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Quarta-feira, 16 de abril.

Primeira Leitura: PSDB está longe de fazer oposição ao PT.

Ouro de tolo

O ministro do Planejamento, Guido Mantega, saiu-se terça-feira com a seguinte afirmação: "A política monetária será diferente [da do governo anterior], será uma política que irá acelerar a redução da taxa de juros, que vai deixar de alimentar o crescimento da dívida", disse, não escondendo o entusiasmo com a aprovação do mercado ao governo Lula. Ora, isso era o que também dizia o governo anterior, que logo descobriu que os aplausos de Wall Street e as entradas de capital de curto prazo no país não passam de ouro de tolo.

Ouro de tolo 2

Também terça-feira, o diretor-adjunto do Departamento de Hemisfério Ocidental do FMI, Jorge Márquez-Ruarte, disse que, na situação atual, não há necessidade de o Banco Central brasileiro ser mais agressivo em relação à política monetária, que controla a inflação. O FMI só esqueceu de avisar isso ao varejo, que prossegue remarcando preços. A segunda prévia do IGP-M de abril, divulgada ontem, mostrou que os preços ao consumidor subiram 1,17%.

Caldas Novas

Os petistas têm todos os motivos para comemorar. Os governadores do PSDB estão longe de perceber o que significa exatamente fazer oposição ao governo do presidente Lula: se reuniram em Caldas Novas (GO) esta semana para cobrar ainda mais energia dos petistas nas reformas!!!!

Bode na sala

Claro, poder-se-á dizer, eles se referiam à reforma tributária. Ora, até os gramados de Brasília já sabem que essa conversa de reforma tributária é o famoso "bode na sala": Lula vai pô-lo e tirá-lo ao sabor do andamento da reforma da Previdência, que é a que realmente conta. Quem se limitou a ler os títulos dos jornais ou se contentou com o noticiário da televisão viu lá: os tucanos querem mais energia nas mudanças.

Os servidores públicos devem ter adorado... Abandonados pelos petistas, também não têm como apelar aos tucanos!

O bônus para o PT, o ônus para o PSDB

Hoje, o presidente vai se encontrar com os governadores. Há grande possibilidade de que, do encontro, saia ou derive a decisão sobre a taxação dos inativos. Vale dizer: Lula tem tudo para reformar a Previdência, dar um passa-moleque nos servidores que votaram nele em massa e se esconder atrás dos governadores.

Ficará com os bônus do mercado, e o ônus cairá todo sobre os ombros dos governadores, em especial do PSDB, que tem sete deles, dois entre os Estados mais populosos do Brasil: São Paulo e Minas.

Caldas Mornas

O PT deve estar em festa. Se conseguir jogar sem se mexer, pode-se preparar para mais alguns mandatos. Enquanto isso, reunidos em Caldas Novas, os tucanos vão sendo cozidos em calda morna.

Assim falou... Antonio Palocci

"A história econômica do Brasil é riquíssima em invencionices, que provocaram prejuízos. Portanto, não quero cometer erros do passado. Quero cometer erros novos."

Do ministro da Fazenda, em encontro com investidores em São Paulo, ao reiterar que não vai interferir no câmbio.

Contra-mão da história

Depois de satanizar a oposição a Hugo Chávez, na Venezuela, de negar-se a incluir as

Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) entre organizações narcoterroristas e de flertar com a idéia de o Brasil dar asilo ao ditador Saddam Hussein, o assessor de política externa do presidente Lula, Marco Aurélio Garcia, cometeu uma nova barbaridade diplomática. Ignorou a Constituição brasileira e informou que o Brasil vai se abster na Comissão de Direitos Humanos da ONU em relação ao fuzilamento e às prisões de dissidentes do regime de Fidel Castro, em Cuba.

Segundo Marco Aurélio, o Brasil ainda não tem uma avaliação dos atos da ditadura cubana. "A nossa opinião sobre os fatos ocorridos serão transmitidas ao governo cubano", afirmou, admitindo, se mantida a confidencialidade diplomática da opinião, sonegar a informação da população brasileira.

A postura do governo Lula significa um retrocesso na defesa dos direitos humanos. A Constituição de 1988 (art.5º/XLVII/art. 84/XIX) veta expressamente a pena de morte, e o Brasil já se manifestou e intercedeu oficialmente, por meio do Itamaraty, contra sentenças de pena de morte aplicadas em países com quem mantém relações.

Revista Consultor Jurídico, 16 de abril de 2003, 9h42

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