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Terça-feira, 8 de abril.

Primeira Leitura: Dirceu critica 12ª greve de ônibus da gestão Marta.

Corporativismo...

Uma vez crucifica a esquerda, foi a vez de jogar a pá de cal no funcionalismo público, que também ajudou a eleger Lula. O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), declarou ontem a empresários na Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos que o governo Lula não vai se render ao corporativismo do funcionalismo público no debate sobre a reforma da Previdência.

...e lobby

O professor da USP, José Arthur Giannotti, que estava no evento da Exame, sintetizou seu pensamento sobre o governo anterior e o atual da seguinte forma: a gestão de FHC foi tecnocrata; a atual, de Lula, tem dificuldade de enfrentar lobbies como ocorre hoje na cidade de São Paulo com o sistema de transportes, que registra a 12ª greve da gestão Marta Suplicy.

Locaute

Dirceu criticou a nova greve de ônibus de São Paulo e chamou o movimento de "locaute" (greve de patrão). Para ele, o setor tem sido irresponsável, mostra não ter "espírito público" e "se alia a interesses locais escusos". Tudo bem, mas quando as greves vão parar de infernizar a vida dos paulistanos?

Os 100 dias

Na reta dos cem dias, petistas de alto escalão falaram muito sobre o início da era Lula. O próprio presidente da República comentou o sentido da continuidade que se aponta em seu governo. Censurou os que não dão continuidade à obra de antecessores, conclamando os políticos a pensar antes no bem do Brasil e menos em picuinhas.

Picuinhas de quem?

Alheio às próprias palavras, afirmou que, entre 1995 e 1998, 300 mil crianças teriam morrido no Brasil em decorrência da falta de saneamento. Não por acaso, referia-se aos anos de governo FHC.

Reformismo permanente

O governo Lula encara as propostas para mexer nos sistemas tributário e previdenciário, que serão enviadas ao Congresso neste mês, apenas como uma primeira etapa das reformas. O ministro José Dirceu (Casa Civil) deixou claro segunda-feira que o governo vai fazer o que for politicamente viável nessa primeira etapa, o que ele chamou de "mudanças emergenciais".

Reformismo permanente 2

Depois, afirmou Dirceu, "[é preciso tratar] da partição dos impostos pelos entes federados, o papel das contribuições no sistema tributário brasileiro', um processo de revisão constante que deve ser feito de "dez em dez anos".

Esquerda derrotada

O mesmo ministro, a uma platéia de economistas, empresários e jornalistas, no seminário Cem Dias de Governo Lula, promovido pela revista Exame, disse que a esquerda do partido será, sempre, derrotada, como nos embates do Corinthians contra o freguês São Paulo.

Assim falou... Luiz Carlos Mendonça de Barros

"Ministro é preciso tomar cuidado com economistas jovens, brilhantes e com sotaque carioca. No governo FHC tivemos problema com Gustavo Franco."

Do ex-ministro das Comunicações e publisher do Primeira Leitura, dirigindo-se ao ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, durante seminário Cem 100 dias de Governo Lula. Mendonça de Barros referia-se ao atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Marcos Lisboa, de uma escola econômica que preza o neoliberalismo. A insistência de Franco em manter o real sobrevalorizado é, hoje, unanimemente apontado como origem das várias crises pelas quais o Brasil passou nos últimos anos.

Contra-mão da história

A vida fez do presidente Lula um prático. Tendo tido muito tempo para estudar, sempre refugou, preferindo a agradável convivência dos confrades. Ontem, disse que "é menos relevante" que os alunos brasileiros saibam quem foi Cabral. Para ele, mais importante é saber "que precisa comer bem".

A formulação começa esdrúxula e se conclui autoritária. Houve um tempo, presidente, em que se ensinava nas escolas, ao menos, quem foi Cabral. Hoje, sitiadas pelo narcotráfico - de que as Farc, que o seu governo resiste em não reconhecer como narcoterrorista, é um elo -, nem mesmo aula se dá. Logo, a sua fala não passa de uma banalidade prática.

Mas ela também traduz um exotismo teórico, excelência! Não há qualquer incompatibilidade em saber quem foi Cabral e comer todos os dias. Só as ditaduras, presidente, tiveram a infeliz idéia de opor as necessidades materiais às necessidades espirituais; o arroz e feijão ao saber. Esse doce, paternal, ingênuo e desinformado paternalismo de Lula já começa a esbarrar no risco.

Revista Consultor Jurídico, 8 de abril de 2003, 12h30

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