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4 agosto 2003

Rosa choque

Jornalista lança livro sobre detentas em São Paulo

São Paulo vai conhecer, nesta segunda-feira (4/8) a identidade secreta do jornalista Antônio Carlos Prado, um dos editores da revista IstoÉ. Pradinho, como é mais conhecido, lança o livro Cela Forte Mulher, com toda a emoção colhida por ele em mais de sete anos de trabalho voluntário junto às habitantes do sistema penitenciário feminino.

Os relatos são de casos que envolvem presas da penitenciária de segurança máxima do Tatuapé, da penitenciária feminina da capital -- Carandiru -- e da colônia de enfermos mentais de Franco da Rocha.

O jornalista começou sua pesquisa em 1996. Desde então, ele passou todos os fins de semana, férias e feriados nas penitenciárias fazendo trabalho voluntário e coletando material para seu livro. Foram mais de 16 mil horas de convivência com as detentas. Nas penitenciárias, ele auxilia as detentas. Fora, ele dá apoio aos filhos das presas.

Nesse itinerário, Pradinho ensinou as presas a fazerem seu próprio jornal, das entrevistas à edição, só interferindo na correção ortográfica. Para concretizar a atividade, desde que começou o projeto, ele reserva, todo mês, R$ 700,00 de seus salários. A contrapartida, explica ele, é o seu próprio bem estar. "Eu faço isso para o meu próprio bem. Se o meu bem fizer o bem delas, ótimo", define.

A obra encadeia várias histórias curtas com as mais diferentes personagens, exceto Scarlet uma moça que perpassa o livro todo, participando de cada capítulo com sua personalidade forte e seus desvios psicológicos.

"Minha paixão são as mulheres psicopatas" -- confessa o jornalista, revelando a predileção de seu trabalho pelas personalidades que ele chama de "imantadas". Segundo ele, "porque têm um poder de atração muito grande". Pradinho define a lábia como a grande arma da mulher psicopata, cujo calibre "é o poder de sedução".

O nome Scarlet é uma referência a uma personagem representada por Susan Hayward no filme "Quero Viver". O drama da inocente Barbara Graham, condenada à câmara de gás, é um soco no estômago. Com roteiro baseado em fatos reais, retirados de reportagens publicadas pelo jornalista Ed Mongomery e de cartas escritas pela acusada, o filme tem momentos memoráveis, como a seqüência final, cheia de suspense em torno da dúvida se os advogados conseguirão inocentar a ré a tempo de salvá-la da morte.

O lançamento do livro será no Bar Balcão, às 19h, desta segunda-feira (4/8), na rua Mello Alves, 150, em São Paulo. O livro da Editora Labortexto -- www.labortexto.com.br -- tem 47 fotos e 191 páginas.

Revista Consultor Jurídico, 4 de agosto de 2003

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