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Crítica rebatida

'Furlan agrediu brasilienses ao falar de segurança e sonegação.'

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luiz Fernando

Furlan, deveria estar lembrando da sua infância, quando agrediu os

brasilienses generalizando as afirmações de que o ministro da Fazenda deveria andar por todos os bairros da cidade e constatar os indícios de sonegação nas residências do Lago Sul.

Quando menino, o ministro possivelmente sonhou com os carros importados -- ou mesmo nacionais -- que ficavam estacionados nas garagens dos seus ricos vizinhos. O ministro fez sucesso como empresário, porém não tem como usar veículos que pode comprar com o dinheiro que possui. Isso porque em sua cidade insegura, é impossível exibir bens de luxo, como automóveis, lanchas, relógios, roupas de qualidade e, até mesmo festejar um aniversário sem que seja necessário blindar os carros e sair com uma parafernália de segurança que irá garantir a festa ou o simples percurso do trabalho para casa.

Nos grandes centros, como Rio e São Paulo, já não existem garagens, nas quais os proprietários possam deixar os seus veículos. Eles têm de usar "caixas-fortes" acionadas por controle remoto e um sem-número de equipamentos de vídeo que protegem as fortunas, na maioria das vezes, ganhas com o próprio trabalho; outras vezes, como em qualquer lugar do mundo, por métodos ilegais. Imaginar que Brasília é diferente do resto do Brasil é desconhecer o País, fato incompatível com a função ministerial.

É evidente que em Brasília, uma das cidades mais seguras do País, seus moradores, como o ministro Furlan, podem circular com os bens que legitimamente lhes pertencem, sem o medo que assola os "pobres-ricos" moradores de outros locais. É só circular pela cidade para que se encontre -- nos calçadões, supermercados, shoppings, clubes e campos de futebol -- políticos, autoridades, empresários, artistas vivendo livremente em um quase paraíso de liberdade e segurança.

O ministro ainda não está acostumado, mas, logo vai perceber que os

seus vizinhos fazem parte do grupo de pessoas que construíram a capital e aqui amealharam os recursos que usufruem com satisfação. É verdade que o ministro deve estar sendo considerado "persona non grata" nas proximidades de sua residência, e corre à boca pequena que algumas pessoas já estavam estranhando como um jovem executivo, ganhando cerca de R$ 6 mil, possa viver em área nobre da capital, onde vivem os que puderam formar patrimônio compatível com a renda que declaram à Receita Federal.

Não seria demais lembrar que a Secretaria da Receita Federal no DF atua com rigor e, sistematicamente, lavra autos de infração contra os sonegadores que aqui vivem e os encaminha ao Ministério Público, que promove as ações criminais contra os acusados. É assim no Brasil e no mundo. Aqueles que apresentam os chamados "sinais exteriores de riqueza" são investigados, e, comprovada a sonegação de tributos, são autuados.

Mas não basta pegar sonegadores, é necessária a aprovação da reforma tributária que rola há anos nas comissões do Congresso Nacional e, que o próprio governo, do qual faz parte o ministro, luta para aprovar o Refis que irá facilitar a vida dos empresários que, circunstancialmente, deixaram de pagar impostos.

Seria conveniente o ministro "furlanizar" as pessoas que ele sabe serem sonegadores, para que nós, os brasilienses, possamos, um dia, recebê-lo como recebemos o presidente Lula, que sempre foi respeitado e muitíssimo votado no DF.

Revista Consultor Jurídico, 23 de abril de 2003, 7h47

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