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Imprensa acuada

MP analisa fitas com ameaças a jornalista da Globo de Londrina

Texto transcrito do jornal Gazeta do Povo

O Ministério Público do Paraná vai analisar as gravações de telefonemas ameaçadores recebidos pela jornalista Maria Christina Mattos, da TV Coroados, emissora da Rede Paranaense de Comunicação (RPC), retransmissora da TV Globo em Londrina. A perícia da fita faz parte de investigações sobre o crime organizado que tenta intimidar também empresários do ramo de combustíveis na cidade e os promotores que apuram a formação de cartel entre os postos de gasolina.

No último domingo, um carro ocupado por pessoas não identificadas chamou a atenção fazendo "cavalos-de-pau" e freadas bruscas em frente ao apartamento da jornalista. Quando a jornalista saiu na sacada, um homem saltou do carro e disse: "Pára de falar besteira senão você vai morrer".

A direção da RPC imediatamente retirou a jornalista de Londrina e pediu providências judiciais, que estão sendo tomadas. Uma varredura nos telefones da empresa também está sendo realizada para verificar a presença de grampos. "Tudo isso não vai fazer com que mudemos a política da casa, que é garantir a informação ao telespectador", afirma o diretor de Jornalismo da RPC, Wilson Serra.

A profissional também recebeu o apoio do Sindicato dos Jornalistas de Londrina. "Não vamos nos intimidar. Isso foi um fato absurdo e inaceitável. A jornalista está apenas cumprindo o seu dever que é o de informar", diz Raquel de Carvalho, presidente da instituição. As ameaças se intensificaram depois que os telejornais da RPC passaram a identificar os postos de combustível que têm preços mais baixos.

O clima de tensão veio à tona com a ameaça feita à jornalista e revelou que outras pessoas já vêm passando pela situação há algum tempo. O Ministério Público tem ouvido donos de postos que se queixam de ameaças. Nos anos anteriores alguns chegaram a sofrer atentados. "Os donos de postos estão procurando o Ministério Público e relatando o que está acontecendo. Só que ninguém fala sobre o assunto por causa do medo", afirma um empresário que não quis se identificar.

"Eu tenho família e não posso correr esse risco. As pessoas que estão fazendo isso não tem nada a perder", completa. Em entrevista, o promotor de Defesa do Consumidor, Miguel Sogaiar, que comanda as investigações sobre o mercado de combustíveis em Londrina afirmou que pediu proteção policial, mas nega que tenha recebido ameaças diretas. Dois seguranças armados estão acompanhando o promotor.

O empresário Ariovaldo Ferraz Arruda, presidente da Associação dos Revendedores de Combustíveis do Norte do Paraná (Arcom) afirma que também já recebeu diversas ameaças por telefone. "Disseram que iriam explodir o posto e acabar com tudo", conta. Ferraz Arruda e Valter Sasso, diretor do Sindicato dos Revendedores de Combustíveis do Paraná (Sindicombustiveis-PR) chegaram a ser detidos no mês passado para a "garantia da ordem pública, econômica e conveniência da instrução criminal", de acordo com o texto dos autos n.º 180/02, que deram origem aos pedidos de prisão preventiva de um grupo de cinco donos de postos.

Os dois foram libertados por força de habeas-corpus no fim do mês. Um outro grupo de donos de postos, réus do processo 291/01 também tiveram a prisão preventiva decretada. O processo investiga crime contra a ordem econômica, formação de cartel, acordo para quebra e eliminação da concorrência e constrangimento ilegal de testemunhas. O pedido de prisão foi revogado na semana passada, pelo Tribunal de Justiça.

O Ministério Público investiga o mercado de combustíveis há mais de dois anos. Em setembro de 2001, um grupo de donos de postos teria invadido o Posto Tiradentes, no centro de Londrina, porque o proprietário havia decidido vender álcool e gasolina a um preço menor do que o praticado na cidade. Naquela época, o preço do litro do álcool no Posto custava R$ 0,99 e o de gasolina R$ 1,70, enquanto no restante dos estabelecimentos, os combustíveis custavam em média R$ 1,10 e R$ 1,78.

Leia a nota do Sindicato dos Jornalistas:

NOTA DE REPÚDIO

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Londrina vem a público denunciar as ameaças que vem sofrendo a jornalista Cristina Mattos, da TV Coroados. Na última semana a jornalista recebeu um telefonema com ameaças de morte a ela e à sua família e outras tentativas de intimidação.

Tudo leva a crer que as ameaças ocorrem em virtude de reportagens feitas pela TV Coroados, emissora da Rede Paranaense de Televisão (RPC), sobre o grupo de empresários que tenta instituir na cidade o alinhamento nos preços dos combustíveis, e da campanha que a emissora leva ao ar, indicando os postos que vendem mais barato.

O cartel do combustível já foi tema de reportagem de vários meios de comunicação no Paraná e já resultou em prisão de alguns donos de postos. Também são freqüentes as notícias de empresários que ousaram enfrentar as ordens do cartel, abaixando o preço nos seus postos, e sofreram atentados a bala.

O Sindicato dos Jornalistas de Londrina repudia a atitude desses empresários, que além de cometerem um crime contra os cidadãos (ao praticar preços abusivos) ameaçam e até levam a cabo atentados contra quem ousa desobedecê-los.

Esta entidade repudia a tentativa de intimidação aos jornalistas, que estão no estrito cumprimento do dever de informar. O Sindicato dos Jornalistas tudo fará para denunciar atos que ferem a liberdade de expressão e o direito da sociedade de ser informada, exigindo e acompanhando a apuração dos fatos e a punição dos responsáveis por esse crime.

Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Londrina

16/04/03

Revista Consultor Jurídico, 17 de abril de 2003, 16h17

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