Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Sob suspeita

Leia a ação impetrada pelo MPF em que Serra é citado

Freqüentada pelo alto tucanato, a empresa foi fechada em 1998, depois que Ricardo Sérgio deixou o governo como pivô do escândalo em torno do processo de privatização da Telebrás.

Vítima de um grampo, o economista cunhou uma frase para a história: "Estamos no limite da irresponsabilidade."

Já o encerramento da parceria de Serra e Rioli na empresa de consultoria confirma a proximidade entre tucanos de alta plumagem.

O documento que selou o fim da empresa foi assinado dentro do escritório da Hidrobrasileira, empreiteira que pertenceu durante 20 anos a Sérgio Motta. No dia 28 de janeiro de 1995, dias depois de Serra assumir o Ministério do Planejamento no primeiro governo FHC, Rioli nomeou Dellinger Mendes, sócio de Motta na Hidrobrasileira, como seu procurador para providenciar o encerramento das atividades da consultoria.

Luiz Alberto SOUZA Aranha, outro sócio de Motta na Hidrobrasileira, assinou como testemunha.

Nesse mesmo período, Dellinger e Luiz Alberto estavam à frente de uma simulação de venda, a da própria Hidrobrasileira para a PDI, uma companhia offshore instalada em Luxemburgo, outro paraíso fiscal muito procurado por brasileiros.

Documentos obtidos por ISTOÉ mostram que antes de comprar a Hidrobrasileira a PDI - Project Development International simulou um empréstimo de US$ 4 milhões junto à Albion Inc., também com sede em Luxemburgo. O esquema usado pela Hidrobrasileira é conhecido nas cartilhas de lavagem de dinheiro. Depois de rodar de conta em conta em paraísos fiscais, o dinheiro acaba voltando ao País em operações suspeitas.

No caso da transação envolvendo a PDI e a Albion, o depósito final foi na conta da Hidrobrasileira no Banespa. As semelhanças levam o Ministério Público e a CPI a suspeitar de um grande esquema de internação de dinheiro. Ao seguir os rastros da PDI e da Albion, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a comissão ligada à Receita Federal encarregada de rastrear operações de lavagem de dinheiro, tem poderes para identificar a origem do dinheiro.

Quem é quem

Vladimir Rioli

59 anos, se mantém fiel ao ramo de trabalho que o notabilizou.

É presidente da Pluricorp Engenharia Financeira e Societária, uma consultoria especializada em montar cisões, fusões e operações entre empresas. Integrante e ex-presidente da Associação Brasileira dos Analistas do Mercado de Capitais (Abamec), Rioli é figura carimbada no mercado financeiro paulista há anos por sua habilidade em produzir transações bancárias e sua estreita ligação com a nata do PSDB paulista. Por causa de sua militância no mesmo grupo de tucanos notáveis desde os tempos da Ação Popular, o PSDB o indicou para ocupar a vice-presidência de operações do Banespa em 1991 em pleno governo Fleury, do PMDB. Não era um cargo decorativo. No banco, Rioli comandava as reuniões do comitê de crédito em que eram analisados os empréstimos mais gordos. Era o responsável por organizar a pauta e apresentar as operações aos colegas de diretoria. Conseguiu uma mudança no estatuto do banco que lhe acrescentou mais poderes. Clientes com papagaios pendurados, antes proibidos de fazer novos empréstimos, podiam ser liberados da restrição por decisão do presidente (na época, o ex-diretor do Banco Central Antônio Cláudio Sochaczewski) ou do vice-presidente de operações isoladamente (o próprio Rioli).

O Tribunal de Contas da União flagrou um negócio de 1986 arquitetado por Rioli - na época presidente da consultoria Partbank - em que a Cosipa deu descontos generosos na dívida de uma siderúrgica concordatária, a Pérsico Pizzamiglio S.A. Técnicos do TCU chegaram a dizer que a operação era um "conluio" entre credor e devedor para fazer sumir o débito, apontando um prejuízo de US$ 14 milhões à estatal. O também tucano André Franco Montoro Filho foi investigado junto com Rioli por ter apoiado a operação. Como diretor do BNDES, Montoro Filho aprovou a operação. No final, o plenário do TCU abrandou as conclusões, deixando Rioli e Montoro Filho fora, mas confirmou o prejuízo. Coincidentemente, depois de deixar a direção do Banespa, Rioli foi integrar a Comissão de Privatização do governo federal, em 1993, ao lado do amigo Montoro Filho.

Revista Consultor Jurídico, 20 de setembro de 2002, 18h04

Comentários de leitores

0 comentários

Comentários encerrados em 28/09/2002.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.