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Sexta-feira, 25 de abril.

Primeira Leitura: Palocci reage às críticas feitas por Ciro Gomes.

Divergências viscerais

Um seminário promovido quinta-feira pelo Ipea e pelo Ministério do Planejamento para debater uma "nova agenda de desenvolvimento" para o país serviu de oportunidade para que divergências viscerais atualmente presentes no petismo aflorassem.

Os fiscalistas x "os outros"

No encontro que reuniu estrelas de primeira grandeza do governismo - como Carlos Lessa (presidente do BNDES), Guido Mantega (ministro do Planejamento) e Antonio Palocci (Fazenda) -, a questão cambial serviu de arma para o confronto entre a ala fiscalista do governo e a "outra" (descontentes de toda natureza).

Controle do câmbio?

O líder do governo no Congresso, senador Aloizio Mercadante (PT-SP), defendeu o uso de mecanismos do Banco Central para controlar o câmbio: "Se nada for feito, eu farei algumas declarações bombásticas para segurar o câmbio". Palocci pediu a palavra e rebateu: "O presidente já disse que o câmbio no Brasil é flutuante e vai encontrar seu valor naturalmente".

Recado a Ciro

Palocci reagiu ainda às críticas feitas anteontem pelo ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, à proposta de reforma tributária, que, segundo ele, deveria ser mais profunda. "Não se pode propor a mudança de vários pontos da Constituição para, depois, brigar por 30 anos na Justiça para saber se o imposto pode ser cobrado ou não", disse Palocci.

Recado a Maria da Conceição

Em outro recado, desta vez à professora Maria da Conceição Tavares - estrela do pensamento econômico do PT que tem evidenciado seu descontentamento com a opção fiscalista de Palocci -, Palocci afirmou que a focalização de benefícios sociais nos mais pobres é uma questão de "bom senso". Conceição afirmou que tal "focalização" se opõe à universalização dos benefícios.

Nem Cristovam escapou

Nem mesmo o ministro da Educação, Cristovam Buarque, que já havia levado uma bronca pública do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por se queixar das restrições orçamentárias que o impediriam de melhorar a qualidade do ensino no país, escapou. Palocci atribuiu a má qualidade da educação às falhas na distribuição de renda no país.

Mais lenha na fogueira

Para por mais lenha na fogueira das divergências petistas, também ontem, 10 deputados petistas do chamado Núcleo de Educação do partido divulgaram nota de apoio ao ministro Cristovam Buarque. Na nota, eles condenam itens do acordo com o FMI e, como Maria da Conceição Tavares, afirmam ser a favor da universalização de políticas sociais.

Assim falou....David McKiernan

"A coalizão [anglo-americana] sozinha tem a autoridade absoluta no Iraque."

Do comandante das forças americanas, em recado aos diversos líderes iraquianos que tentam ocupar o vácuo de poder criado pela deposição de Saddam Hussein.

A história se repete

O governo brasileiro, mais uma vez, caiu na tentação do câmbio, no canto da sereia neoliberal. O PT, atendendo à sua sanha de marketing que vincula a queda do dólar ao suposto sucesso da opção pela ortodoxia, está condenando o país a uma nova rodada de desemprego e de queda da renda, repetindo o erro da administração FHC na época em que Gustavo Franco ditava a política cambial.

O investimento direto no Brasil definhou. somou modestos US$ 1,97 bilhão no primeiro trimestre, contra US$ 4,69 bilhões do mesmo período do ano passado. Embora, graças ao comportamento da balança comercial, o Brasil precise hoje de menos financiamento externo, continua dependendo de US$ 16 bilhões para fechar suas contas no fim do ano, e a possibilidade de substituir o dólar gerado pelas exportações pelo que chega ao Brasil atraído pelo juro elevadíssimo é limitada.

Assim, a postura do governo de comemorar a queda contínua da cotação é uma aventura que, como no passado, terá um final infeliz: um novo ajuste recessivo das contas externas, ou seja, com o câmbio baixo, as importações voltam a subir, as contas externas voltam a ficar negativas, e o Brasil terá de provar, de novo, para os credores que pode honrar suas dívidas.

Revista Consultor Jurídico, 25 de abril de 2003, 9h38

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