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Na balança

Brasil não consegue resolver problema de concentração de renda

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Se for mesmo possível construir mais didaticamente um quadro sinóptico da história econômica desde o descobrimento, talvez possamos identificar objetivamente três vertentes absolutamente distintas e que de certa forma contextualizam nossa experiência econômica. Inicialmente nos conduzimos em nosso modelo definidamente colonial, que vai desde o descobrimento até meados do inicio do século anterior, talvez 1910. Neste cenário absorvemos todos os nossos cacoetes de economia agrária e exportadora: recorde-se, era do pau Brasil, borracha, café, cana de açúcar e ouro, vivenciadas em seus diversos períodos cíclicos.

Durante cerca de 4 séculos produzimos uma geração enorme de atividades econômicas novas, fundamentadas pelo nosso comportamento colonial ainda jovem, de fato edificando avanços de um país em seguida independente, embora sem conseguir resolver questões essenciais como nação justa. Neste cenário colonial acumulamos vivências de toda ordem, com um formidável escopo de experiências de uma nação continental, com excepcionais oportunidades, repleta de todo tipo de trabalho novo e de diversidade cultural, com inúmeros exercícios econômicos, costumes, crendices, misteriosas tradições, músicas e novas construções também de vivências políticas.

Depois embrenhados no modelo de substituição de importação, construímos o Estado que de fato tomam para si a responsabilidade de empresariar várias atividades. É a época de um Estado tantas vezes intrometido, exageradamente regulamentador, intervencionista, no entanto não dá para esconder que também é o período de nossa maior afirmação ao mundo e principalmente junto aos países mais desenvolvidos. Todas as bases da própria industrialização são ali fundamentadas. E avançamos nestas décadas, mesmo cumulando períodos absolutamente desperdiçados, como a chamada "década perdida" dos anos 80, onde a nossa nação exitava perplexa e desarrumada entre a reafirmação do então modelo de substituição de importação ou do acolhimento da própria abertura norteada pelo pensamento por tendências liberais.

Finalmente a partir de 90, escancaramos nossas fronteiras e aceitamos o jogo das forças desta abertura de mercado, bebendo essa água nova do terceiro ciclo de nossa breve historia econômica. Trocamos então primeiramente o modelo colonial para o Capitalismo de Estado e depois dele para o Capitalismo Liberal. Nos três modelos que sintetizam enfim um pouco de nossa história econômica é possível, no entanto identificar-se um traço comum e presente em todas estas épocas: as desigualdades sociais, o aceleramento de uma dívida social que vem se acumulando e que parece atingir patamares inimagináveis.

Produzimos riqueza, crescimento econômico, avanços e temos um enorme patrimônio natural excepcional, no entanto continuamos não resolvendo a enorme concentração de renda que toma conta do tecido econômico, cumulando enormes contingentes de miseráveis. Além disto é preocupante que o mesmo fenômeno esteja ocorrendo na área empresarial. Nossas empresas nacionais estão rareando, ficando pelo meio caminho, incapazes de acompanhar a rudeza destas mudanças estruturais que não privilegiam mais a histórica empresa Brasileira.

Ela tem poucas fontes de financiamentos, são frágeis na composição de sua estrutura de recursos, muito limitadas na capacidade de competir em igualdade de condições com a economia das megas empresas globalizadas e que estão tomando todo o mercado nacional. A questão da grande vulnerabilidade da economia brasileira é cada vez mais evidente. Quanto mais andamos, mais vulneráveis ficamos e este modelo de abertura radical, lido agora depois de cerca de 13 anos de sua adoção, não nos tornou melhores do que fomos.

 é titular da Cannizzaro & Associados S/C Ltda.

Revista Consultor Jurídico, 28 de abril de 2003, 14h54

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