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30 abril 2003
Quarta-feira, 30 de abril.
Primeira Leitura: Lula desqualifica críticas da ala radical do PT.

Neoautoritarismo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enquadrou pessoalmente, terça-feira, parlamentares da esquerda do PT que ameaçam votar contra vários pontos da reforma da Previdência.
Falem quanto quiserem
Alternando parábolas e piadas com recados duros aos correligionários, Lula disse que cada um pode dizer que quiser, mas na hora de votar tem de obedecer às determinações partidárias.
Eu, eu, eu...
Lula afirmou também que seu governo é a realização de um projeto de todos e que, se fracassar, a esquerda só voltará ao poder no Brasil "após 50 anos". Mas a esse discurso grandioso sobre a perspectiva histórica da esquerda no Brasil o presidente uniu a sua sempre exacerbada e indisfarçável preocupação com a própria história. "Eu vou perder o direito de andar na rua de cabeça erguida", disse, segundo o deputado Paulo Bernardo (PT-PR).
... e quieto aí, você
As intervenções foram controladas para que os dissidentes não pudessem argumentar. Na saída, os deputados Babá (PA) e Luciana Genro (RS) reafirmaram que votarão contra a reforma da Previdência mesmo que o partido feche questão a favor. A ameaça de expulsão foi mantida em todos os discursos, e foi suficiente para levar outros parlamentares da esquerda petista a adotar discursos mais amenos.
Divórcio amigável
No Senado, a bancada petista adiou por 15 dias a decisão sobre a expulsão da senadora Heloisa Helena (AL). O líder do governo, Aloizio Mercadante (SP), defendeu o "divórcio amigável", pelo qual a senadora se desligaria da legenda.
Divórcio litigioso
Heloísa Helena não topou. Disse que arriscou sua vida para construir o PT e só sairá da legenda como resultado de um processo de expulsão. Ou seja, divórcio, só litigioso.
Jogando para a galera
Apesar da retórica inflamada, os dissidentes devem optar por manter sua posição nos discursos, mas se dobrar à orientação partidária na hora de votar as reformas, no melhor estilo do centralismo democrático. Uma mostra disso pôde ser vista na pose para a foto após o almoço: alguns dos membros da esquerda se esforçaram para ficar próximos a Lula e não se furtaram a exibir sorrisos e gritos de "PT", "PT".
Medo da galera
Diante do clima tenso, o presidente desistiu da foto da caminhada até o Congresso, ao lado dos governadores, programada para esta quarta-feira. Todos chegarão ao Legislativo de carro, mesmo. Os servidores programam uma marcha contra as reformas para o mesmo horário.
Assim falou...Luiz Inácio Lula da Silva
"Reconheço o direito dos companheiros de falar as bobagens que quiserem. Porém, quando a decisão é tomada pela maioria, todos têm de seguir."
Do presidente da República, desqualificando as críticas da esquerda do partido em relação às reformas.
A história se repete
O presidente Lula mudou de idéia e afirmou ontem que não basta ter vontade política para mudar. Lembra vagamente o presidente Fernando Henrique Cardoso, que quando assumiu disse que governar o Brasil era fácil e depois foi obrigado a mudar o discurso. Vagas semelhanças não têm nada de mais na política. O preocupante é quando as semelhanças vão além das palavras, jamais economizadas, e chegam aos diagnósticos equivocados. Pois bem, um diagnóstico comum (e errado) entre o atual e o antigo governo foi explicitado ontem.
Lula, ao comemorar a queda do dólar e da taxa de risco do país, disse duvidar de que, em algum momento da história, o Brasil tenha tido tanta credibilidade no exterior. Tudo isso em tom de vitória contra o ceticismo. Ora, o Brasil já teve, sim, tanta credibilidade. FHC foi, seguramente, o chefe de Estado brasileiro mais adulado pelos investidores internacionais. E sua política econômica, a mais festejada. Só que enquanto desfrutavam, ano após ano, a glória de serem considerados amigos do mercado e alunos preferidos do Fundo Monetário Internacional, FHC e os tucanos iam perdendo a eleição para o PT.
Revista Consultor Jurídico, 30 de abril de 2003
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