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26 agosto 2003
Sob pressão
Luiz Francisco diz que há lobby para anular CPI do Banestado
Segundo o procurador da República Luiz Francisco de Souza e o perito da Polícia Federal Renato Barbosa, um grupo de pressão está trabalhando para dificultar e impedir as investigações da CPI Mista sobre a lavagem, em Nova York, de mais de US$ 30 bilhões a partir do Banestado de Nova York.
Renato Barbosa diz que nunca viu tanta pressão em sua vida pericial. Luiz Francisco comemora a saída do relator petista José Mentor, o que para ele tornará a CPI "mais rápida".
Leia a entrevista com Renato Barbosa:
Como está o caso?
Neste momento, estamos mapeando todos os rastros que a organização criminosa deixou nessa lavagem de dinheiro. Não só a partir dos documentos da CPI, como também com todo o material que a Polícia Federal trouxe de Nova York, de duas operações especiais da Polícia Federal. Nesta semana, estamos na expectativa, porque uma comitiva do Congresso Nacional foi aos Estados Unidos, e inclusive teve reuniões com o Congresso Nacional norte-americano e também autoridades da persecução penal. Nossa expectativa, não para essa semana, mas para a outra, é que essa comitiva traga mais documentos que comprovem toda essa criminalidade.
O que mais chama a sua atenção?
Duas coisas. Primeiro, a pressão que a gente recebe quando está investigando um caso como este. A segunda coisa é como a organização criminosa acabou facilitando o nosso trabalho. Num primeiro momento eles criaram uma série de simulações no Brasil, mas no exterior deixaram as portas abertas e todas as pistas e indícios de que a polícia precisava.
Que tipos de pressão?
Na verdade, não conseguimos identificar de onde essas pressões partem. É um conjunto de decisões administrativas que foram tomadas ao longo desses dois anos de investigação. Ficamos, no mínimo, assustados com esse tipo de coisa, porque o policial tem a obrigação de perseguir as pistas deixadas, principalmente no crime financeiro. E a partir do momento em que você está fazendo isso e começa a receber certos tipos de decisões por parte da administração você começa a ficar preocupado.
Leia a entrevista de Luiz Francisco:
Essas pressões relatadas pelo perito se estendem ao MPF?
Na nossa força-tarefa não tem pressão que alivie droga nenhuma. Só matando, como se fala por aí. Nossa pressão aqui é ao contrário, é para pegarmos um por um os corruptos. A pressão que eles tiveram foi principalmente no governo anterior, que os afastou, que os intimidou, que tentou puni-los com sindicâncias.
Neste governo, eu acho que as pressões diminuíram, apesar de eles, incluindo o Barbosa, terem sido retirados abruptamente dos Estados Unidos, quando deveriam ter continuado. E só agora que o trabalho está sendo retomado, com a ida dos membros da CPI para lá.
A CPI deveria tê-los chamado, da Polícia Federal. O delegado Castilho e o perito Renato são as pessoas mais importantes de todo esse caso, são os que mais trabalharam. Eu entendo que não colocá-los nessa ida aos Estados Unidos foi um ato errado.
Há críticas do senhor à CPI?
A crítica que faço à CPI é que com a saída do senhor Mentor ela ficou um pouco melhor, porque ela irá mais rápida. Agora, espero que eles mandem para a Receita Federal os dados porque o importante é que essa CPI gere pelo menos uns R$ 20 bilhões em autos e pegasse um bocado de políticos e Silveirinhas mas até agora não estou vendo se ela vai chegar onde deve chegar. Isto é, levantar e pegar o maior números de políticos possíveis, inclusive presidentes de Assembléias Legislativas, Senadores. A CPI deve ao final acabar com a chamada "CC5 barriga de aluguel", que é a que permite a remessa de divisas de forma praticamente irrestrita.
Revista Consultor Jurídico, 26 de agosto de 2003
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