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Modelo econômico

O desafio do desenvolvimento sustentável e a experiência chinesa

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A China faz pesquisa e desenvolvimento de forma sistemática em pelo menos nove dessas áreas. O grande enigma não é só o desenvolvimento tecnológico e científico. O desafio, como já observado, tanto nos EUA como no país mais pobre no mundo, é se estas novas descobertas estão sendo incorporadas ao setor produtivo e se a velocidade e forma com que estão sendo incorporadas caracterizam, de fato, o processo de inovação da produção, fazendo com que a economia se torne o mais sustentável possível dentro dos aspectos de competitividade. No social e no ambiental existem outras variáveis a serem supridas. No aspecto de sustentabilidade do ponto de vista econômico, a incorporação do conhecimento, de uma forma quase que permanente, é a de maior importância.

Na China, embora com diferentes características em cada um dos casos, existem evidencias preliminares que o conhecimento, gerado e absorvido nos centros de pesquisa e desenvolvimento e em algumas universidades, está sendo incorporado à produção. Pois, a outra questão importante, para se evitar o chamado efeito bolha de uma economia, já observado na Ásia em 1997, é saber o quão organizada e sistemática está sendo a tal incorporação do conhecimento, ou em outras palavras, a inovação tecnológica. Para saber em mais detalhes se isso esta ocorrendo no caso da China, a Unido, em cooperação com o programa MIT-China do Instituto de Tecnologia de Massachusetts - MIT, nos Estados Unidos, selecionou uma das doze áreas, a de biotecnologia, como modelo para análise das demais.

De fato, se constata, ate o momento, avanços significativos nessa direção. Entretanto, se notou também que a incorporação está ocorrendo de uma forma muito desorganizada. E que se a China, como qualquer outro país em desenvolvimento, quiser agregar valor à sua produção através, nesse caso, da biotecnologia, um modelo mais sistemático de absorção e transferência terá que ser estabelecido.

Por exemplo, na área de software a China está aquém do que poderia estar, não tem avançado e repassado os resultados do conhecimento obtido na velocidade que necessitaria. Na área espacial, por outro lado, está bastante avançada. Está incorporando no setor produtivo, por exemplo, os avanços conseguidos na área de sensoriamento remoto, com resultados surpreendentes na diminuição de enchentes e controle das secas.

Um dos desafios mais importantes na área do meio ambiente é o sistema de coleta e administração de informações ambientais. Com o satélite CIBERS 1, a China e o Brasil avançaram muito, inclusive ampliando a cooperação para o tratamento das imagens e a respectiva interpretação dos dados, difundindo-os na agricultura, urbanização, meio-ambiente, setor geológico e de recursos hídricos. Um outro exemplo interessante é na área de microeletrônica. Com base também em trabalhos preliminares conduzidos por instituições de pesquisa no exterior, juntamente com dados levantados pela UNIDO, acredita-se que em menos de 10 anos a China (na dinâmica região de Xangai) já esteja executando a difícil fase do "desenho inovador" que é a etapa de maior valor agregado na produção de circuitos integrados.

Nessa área, pouquíssimos países do mundo alcançaram este estagio de desenvolvimento, e atualmente, através de apoio estratégico do governo chinês, este conhecimento se desloca principalmente de Taiwan para Xangai.

Ainda na área de sustentabilidade do ponto de vista econômico, além da incorporação do conhecimento técnico e cientifico existe um aspecto que em geral por estar sempre presente, não é dada a devida relevância, consiste num dos desafios mais importantes a serem enfrentados por qualquer país, e a China não é uma exceção: a administração dos seus recursos disponíveis.

Assim como no Brasil, a China tem tentado fazer o melhor uso dos seus recursos físicos, inclusive financeiros, humanos e ambientais. Entretanto, embora com características diferentes, vê-se ai uma das áreas onde é necessária uma maior atenção por parte das autoridades dos dois países. Um reflexo das enormes dificuldades em equacionar o problema no modelo chinês está no desempenho de seus quatro maiores bancos.

Segundo dados oficiais, o montante de maus empréstimos é hoje acima de US$ 300 bilhões. Mas o que mais preocupa as autoridades não é o montante, pois um país com um PIB que deve atingir no final de 2002, cerca de US$ 1.24 trilhão, com o nível de reservas hoje considerado exemplar para qualquer país, e inflação praticamente zero, seria possível absorver distorções observadas na fase de desenvolvimento mais que acelerado. Procura-se no momento, e a todo custo, saber como melhor utilizar os recursos disponíveis, e estancar os processos de investimentos que não usem os padrões internacionais de competitividade, como parâmetros para financiamento.

 é correspondente da Revista Consultor Jurídico na China

Sérgio Miranda-da-Cruz é funcionário da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial.

Revista Consultor Jurídico, 3 de fevereiro de 2003, 13h33

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