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19 dezembro 2003
Sexta-feira, 19 de dezembro.
Primeira Leitura: Lula lista como conquista o que não aconteceu.

Ficção
Em cerimônia na qual reuniu todos os seus ministros, vários parlamentares e alguns convidados especiais, como empresários - entre eles, Abílio Diniz, estrela do programa televisivo do PT -, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um balanço do primeiro ano de sua gestão. Durante quase uma hora e meia, num discurso entremeado de improvisos, listou como conquistas suas coisas que simplesmente não aconteceram e outras tantas que não resistem a uma análise minimamente atenta.
Recuperação de salários?
A contradição mais flagrante entre o discurso do presidente e a realidade foi a "informação" de que a recuperação dos salários começou. Todas as pesquisas, inclusive a de institutos oficiais, como o IBGE, indicam o contrário. Lula citou, a título de exemplo, o caso dos bancários, que, na verdade, tiveram reajuste abaixo da inflação na data-base, em 1º de setembro. E procurou relacionar, de forma sutil, sua política externa ao resultado da balança comercial, o que qualquer grande exportador sabe não corresponder aos fatos.
Estado investidor?
E tratou o BNDES como exemplo do impulso dado pelo Estado para a recuperação da economia. Na verdade, os desembolsos do banco tiveram queda de 10,6% no ano, segundo dado divulgado na véspera. A política monetária também foi francamente contracionista.
Orçamento melhor?
Lula prometeu um 2004 muito melhor e afirmou que o Orçamento Geral da União do ano que vem assegura recursos para as políticas sociais e investimentos em infra-estrutura -- ora, o Orçamento tem pequenas alterações em relação a este ano, e a própria base governista já fala em contingenciamento de recursos.
Fome zero?
O presidente falou ainda do Fome Zero. Disse que o programa superou as dificuldades iniciais. De fato, superou, e isso ocorreu no momento em que o programa, na verdade, acabou. Foi absorvido -- ainda bem! -- pelo Bolsa-Família.
Uma verdade
Além do presidente, vários ministros fizeram avaliações do primeiro ano da gestão petista. Para Roberto Rodrigues (Agricultura) falou a verdade: que os agricultores estão fazendo a sua parte e compensando as falhas do governo. "Plantaram 2,6 milhões de hectares a mais para o ano que vem e o vão nos dar uma safra de 130 milhões de toneladas. Isso quer dizer que o produtor rural brasileiro está fazendo a parte dele, e o governo tentando fazer tudo para não atrapalhar".
Um cinismo
No ano de recordes do desemprego e da queda de renda, Jaques Wagner (Trabalho), por sua vez, afirmou que o trabalho desenvolvido até agora, dadas as condições do país, foi "excepcional".
Mais imposto
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou a prorrogação da alíquota de 27,5% no Imposto de Renda da Pessoa Física por dois anos, até 31 de dezembro de 2005. O texto será votado pelo plenário hoje. A alíquota máxima deveria ter voltado a ser de 25% neste fim de ano, mas os parlamentares petistas, que antes a condenavam, agora que estão no poder não querem nem ouvir falar em poupar o trabalhador desse desconto em seus contracheques. Como a tabela do IR também não será corrigida pelo governo, mais pessoas, a partir desse ano, passarão para a faixa da alíquota máxima.
Assim falou... Jorge Bornhausen
"O Brasil andou para trás."
Do senador do PFL por Santa Catarina, ao fazer seu próprio balanço do primeiro ano do governo Lula. Ele citou o aumento da carga tributária, os altos índices de desemprego e o pouco investimento na segurança pública como exemplos do retrocesso.
Enquanto isso, no mundo real
Enquanto Lula mostrava um retrato cor-de-rosa de seu primeiro ano de governo, o IBGE divulgava dados muito ruins sobre o emprego e a renda dos trabalhadores da indústria em outubro. Depois de dois meses de abertura de postos de trabalho, o nível de emprego industrial caiu 0,5% em relação a setembro. Sobre outubro de 2002, o recuo foi de 1,6%, o sétimo consecutivo nesse tipo de comparação. Os setores de vestuário e de papel e gráfica foram os que mais demitiram, com redução de 2,6% em seus postos de trabalho. E a queda no rendimento persiste. Em outubro, o valor real da folha de pagamento recuou 0,1% em relação a setembro. No acumulado do ano, a queda foi de 5,9%.
Revista Consultor Jurídico, 19 de dezembro de 2003
Comentários
Comentários de leitores: 10 comentários
Lí recentemente em um jornal que os especulador...
O cinismo sempre foi o ponto alto desse pessoal...
Num passado bem próximo o PT acusava os partido...
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