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Sob suspeita

As medidas, até então tomadas, resumem-se a apurações figurativas, realizadas pela Auditoria, tão-somente no âmbito das agências , ou de outro órgão interno, em níveis inferiores, sem qualquer preocupação com o levantamento real do prejuízo causado ao Banco e dos seus reais responsáveis. Os documentos são ocultados ao MPF e ao TCU, enquanto o tempo passa e os responsáveis tendem a ser agraciados pela prescrição.

Houve uma Inspetoria Geral Consolidada - IGC, do Banco Central, realizada no ano de 2001 ou 2000, que deveria ter detectado esta operação. Pois os perdões foram mais que significativos. No entanto, nada sobre tais operações foi encaminhado ao MPF.

O Presidente do Banco do Brasil, junto com o Sr. Bonfim, obstrui sistematicamente as investigações do MPF e também do Tribunal de Contas da União. Diante da negativa de entrega de documentos e do risco de prescrição, não resta outra providência ao MPF senão ajuizamento desta ação cautelar.

06 Indícios de favorecimento político, devido às relações existentes entre GREGÓRIO MARIN PRECIADO , RICARDO SÉRGIO DE OLIVEIRA, JOSE SERRA, VLADIMIR ANTÔNIO RIOLI e RONALDO DE SOUZA

Desde a origem dos empréstimos há uma série de fatos suspeitos. Para facilitar a exposição, os mesmos seguem em capítulos numerados, com divisão temática.

06.a As ligações entre o então Presidente do Banco do Brasil e a firma do Sr. GREGÓRIO MARIN PRECIADO .

Para iniciar a descrição desta série de fatos suspeitos, há de iniciar pelo mais antigo. Há informações de que a firma GREMAFER COMERCIO E IMPORTADORA LTDA efetuou pagamentos a ALCIR AUGUSTINHO CALLIARI, então Presidente do Banco do Brasil, em julho de 1995, usando cheques emitidos justamente pela conta da GREMAFER, conta 0455.00053 (agência RUDGE RAMOS, em São Bernardo de Campo SP, agência n. 0455, pelo cheque n. 373.078).

Este pagamento pode ter causa justa, mas é suspeito e mostra as relações entre a firma GREMAFER e altos funcionários do Banco do Brasil.

O relatório da auditoria concluída em agosto de 1995, ou na que está sendo feita, mencionaria que o então Presidente do Banco do Brasil trabalhou para o Sr. GREGÓRIO MARIN PRECIADO , na Espanha.

Estas informações somente podem ser verificadas corretamente com a concessão das liminares que são o objeto desta ação, para confirmar as informações ou invalidá-las.

Os empréstimos tiveram início de 1993, sob a gestão do então presidente Alcir Augustinho Caliari, que, segundo informações de funcionário da agência, tinha relações de amizade com o Sr. PRECIADO . Estes dados, que esta Procuradoria recebeu de forma anônima, devem ser verificados.

06.bO Sr. PRECIADO foi nomeado para o Conselho de Administração do BANESPA, de 1983 a 1987, com o apoio do Sr. SERRA.

Devem-se considerar outros fatos, citados em reportagens do jornalista Fernando Rodrigues, em 15 de maio de 2002, na Folha de São Paulo:

“Empresário foi conselheiro de banco estatal

O empresário espanhol naturalizado brasileiro GREGORIO MARIN PRECIADO tem relação com tucanos paulistas desde o início dos anos 80, pelo menos.

Em 1983, com a posse de Franco Montoro (então no PMDB, e, depois, fundador do PSDB) no governo de São Paulo, GREGORIO MARIN ganhou posição de destaque: foi nomeado membro do Conselho de Administração do Banespa, então banco estatal paulista.

Segundo a Folha apurou, a nomeação de GREGORIO MARIN foi realizada com apoio de José Serra, então secretário do Planejamento de Montoro.

O empresário é casado com Vicencia, que é prima de Serra.

Á época, Serra e o marido de sua prima mantinham em sociedade um terreno no Morumbi, bairro nobre de São Paulo”.

O Sr. GREGÓRIO MARIN integrou o Conselho de Administração do Banespa, de 1983 a 1987. No Conselho de Administração são decididos os grandes negócios de um banco. O Sr. MARIN aparece nos balancetes do BANESPA.

O Sr. SERRA foi ouvido pela Folha de São Paulo, nesta reportagem. E disse:

“Serra José Serra disse, por meio de sua assessoria, que GREGORIO MARIN "participou ativamente" da campanha de Montoro ao governo paulista, em 82. Por essa razão, como se tratava de um "empresário bem-sucedido", Montoro teria decidido indicá-lo para o conselho de uma empresa estatal. O senador apoiou a indicação”.

Serra pediu que fosse registrado que ele "não consegue perceber o interesse público" nesse assunto”.

Assim, o Sr. JOSÉ SERRA confessou os vínculos políticos com o Sr. GREGÓRIO MARIN PRECIADO , tal como confessou que, pelo menos, apoiou politicamente a indicação do contraparente, casado com sua prima e sócio num terreno, tal como praticamente sócio de fato na empresa ACP Ltda.

06.c Outras ligações políticas entre os beneficiários de atos ilícitos e os suspeitos da prática destes atos.

O MPF conseguiu obter a relação de doadores oficiais da campanha eleitoral do Sr. JOSÉ SERRA, ao Senado Federal, em 1994. Vejamos alguns dos doadores:

Doadores Em R$ Em Ufir

ACETO VIDROS: R$ 35.908,92 57.852,23 Ufir

GREMAFER: R$ 51.533,90 87.596,59 Ufir

PETROLAST LTDA R$ 2.909,04 3.691 Ufir

Ricardo Sérgio de Oliveira: R$ 5.000,00 8.055,42 Ufir

RMC S.A Soci. Corretora: R$ 14 mil 22.555,18 ufir

Planefin Cons. Assoc. S.C: R$ 50,00 80,54 Ufir

Ricci Engenharia Comércio R$ 3.999,82 7.119,65 Ufir

La Fonte Shopping Centers: R$ 45.016,68 77.482,51 Ufir

Iguatemi Emp Shopping Centers: R$ 50 mil 80.554,21 Ufir

Construtora Andrade Gutierrez: R$ 35 mil 56.387,95 Ufir

Revista Consultor Jurídico, 20 de setembro de 2002, 18h02

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