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Quinta-feira, 10 de abril.

Primeira Leitura: Mantega ressuscita velha distorção de reajustes.

Aviso ao presidente

O presidente Lula disse, esta semana, a operários em uma fábrica no ABC paulista, que tinha sabido do reajuste das tarifas de energia pelos jornais. No mesmo dia, com o intuito de evitar este incômodo, o site Primeira Leitura sugeriu ao presidente que pedisse, com urgência urgentíssima, uma planilha atualizada com os preços da Petrobras. Ao ver os números, Lula saberia que o diesel no Brasil pode cair, imediatamente, 20%, enquanto a gasolina pode ter seu preço reduzido em 8%.

De novo?

Quarta-feira, contudo, a ministra Dilma Rousseff (Minas e Energia) disse que a Petrobras não vai reduzir preços porque não os elevou quando os preços internacionais estavam mais altos.

Desculpa esfarrapada

Trata-se de uma desculpa esfarrapada. O lucro da Petrobras entra no cálculo do superávit primário, que este governo decidiu, unilateralmente, elevar para 4,25% do PIB. Ou seja, a ordem é ter o maior lucro possível. Sorte dos acionistas da Petrobras.

Azar dos brasileiros, que, mesmo quando andam de ônibus, estão financiando esse lucro. Antigamente - quando o PT era oposição - isso se chamava transferência de renda.

História mal contada

Para evitar dizer que o aumento do funcionalismo público concedido pelo governo Lula foi exatamente o previsto pelo governo FHC, o ministro do Planejamento, Guido Mantega, tentou na quarta-feira, em Brasília, esconder por trás de um jogo de índices e percentuais o fato óbvio: os servidores vão ganhar reajuste de 1%, em maio, retroativo a janeiro, e mais um "adicional salarial" de R$ 59,87. O reajuste custará o mesmo R$ 1,1 bilhão programado por FHC.

História mal contada 2

Para poder dizer que o reajuste dos funcionários vai de 4% a 13,23%, o Ministério do Planejamento mediu o impacto dos R$ 59,87 sobre os salários mais baixos, que são os da maioria (75%) dos funcionários.

Mantega criticou as "distorções" dos reajustes no governo FHC, mas ressuscitou uma velha distorção: a de beneficiar os salários mais baixos salários do funcionalismo - que são maiores do que os do setor privado -, em detrimento das carreiras típicas de Estado, as que estão mais defasadas em relação ao mercado de trabalho.

Outra história mal contada...

O presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), João Felício, reagiu ao aumento com a ameaça de "grandes lutas". Ora, a CUT apóia o governo. Tanto assim que foi Lula quem decidiu o nome do próximo presidente da central, Luiz Marinho, que assume em junho nem um pouco disposto a liderar mobilizações contra o governo.

Falcões em festa

A rápida vitória militar dos EUA no Iraque fortaleceu a posição dos unilateralistas no governo Bush, que, nesta quarta, saíram a campo para comemorar e lembrar aos chamados "Estados delinqüentes" - entre os quais Síria, Irã e Coréia do Norte - a lição ensinada a Saddam Hussein. Falaram disso o vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, e o subsecretário de Estado encarregado do controle de armas e de segurança internacional, John Bolton.

Assim falou... Mohammed Al Douri

"O jogo acabou."

Do embaixador do Iraque na ONU

Dica Cultural

Muito antes de os EUA se lançaram na guerra contra o Iraque, o unilateralismo do governo Bush rendia críticas mundo afora. E é justamente contra essa postura da Casa Branca que se bate Joseph S. Nye Jr., cientista político e reitor da Escola de Governo Kennedy, da Universidade Harvard, em Cambridge (EUA), em seu livro The Paradox of American Power: Why The World's Only Superpower Can't Go It Alone (O Paradoxo do Poder Americano: Por que a Única Superpotência Mundial não Pode Agir Sozinha).

Na obra, publicada em 2001, pouco depois dos atentados de 11 de setembro, Nye, que no governo de Jimmy Carter (1977-1981) liderou a equipe de especialistas em não-proliferação nuclear do Conselho de Segurança Nacional, alerta que o "poder militar, sozinho, não pode produzir os resultados desejados [pelos EUA]" e que eliminar o terrorismo, "tomará anos de paciente e discreto trabalho, incluindo íntima colaboração civil com outros países".

Revista Consultor Jurídico, 10 de abril de 2003, 15h07

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