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Bons ventos globalizantes impulsionam advocacia no mundo

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Desde o inquisitorial Perry Mason até os poderosos assessores de O. J. Simpson e do presidente Bill Clinton, o mundo nutre verdadeiro fascínio pelos advogados americanos. Em julho de 2000, cerca de 10.000 advogados americanos se reuniram em Londres, na convenção anual da Ordem dos Advogados dos Estados Unidos.

Mas esse fascínio não decorre somente dos filmes a que assistimos no cinema, mostrando as táticas engenhosas e inteligentes empregadas pelos advogados diante dos jurados. Tem fundamento também no papel de importância que esses profissionais desempenham nos negócios dos Estados Unidos.

Em Nova Iorque eles são peças-chaves nas fusões e aquisições que tornaram a expressão "bilhões de dólares" tão comum nos últimos tempos. Em Hollywood, são eles que montam os contratos que viabilizam filmes e desmontam casamentos de celebridades. Em Washington, eles fazem lobby e levantam fortunas para as campanhas políticas e, no Vale do Silício, na Califórnia, são eles que juntam os capitalistas e os inovadores da revolução da Internet, muitas vezes mordendo um pedaço do bolo e se tornando – eles também – milionários no processo.

Na realidade, o Vale do Silício gera uma atração tão grande nos futuros advogados que muitos dos melhores e mais brilhantes dentre os 40.000 jovens que deixam as universidades americanas todos os anos têm preferido começar a trabalhar diretamente em empresas virtuais do que nos grandes escritórios de advocacia que antes eram sua meta de vida profissional. As empresas de computação oferecem de cara participação societária, viabilizando o surgimento de dezenas de novos milionários em poucos anos, bem como a pulverização de códigos de conduta e indumentária, liberando-os para trabalharem sem ternos e gravatas e em horários de sua inteira escolha, num estilo bem Microsoft de ser.

Como resposta a esse êxodo de cérebros, as grandes bancas de advocacia nos Estados Unidos anunciaram um aumento de 50% nos salários de não-sócios agora em fevereiro. Jovens advogados recém-formados já podem contar com salários em torno de US$ 160.000 por ano (US$ 13.000/mês), uma verdadeira tentação, mas tão distante da nossa realidade brasileira...

A globalização se firmou definitivamente na profissão legal. À medida que mais trabalhadores cruzam fronteiras internacionais, advogados especializados em imigração têm que atuar em diversas jurisdições; enquanto a riqueza mundial vai assumindo a forma de propriedade intelectual, os direitos a essa propriedade precisam ser protegidos em todos os países; quando cada vez mais os problemas ambientais e de saúde vão se tornando globais, advogados de empresas se vêem às voltas com problemas que se estendem de Los Angeles a Tóquio e Rio de Janeiro.

Esse é o estofo das grandes bancas internacionais de advocacia, e os ingleses agora também estão participando desta liderança, formando sociedades monstruosas. Linklaters & Alliance, por exemplo, com 2.200 advogados, acrescentou escritórios na Itália, Hungria, Romênia, Luxemburgo e Eslováquia somente nos dois últimos anos. A firma Clifford Chance se juntou com a americana Rogers & Wells e a alemã Pünder Volhard Weber & Axster – esta última a terceira maior da Alemanha – para formar uma banca com 2.700 profissionais e receita anual de mais de US$ 1 bilhão de honorários.

Firmas médias e pequenas também estão pegando carona na globalização, como a Lex Mundi, uma associação de 150 pequenos escritórios que refere clientes entre si em nível mundial. Nós, os advogados, podemos certamente nutrir otimismo no desdobramento de nossas carreiras, impulsionadas pelos bons ventos globalizantes.

Como resultado da interdependência da profissão jurídica neste início do Terceiro Milênio e da gradual pulverização das barreiras entre as profissões alimentada pelo crescimento do setor terciário (de serviços) das economias dos países, a máquina regulatória de Haia e dos demais foros com jurisdição internacional como Bruxelas e Genebra, o volume de regulamentação determinando pareceres e interpretação legais deverá aumentar substancialmente nos próximos anos.

E enquanto consumidores temerosos de riscos aprendem a jogar o jogo global com mais facilidade, pessoas e empresas perceberão que vão precisar cada vez mais de advogados para se manterem distantes de situações passivas perante as barras dos tribunais.

 é advogado especializado em Direito Autoral, Show Business e Internet, professor da Fundação Getúlio Vargas-RJ e da Escola Superior de Advocacia — ESA-OAB/RJ , consultor de Direito Autoral da ConJur, membro da Ordem dos Advogados dos Estados Unidos e da Federação Interamericana dos Advogados – Washington D.C. e do escritório Nelson Schver Advogados no Rio de Janeiro.

Revista Consultor Jurídico, 25 de setembro de 2002, 11h53

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