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Quarta-feira, 24 de abril.

Primeira Leitura: Copom decide hoje a nova taxa básica de juros.

O PT e a banca

O Comitê de Política Monetária (Copom) decide hoje a nova taxa básica de juros do país. Para o Primeira Leitura, a Selic deveria ser cortada em 0,5 ponto percentual porque não há risco de a inflação fugir de controle, dada a escassez da renda, e ameaçar a estabilidade.

Tendência

Os índices de inflação são ainda elevados, mas a tendência - basta abrir os números - é claramente de queda. Além disso, os juros brasileiros, elevadíssimos para os padrões do mundo de Bush, contribuem para a queda do dólar, já que atraem capitais de curto prazo. E o dólar mais próximo de R$ 3, certamente, começa a colocar em xeque a possibilidade de o país conseguir gerar um superávit comercial da ordem de US$ 16 bilhões.

Erros surrados

O governo do PT flerta com os velhos e surrados erros de Gustavo Franco, e já que o ministro Antonio Palocci (Fazenda) disse que queria evitá-los, chegou o momento: melhor seria cortar o juro e comprar dólares para manter a cotação ao redor de R$ 3,20 e garantir saldo comercial, que foi o que tirou o Brasil da rota da argentinização no fim do ano passado.

Salva-vidas

A balança comercial superavitária tem sido a bóia salva-vidas do Brasil, depois do estrago nas contas externas feito nos anos FHC. Até a terceira semana de abril, registrava saldo acumulado no ano de US$ 4,8 bilhões, resultado 315,8% superior ao registrado no mesmo período de 2002 (US$ 1,16 bilhão). É isso o que está fazendo toda a diferença, e não apenas o charme ortodoxo do ministro Palocci.

Arranca-rabo de classes 1

O presidente Lula, em discurso de 33 minutos no qual, por várias vezes, optou pelo improviso, afirmou ontem que o crime organizado tem vencido o trabalho policial. Uma prova seriam as apreensões feitas, nas quais apenas "bagrinhos" (peixes pequenos) são apresentados como traficantes. E aproveitou para fazer demagogia, evidenciando que os bandidos ricos seriam mais culpados que os bandidos pobres.

Arranca-rabo de classes 2

Com isso, esvaziou o conceito de luta de classes para introduzir no debate sobre a violência urbana o "arranca-rabo" de classes. "No dia em que a inteligência da polícia for mais forte e mais ousada do que a força bruta, talvez a gente não precise invadir uma favela e quem sabe subir em uma cobertura de uma das grandes capitais deste país para pegar o verdadeiro culpado pelo narcotráfico."

Arranca-rabo de classes 3

Lula criticou ainda o que chamou de "elite", que estaria mais interessada em saber o que ocorre em Roma e Paris do que no Brasil.

Azar seu

O presidente avaliou que cumprirá as promessas de campanha, ainda que algumas sejam mais difíceis e que tenha de desagradar "alguns companheiros" no trajeto.

Assim falou... Luiz Inácio Lula da Silva

"Alguém vai perder? Vai. Alguém vai pagar? Vai. Mas é assim na vida. Se Jesus Cristo precisou ser crucificado para salvar a humanidade, por que cada um de nós não coloca um pouco do nosso sacrifício para salvar esse Brasil que tanto precisa de nós?"

Do presidente da República, falando sobre os que perderão com as reformas.

Contra-mão da história

O secretário do Tesouro dos EUA, John Snow, elogiou ontem a prioridade que o governo Lula tem dado ao ajuste fiscal e às reformas. De outro lado, o Fundo Monetário Internacional (FMI), voltava a elogiar o governo Lula e usava a valorização do real diante do dólar como exemplo da volta da confiança dos investidores ao país. Os dois casos são ilustrativos do quanto o império econômico do planeta e o principal organismo multilateral de crédito, que tantas regras impõem aos países emergentes, podem ficar alheios ao debate que se trava em um país.

Os maiores economistas brasileiros, como bem lembrou a professora Maria da Conceição Tavares, estrela do PT, em entrevista publicada no jornal Folha de S. Paulo, na segunda-feira, são unânimes em apontar com prioridade para o país um programa de redução de sua vulnerabilidade externa, e não simplesmente um ajuste fiscal ou um programa de reformas liberalizantes. Daí a preocupação com o real valorizado, que atrapalha exportações - esse que o FMI vê apenas como sinal positivo.

Revista Consultor Jurídico, 23 de abril de 2003, 10h02

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