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11 dezembro 2003
Viagens suspeitas
Benedita da Silva é acionada por improbidade administrativa
A ministra Benedita da Silva e as servidoras do Ministério da Assistência e Promoção Social Ellen Márcia Peres e Valéria Vieira de Moraes foram acionadas por improbidade administrativa nesta quinta-feira (11/12).
A Procuradoria da República no Distrito Federal as acusa de enriquecimento ilícito, prejuízo ao erário e violação aos princípios da administração pública, em razão de supostas irregularidades em viagens que fizeram em 2003.
De acordo com a Procuradoria, a viagem de Benedita a Portugal, em maio, foi de cunho religioso e não de interesse público. A ministra foi liberada a se afastar do país para participar, sem ônus para a administração, do evento referente ao "Dia da África".
Ela autorizou, contudo, a participação, com ônus, da diretora do Departamento de Articulação do Setor Público da Secretaria dos Programas Sociais do Ministério da Assistência e Promoção Social, Ellen Márcia. Os gastos com diárias e passagens foram de aproximadamente R$ 7 mil. "O trâmite liberatório da servidora acompanhante não deixa dúvidas acerca do caráter oficial que foi conferido à visita da ministra a Portugal", sustentam os procuradores.
De acordo com a ação, também há indícios de irregularidades na viagem da ministra para participar, em Washington, em setembro, do encontro "Mulheres no Governo: Impacto na Governabilidade Democrática", promovido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento.
Os procuradores afirmam que Benedita da Silva viajou aos Estados Unidos com cinco dias de antecedência do evento, acompanhada da gerente de projetos do Ministério da Assistência e Promoção Social, Valéria Vieira de Moraes. A antecipação da viagem e sua extensão a Nova York acarretaram um gasto adicional de R$ 9 mil aos cofres públicos.
A terceira viagem internacional apontada como irregular pelos procuradores refere-se à participação da ministra e da servidora Ellen Márcia no encontro religioso "12º Café da Manhã Anual de Orações", em setembro, na Argentina. Para os procuradores, a viagem tinha caráter não-oficial.
Benedita declarou que a visita teve como objetivo uma reunião com Alícia Kirchner, ministra da Promoção Social da Argentina. Os procuradores alegam que houve utilização do dinheiro público em finalidade particular e que o compromisso agendado com a ministra argentina, com apenas um dia de antecedência, "serviu apenas e tão-somente como forma de acobertar o mau uso do dinheiro público".
Além disso, para os membros do MPF não houve erro administrativo, como se alegou, porque o requerimento da viagem foi feito de próprio punho pela ministra. Eles completam que "o eventual ressarcimento dos valores não extingue a improbidade, pois o fato já restou consumado".
Se forem condenadas, a ministra e as servidoras terão as seguintes punições: suspensão dos direitos políticos por até oito anos, perda da função pública, ressarcimento dos prejuízos, e multa, de acordo com o artigo 12 da Lei nº 8.429/92.
Assinam a ação os procuradores da República Ronaldo Pinheiro de Queiroz, Eduardo Botão Pelella, Gustavo Pessanha Velloso, Francisco Guilherme Bastos, Eliana Pires Rocha e Raquel Branquinho Nascimento. (Infojus)
Revista Consultor Jurídico, 11 de dezembro de 2003
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