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Quarta-feira, 2 de abril.

Primeira Leitura: Lula faz concessões à ala esquerda do PT.

Toma lá, dá cá

Uma reunião do presidente do PT, José Genoino, com os três principais representantes da ala esquerda do partido na Câmara - os deputados Babá (PA), Luciana Genro (RS) e Lindberg Farias (RJ) - selou terça-feira o voto favorável dos dissidentes à proposta de emenda constitucional que regulamenta o artigo 192 da Constituição, do sistema financeiro.

Em troca, Genoino negociou que o PL-9, que modifica regras de previdência para novos servidores, só será discutido juntamente com a reforma da Previdência e que a autonomia do Banco Central será objeto de um "amplo debate" no partido.

Promessa é dívida

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, contudo, não parece interessado nessa história de negociação política sobre a independência da instituição. E terça-feira voltou a defender o BC autônomo o quanto antes, jurando que isso resultaria em redução dos juros, da inflação... O BC autônomo, na verdade, não é panacéia, mas sim um compromisso assumido com o FMI na última revisão do acordo, que liberou mais US$ 4 bilhões de um empréstimo de US$ 26 bilhões que o Brasil tem a receber.

Tempo de ceder

O governo Lula, que já teve de fazer concessões à ala esquerda do partido, deve ceder também ao funcionalismo público e abandonar por completo a idéia de cobrar contribuição previdenciária dos servidores inativos. Outra concessão em estudo diz respeito ao teto de aposentadoria, que deve ser mais alto do que o do setor privado, hoje.

São Pedro, de FHC a Lula

O governo FHC contou apenas com São Pedro para acabar com o racionamento de energia, já que investimento em geração e transmissão, para valer, não houve. Agora, o governo Lula, de acordo com o ministro Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento), também já tem sua dívida com o santo: o superávit da balança comercial, disse, deveu-se à "ajuda de São Pedro" - que garantiu o clima favorável à produção agrícola - e ao câmbio. Não deixa de ser uma forma simpática de reconhecer que, até agora, o governo nada fez em matéria de promoção comercial e política industrial.

A guerra por cargos

A discussão sobre o futuro do Iraque está tão avançada nos EUA que já provoca atritos no interior do governo americano. O secretário-adjunto de Defesa, Paul Wolfowitz, e o general aposentado Jay Gardner, encarregado da missão de montar uma administração iraquiana para o pós-guerra, estão se desentendendo sobre os nomes que devem ser os membros do futuro governo.

O plano, informa o jornal britânico The Guardian, prevê a criação de 23 ministérios, que seriam comandados por americanos. Cada um deles terá quatro assessores iraquianos.

Assim falou...Saddam Hussein

"A agressão que os invasores estão fazendo contra a fortaleza da fé é uma agressão contra a religião, a riqueza, a honra, a alma e a terra do islã"

Do presidente iraquiano, colocando na guerra um ingrediente fortemente religioso que estava ausente até aqui. E, com isso, o mundo ganhou uma razão a mais para se preocupar.

Está escrito

O livro Uma História da Guerra (442 pág.), de John Keegan, está nas prateleiras desde 1993. É um lançamento conjunto da Companhia das Letras e da Biblioteca do Exército. Surpreendente, o livro encara de forma polêmica, logo à saída, a famosa frase de Clausewitz, aquela definição que diz ser a guerra não mais do que a continuidade da política. Keegan lembra que a definição de Clausewitz sofreu um interesseiro reducionismo e diz, taxativamente, que "a guerra não é a continuação da política por outros meios", mas a "expressão de uma cultura".

O enfoque é original e ajuda a entender melhor do que outras histórias a cultura dos falcões do Pentágono e do unilateralismo de Bush. Uma História da Guerra prova que "os soldados não são como os outros homens" e por que só é possível entendê-los encarando-os como uma "tribo".

Revista Consultor Jurídico, 2 de abril de 2003, 9h33

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