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Sexta-feira, 11 de abril.

Primeira Leitura: Palocci mostra programa escondido na campanha.

O verdadeiro plano

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, pouco antes de embarcar para Washington, quinta-feira, para participar da reunião anual do FMI-Banco Mundial, divulgou um documento economicamente despretensioso, mas de grande alcance político. Intitulado "Política Econômica e Reformas Estruturais", o documento é, na prática, o programa econômico do governo Lula que foi escondido durante a campanha.

Fiscalismo

Sem dúvida, não foi este o programa que ganhou as eleições. Com palavras que não dão margem a nenhum tipo de dupla interpretação, Palocci e a equipe dele dizem que estão no governo Lula para "resolver os graves problemas fiscais" e fazer o "ajuste definitivo das contas públicas".

Provocação às bases

Está no documento, igualmente sem contemporização nenhuma, a necessidade de aprovar a "autonomia do Banco Central". O objetivo é dar "eficiência" e "transparência" à gestão da política monetária. Parece provocação, já que uma parte da base petista anda furiosa com o que chama de "terceirização do BC".

Pá de cal

Para completar o jogo de bastidores contra a esquerda, na seqüência da divulgação do documento da Fazenda, o Ministério do Planejamento reforçou a política fiscalista de Palocci com o anúncio da decisão de manter nos próximos três anos a meta de 4,25% do PIB (Produto Interno Bruto) para o superávit primário.

Enquanto isso...

Enquanto isso, no Congresso, o senador Aloizio Mercadante fazia interessantes digressões sobre o keynesianismo. Em discurso, ele se colocou, na prática, como o teórico da transição do "pós-Palocci", ou seja, do atual modelo - que definiu como ortodoxia monetarista - para o que chamou de monetarismo com "viés keynesiano". Pareceu, muito mais, coisa combinada para acalmar a ala esquerda do partido no Congresso.

Transferência de renda

A ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, explicou que, se os preços do petróleo continuarem em queda, será possível compensar as perdas da Petrobras acumuladas nos picos das cotações. Em seguida, o governo criaria um "colchão de liquidez" com a Cide (imposto sobre combustíveis). Por último - pobre consumidor, sempre na lanterna -, poderia reduzir o preço da gasolina e do diesel. Em outras palavras, o governo vai usar a Cide para transferir renda do setor privado para o setor público. Para cumprir a meta de superávit, diga-se.

Assim falou... Luiz Inácio Lula da Silva

"Não é só a direita que é conservadora. Do ponto de vista das reformas, a esquerda também é"

Do presidente da República, ontem, num veemente discurso em defesa das reformas constitucionais. Detalhe: a frase, originalmente, é do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que gostava de repeti-la com pequenas variações.

Dica Cultural

Na Conferência de Paz de 1919, as potências vencedoras da Primeira Guerra Mundial - EUA, Reino Unido, França e Itália - definiram a essência do acordo que marcou o fim do conflito e impuseram humilhações à derrotada Alemanha. O país foi obrigado a aceitar a responsabilidade moral pela guerra e a assumir uma dívida sabidamente impagável. A paz imposta, e não negociada, gerou o clima propício para que uma figura como Adolf Hitler defendesse o armamentismo expansionista.

O livro Peacemakers: The Paris Conference of 1919 and Its Attempt to End War, de Margaret Mac-Millan, conta como o acordo foi costurado. A discussão sobre as conseqüências de programas forçados de desarmamento e de mudança de regime é bastante pertinente nesse momento em que os EUA consolidam sua vitória sobre Saddam Hussein. O livro lembra que o slogan das potências vencedoras da Primeira Guerra, impulsionado pelos EUA, era "façamos do mundo um lugar seguro para a democracia".

Revista Consultor Jurídico, 11 de abril de 2003, 9h28

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