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TV digital

Especialistas apontam caminhos para a adoção da TV digital

Os caminhos da TV digital foram discutidos ontem (26/9) por especialistas, em audiência pública promovida pela Comissão de Tecnologia Digital do Conselho de Comunicação Social, órgão ligado ao Congresso Nacional.

O Brasil terá que escolher o padrão tecnológico que substituirá todos os televisores do Brasil ao longo de cerca de 15 anos. Caso contrário, o parque industrial de receptores de TV corre sérios riscos.

Uma série de variáveis tecnológicas, políticas e estratégicas precisam ser estudadas para a definição do padrão da TV de alta definição no Brasil. Estão em jogo o padrão europeu, norte-americano, japonês e, mais recentemente apresentado, o chinês.

Escolha cuidadosa

O senador Antonio Carlos Junior (PFL-BA) considera essencial que o processo de escolha do modelo para TV digital no país seja marcado pelo debate aprofundado da questão. Ele alerta para o risco de que a definição do novo modelo, sendo feita de forma apressada, traga transtornos para os usuários.

"É fundamental que não tomemos decisões apressadas como ocorreu com o sistema Palm-M, no início da década de 70, nas televisões coloridas, quando o Brasil ficou isolado do mundo. É bom lembrar que, na compra dos primeiros vídeo-cassetes, tornava-se necessário fazer a transcodificação para que funcionassem a cores. Sofremos muito com isso e não podemos sofrer de novo", argumentou o senador.

Opiniões

Especialistas de universidades e institutos tecnológicos brasileiros admitiram que o Brasil perdeu a oportunidade para desenvolver seu próprio padrão digital e precisa agora escolher entre os quatro sistemas em desenvolvimento no mundo. Eles alertaram também para a necessidade de que a escolha seja extremamente cuidadosa, levando em conta o que já existe no país, para que não se destrua o parque industrial de receptores de tevê e computadores (software e hardware).

Participaram do debate - o primeiro de uma série que está sendo programada pela Comissão de Tecnologia Digital - especialistas como o engenheiro eletricista Marcelo Knörich Zuffo, professor da Universidade de São Paulo (USP) e Max Henrique Machado Costa, professor da Universidade de Campinas (Unicamp). A Comissão também pretende ouvir representantes dos fabricantes de modelos para TV Digital e especialistas em software.

Para o presidente do Centro de Pesquisa de Desenvolvimento em Telecomunicações, Hélio Graciosa, as pesquisas sobre todos os sistemas e quais apresentam as características mais apropriadas à geografia e ao modelo comercial do Brasil devem ser aprofundadas. "Temos que começar imediatamente um programa de desenvolvimento tecnológico nessa área. A TV digital vai necessitar de mais software do que a TV analógica. É a oportunidade para as empresas nacionais, até para as pequena e médias", ressalta.

O professor da Universidade de São Paulo, Marcelo Zuffo, defende a implantação de pólos de TV digitais para que haja adaptação dos sistemas e formação de profissionais capacitados a trabalhar com o novo modelo de televisão.

Já o integrante da Sociedade Brasileira de Computação, Guido Lemos de Souza Filho, propôs uma ação do Ministério da Ciência e Tecnologia como parte do esforço para formação de pessoal e implementação de testes comparativos.

Os participantes da reunião foram unânimes quanto ao tempo necessário para a implantação do padrão. O professor de engenharia elétrica da Unicamp, Max Henrique Machado da Costa, disse que todos os padrões estão em estágio experimental, portanto há tempo para uma análise mais aprofundada.

Objetivos

O objetivo desses encontros é subsidiar resposta à consulta feita pela Mesa do Senado, em agosto deste ano, sobre a posição do Conselho em relação à digitalização na área de comunicação do país.

No diário oficial do último dia 12, o governo federal publicou a Política para Adoção de Tecnologia Digital no Serviço de Radiodifusão de Sons e Imagens no Brasil, figurando entre suas finalidades a melhora da qualidade de imagens e áudio e a convergência dos serviços de telecomunicações.

Nesta política, prevêem-se incentivos e estímulos para os setores envolvidos em razão dos altos investimentos decorrentes da mudança de padrão analógico para o digital, prazos e condições para as concessionárias de TV realizarem a alteração e estímulo ao parque industrial nacional para que os equipamentos de transmissão e televisores digitais sejam majoritariamente fabricados no Brasil. Ressaltando que a transformação deve levar em conta o interesse do consumidor, garante-se na política que a TV digital terrestre será aberta, livre e gratuita.

Composição

O Conselho é presidido por José Paulo Cavalcanti Filho e tem como vice-presidente Jayme Sirotsky.

A Comissão é integrada por Daniel Koslovski Herz, representante dos jornalistas; Fernando Bittencourt, representante dos engenheiros; e Geraldo Pereira dos Santos, representante dos profissionais de cinema e vídeo.

Fontes: Agências Senado e Câmara.

Leia também:

Conselho de Comunicação discute no Senado a adoção da TV digital (24/9).

Revista Consultor Jurídico, 27 de setembro de 2002, 22h29

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