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Terça-feira, 1º de abril.

Primeira Leitura: mercados do mundo tiveram dia de muito pessimismo.

Baixo astral no mundo

Os mercados mundo afora tiveram um dia de profundo pessimismo em relação à guerra: a duração dela, o número de americanos e britânicos mortos, a possível recessão mundial resultante de um conflito prolongado. As Bolsas na Europa registraram as maiores quedas. Nos EUA, o índice Dow Jones caiu 1,89%, e o Nasdaq, 2,08%.

Alto astral no Brasil...

No Brasil, o clima foi o oposto. A cotação do dólar voltou a cair segunda-feira e fechou em R$ 3,355 (-0,5%). O C-Bond, principal título brasileiro, continuou atraindo investidores externos.

... por enquanto

Os indicadores financeiros no Brasil não captaram, por enquanto, os problemas enfrentados pelo governo Lula na área política. Seguem, tão somente, o que o mercado vê na área econômica, que são os crescentes saldos da balança comercial brasileira e os profundos cortes de gastos promovidos pelo governo. Mas o limite de melhora desses indicadores está próximo, caso não haja boas novidades em relação às reformas.

Mais sangue

Quem se lembra da expressão "Wall Street quer sangue"? Pois enquanto não chegam as reformas, o Brasil tem mais sangue a oferecer, se necessário. Segunda-feira, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Marcos Lisboa, disse que ainda está em estudo a meta de superávit primário para o ano que vem e negou que já exista alguma definição sobre o assunto. Primeira Leitura apurou, porém, que o governo pode aumentar a meta de 2004 para 4,5% do PIB. Ou seja, haveria mais economia de dinheiro público para garantir o pagamento de juros aos credores privados.

O trator

O governo e a direção do PT preparam um rolo compressor para obrigar os partidos da base aliada a votar em bloco a favor da emenda constitucional que regulamenta o artigo 192, que trata do sistema financeiro e abre caminho para a independência do Banco Central. Segunda-feira, o presidente do PT, José Genoino, reafirmou que o partido fechou questão e não tolerará "voto contrário, abstenção ou ausência" na votação. "O PT é governo e não pode criar dificuldade para o governo", afirmou.

A resistência

A ala esquerda do PT, alheia a ameaças até de expulsão para os rebeldes, defende o adiamento da discussão da proposta por considerar que independência do Banco Central significa uma espécie de privatização branca da instituição.

O truque

São tantos os problemas com a votação do artigo 192 que o ministro da Casa Civil, José Dirceu, disse ontem que o governo estuda iniciar a tramitação da reforma tributária pelo Senado. Normalmente, um projeto começa a tramitar na Câmara para, só depois, seguir para o Senado. Mas a Câmara, em tempos de governo petista, anda muito instável...

Tucanaram o mínimo

O salário mínimo será de R$ 240 a partir desta terça para, em maio, o novo valor já constar do contracheque dos trabalhadores ativos e inativos. O reajuste, de 20%, representa a manutenção da política adotada por FHC, de conceder sempre alguma coisa acima da inflação acumulada em 12 meses - no caso, 1,85 ponto percentual.

Sindicalismo enquadrado

Na era FHC, contudo, a lentidão do crescimento real do salário mínimo era motivo de iradas manifestações da CUT. Segunda-feira, depois de encontro com Lula, cutistas diziam que o reajuste era "razoável".

Palocci, o fiscalista

O realismo na definição do salário mínimo e a frase de Lula no encontro com sindicalistas - "Não há milagre quando não há dinheiro", disse o presidente - carrega, sem nenhuma dúvida, a assinatura de Antônio Palocci, o fiscalista.

Assim falou... Igor Ivanov

"Só inspetores internacionais podem fazer uma verificação conclusiva da origem de armas"

Do chanceler da Rússia, deixando claro que cabe à ONU conferir a veracidade de eventuais (e supostos) achados das tropas anglo-americanas no Iraque. Isso porque Inglaterra e Estados Unidos têm interesse em encontrar no país invadido armas de destruição em massa que justifiquem a decisão de atacar, mesmo sem autorização internacional.

Está escrito

No livro Plano de Guerra: Iraque (Ed. Bertrand Brasil), Milan Rai, experiente o militante pacifista britânico, disseca a propaganda oficial dos governos de seu país e dos EUA para justificar uma guerra para derrubar Saddam Hussein.

Entre as dez razões para não ir à guerra, Rai demonstra que não há provas concretas de que o Iraque esteja fabricando ou tenha adquirido armas de destruição em massa e sustenta que não existem ligações entre o regime iraquiano e os atentados de 11 de setembro de 2001.

O autor também aponta as divergências entre os militares, alguns dos quais contrários à decisão de atacar, e os líderes políticos civis e o perigo de a guerra desencadear uma recessão mundial.

Revista Consultor Jurídico, 1 de abril de 2003, 10h03

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