qualidade do produto, introduzir métodos modernos de gestão de qualidade, e agregar qualquer desenvolvimento tecnológico aos produtos manufaturados pelo setor.

 é correspondente da Revista Consultor Jurídico na China

Sérgio Miranda-da-Cruz é funcionário da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial.

Revista Consultor Jurídico, 3 de fevereiro de 2003, 13h33

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