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Sexta-feira, 4 de abril.

Primeira Leitura: BC deveria recompor as reservas internacionais.

Hora de comprar

É chegada a hora de comprar dólares. Não os investidores, mas o Banco Central brasileiro, que deveria recompor as reservas internacionais do país e, com isso, garantir que a taxa de câmbio não caia a ponto de atrapalhar as exportações brasileiras.

Luz vermelha

O ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, foi o primeiro a mostrar preocupação com eventual deterioração das contas externas brasileiras, que se recuperaram nos últimos meses graças ao câmbio favorável para a balança comercial. Segundo ele, uma cotação abaixo de R$ 3,00 "acende alguma luz colorida" para exportadores. Leia-se, uma luz bem vermelha.

Vulnerabilidade é isso

Para quem não sabia o que significa, na prática, a vulnerabilidade externa do país, o momento é pedagógico. Na vida cotidiana, vulnerabilidade se traduz pela preocupação do governo quando tudo vai mal e, também, quando tudo vai bem. Se o dólar cai demais, o Brasil vende menos produtos lá fora, recebe menos dólares, e passa a depender de mais de investidores estrangeiros para fechar suas contas, especialmente de capital especulativo.

Ordem do dia: baixar a bola

Não por acaso, um ministro de Estado e um banco internacional alertaram ontem para possíveis danos decorrentes do excesso de otimismo no Brasil. Para o ministro Tarso Genro (Conselho de Desenvolvimento), as pressões externas só cederão quando o país se libertar da necessidade de atrair capitais de curto prazo. Para o Deutsche Bank, a euforia e excesso de confiança têm seu risco. "Qualquer acidente no curto prazo poderia levar a uma correção importante", avaliou o banco.

Grampolância 1

O depoimento dos jornalistas Luiz Cláudio Cunha e Weiller Diniz, da revista IstoÉ, no Conselho de Ética do Senado convenceu senadores de todos os partidos do envolvimento do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) na rede de grampos ilegais montada na Secretaria de Segurança da Bahia em 2002.

Grampolândia 2

"Temos provas documentais e testemunhais absolutamente inquestionáveis do envolvimento do senador Antonio Carlos Magalhães", disse o líder do governo, Aloizio Mercadante (PT-SP), antes reticente ao tratar do assunto. O PT ajudou o senador, que fez campanha para Lula na Bahia, tentando impedir a instalação de CPI no Senado para investigar o caso. Em vão: o destino de ACM parece já selado.

Sorte de principiante

Analista que se preza, porém, tem de reconhecer que esse governo tem sorte. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso teve de suportar ACM por quase oito anos. Pior: na condição de "aliado", dado que o PFL era da base governista. Lula, nos primeiros 100 dias de governo, tem a chance de livrar-se do senador baiano. Aliados de ACM consideram inevitável nova renúncia para fugir da cassação.

Assim falou... José Dirceu

"Essa vitória não é do governo nem do PT. É uma vitória de todos os partidos. Quero agradecer ao PSDB e ao PFL"

Do ministro da Casa Civil, reconhecendo que, se dependesse apenas da sua base de sustentação, não teria aprovado a emenda constitucional ao artigo 192 da Constituição, que trata do sistema financeiro e abre caminho para a autonomia do Banco Central.

Tudo é história

Em meio ao noticiário da guerra Bush-Iraque, das discussões sobre as reformas previdenciária e tributária e da votação da emenda constitucional ao artigo 192. o afastamento de um juiz de uma corte superior pode não ter sido notado tanto quanto merecia sê-lo. Não foi um afastamento de rotina, em um tribunal qualquer, envolvendo um juiz qualquer.

Desde a redemocratização do país, a partir de 1985, e da consolidação do Estado de Direito, depois da promulgação da Carta de 1988, Legislativo e Executivo vêm sendo submetidos a uma exposição, investigação e demanda por transparência que não guarda paralelo de nenhuma ordem com o Judiciário - naturalmente mais fechado por conta do ritual jurídico, que impõe uma sapiência muito específica, mas com uma longuíssima e perversa tradição de tentar resolver todas as mazelas internas com expedientes "entre os pares".

O juiz Vicente Leal foi afastado do STJ, o Superior Tribunal de Justiça, por 30 votos a zero, suspeito que é de envolvimento na venda de habeas corpus para traficantes. Aconteceu algo de novo neste país. Acreditem! - ou o placar não teria sido de 30 a zero!! E aconteceu pela primeira vez, desse jeito, em um tribunal que tem mais de 50 anos.

Revista Consultor Jurídico, 4 de abril de 2003, 9h36

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