Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

'Armadilhas'

Dolly acusa Coca-Cola de concorrência desleal e abuso de poder

A Dolly, marca popular de refrigerantes, entrou com protocolo administrativo contra a gigante Coca-Cola no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), acusando-a de concorrência desleal e abuso do poder econômico.

A empresa nacional quer a aplicação de Lei Antitruste e afirma, ainda, que processará a multinacional nos tribunais americanos. Sustenta também que pedirá indenização milionária por danos morais e patrimoniais.

O empresário Laerte Codonho, proprietário da Dolly, afirma ter provas de que a Coca-Cola "armou" uma série de armadilhas para "detoná-lo" e acabar com sua empresa. Ele deu o nome de "arquivo lodo" à base de dados com as supostas provas contra a multinacional.

A estratégia da Coca-Cola para destruir a Dolly, segundo Codonho, usou e abusou de armas como espionagem, ameaças, pressões junto a fornecedores, sabotagem, corrupção e disseminação de boatos junto aos consumidores.

A reportagem da revista Consultor Jurídico deixou dois recados para a assessoria de imprensa da Coca-Cola, mas não obteve retorno até o fechamento da notícia.

"Arquivo lodo"

As provas mais preciosas do arquivo de Codonho seriam gravações com o executivo Luis Eduardo Capistrano do Amaral, que teria cometido as ilegalidades a mando de seus superiores na empresa Panamco e da matriz da multinacional.

Capistrano é ex-diretor de compras e estratégias da Panamco -- hoje de propriedade de Coca-Cola Femsa --, empresa responsável pelo engarrafamento, distribuição e venda de produtos da marca Coca-Cola, principalmente, na América Latina.

Um dos motivos que teriam despertado a ira da Coca-Cola contra a Dolly seria o fato de "o sabor guaraná estar ganhando mercado das colas".

Acusação na Internet

Entre as supostas provas de Codonho, estaria a revelação de Capistrano de que a foi a Coca-Cola que criou e divulgou na Internet uma mensagem falsa afirmando que os refrigerantes Dolly faziam mal à saúde.

Segundo Codonho, com a circulação do boato, as vendas da Dolly despencaram. "Além da mensagem fraudulenta, distribuíram panfletos com as afirmações falsas em pontos de venda, nos ônibus, no metrô, postos de saúde, hospitais e academias de ginástica", afirmou.

Leia o protocolo administrativo:

Ilustríssimo Senhor Conselheiro Presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica - CADE

Ragi Refrigerantes Ltda., atual denominação de DOLLY do Brasil Refrigerantes Ltda., pessoa jurídica de direito privado, sediada na cidade de Diadema, Estado de São Paulo, a Av. Paranapanema, 192, inscrita no CNPJ sob n. 02.286.974/0001-09, com inscrição estadual nº 286.149.278.116, neste ato representada por Júlio César Requena Mazzi, acompanhado de seu advogado, ambos ao final assinados, vem, respeitosamente, à presença de V. Exa., para requerer a instauração de competente Procedimento Administrativo, visando a apuração de práticas que, em tese, caracterizam concorrência desleal e abuso de poder econômico, atribuídas à concorrente COCA-COLA:

1. A requerente é fabricante do refrigerante de marca DOLLY. Para projetar o produto e a marca, a fim de concorrer no mercado, tem investido em qualidade e em publicidade. Com o crescimento da aceitação do produto e do fortalecimento da marca, passou a preocupara a concorrente COCA-COLA.

2. De acordo com o relato de um ex-direto desta, de nome Capistrano, ele foi contratado pela requerida para eliminar o produto e a marca DOLLY do mercado de refrigerantes. No dizer do Sr. Capistrano, ele foi contratado especificamente para "detonar" o produto e a marca DOLLY. E o mais grave: Ainda segundo o relato dele, valiam todos os meios, sujos, antiéticos, ilícitos etc., para tirara a marca e o produto DOLLY do mercado.

3. Não se viu a concorrente ameaçada de perder a fatia maior do mercado, segundo aquele ex-diretor contratado para eliminar o produto e a marca DOLLY. Os quatro ou cinco ponto que a requerente tinha no mercado, com predominância do refrigerante de guaraná, é que a incomodava. De acordo com Sr. Capistrano, a COCA-COLA não admite que refrigerante de outro sabor, como no caso de guaraná, tenha crescimento no mercado. Daí a razão maior para a eliminação do produto e da própria marca.

4. Tenha-se presente que a marca DOLLY foi a primeira ao segmento de refrigerantes dietéticos no Brasil. E o produto foi lançado como o sabor guaraná, e com o nome de "DIET" DOLLY". Vale dizer: o refrigerante de guaraná foi o primeiro a ser produzido e continua a ser o carro-chefe dos produtos DOLLY.

5. A requerente iniciou suas atividades no ano de 1998. Desde então, ouvia comentários que a concorrência "jogava duro e sujo" na disputa do mercado, as maiores pretendendo o monopólio. Mas hesitava em acreditar que empresas multinacionais, como a concorrente COCA-COLA, que alardeia atuar no mercado dentro dos princípios éticos, utilizasse práticas anticoncorrenciais como as que ela efetivamente utilizou, na tentativa de eliminar o produto e a marca DOLLY.

  • Página:
  • 1
  • 2
  • 3

Revista Consultor Jurídico, 18 de agosto de 2003, 16h21

Comentários de leitores

0 comentários

Comentários encerrados em 26/08/2003.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.