Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Sob suspeita

RICARDO SÉRGIO e charutos

A Folha entrevistou sete funcionários do Banco do Brasil que participaram formalmente das decisões a respeito da GREMAFER e da ACETO.

Em reserva, dois confirmaram inteiramente a influência de RICARDO SÉRGIO na aprovação da redução de dívidas. Dois disseram que não sabiam. E três se recusaram a falar sobre o assunto, alegando sigilo bancário.

Opróprio MARIN não esconde que RICARDO SÉRGIO teve participação na aprovação das operações de empréstimos. “Estive com ele algumas vezes nesse período”, disse o empresário ontem, usando um celular na Espanha, onde se encontra no momento.

MARIN faz a ressalva de que as operações não lhe foram favoráveis, e que RICARDO SÉRGIO esteve presente em reuniões sempre com outros funcionários do Banco do Brasil. A Folha apurou, porém, que as relações do empresário com o ex-arrecadador de fundos do tucano foi mais próxima do que isso.

Em um determinado momento, durante a negociação do empréstimo e da recomposição das Lívidas da GREMAFER, MARIN mandou de presente uma caixa de charutos para RICARDO SÉRGIO. Confrontado com essa informação, o empresário ficou em silêncio alguns segundos e disse:

Eu fumo charutos”. E a Folha: “E dai?”. Ao que o empresário concluiu: “Daí, pronto. Já estou lhe respondendo. Não vamos entrar nesse nível de detalhes”.

Em seguida ao diálogo sobre o charuto, a ligação caiu. Até o final da tarde de ontem PRECIADO não telefonou novamente para a Folha, embora o jornal tivesse insistido com seu filho, GREGÓRIO MARIN Junior, que desejava continuar a entrevista.

Diretores do BANCO DO BRASIL

O superintendente do BANCO DO BRASIL em São Paulo à época da operação com a GREMAFER e com a ACETO era Wolney Ferreira.

Ele escreveu uma correspondência contundente a respeito do episódio. arquivado em meio a centenas de papéis desse caso, a carta de Wolney dá a impressão de que seu autor se precavia contra futuros problemas, afinal apesar da influência de RICARDO SÉRGIO, eram funcionários de escalão inferior que tinham de assinar os relatórios favoráveis.

A preocupação de Wolney era com a operação aprovada em 8 de novembro pela diretoria do BANCO DO BRASIL.

Nessa data, foi aprovada uma redução de R$ 16,453 milhões na dívida das empresas de GREGÓRIO MARIN PRECIADO .

Além disso, a GREMAFER e a ACETO receberam um novo empréstimo no valor equivalente a US$ 2,8 milhões.

Ao comentar essa operação, Wolney redigiu sua carta em 27 de novembro de 95,e endereçou-a ao então presidente do BANCO DO BRASIL, Paulo César Ximenes.

Wolney, hoje aposentado e vivendo em Nova York, começava dizendo que a redução de R$ 16,453 milhões e o dinheiro novo se tratavam de “operações em curso anormal”.

Eis alguns trechos do documento:

“Essas soluções heterodoxas e atípicas e, como tais, não ajustadas às normas, têm sido invariavelmente submetidas ao Conselho Diretor, com vista ao seu exame e decisão a respeito” (...);

“Buscou-se dar total transparência sobre a situação dos capitais mutuados, abrangendo desde a sua origem até a eventual decisão de continuidade de cobrança judicial implementada para pressionar os devedores, passando, obviamente, por detalhada análise da realidade patrimonial das empresas e coobrigados e, principalmente, posição mercadológica e possibilidade de recuperação econômica dos devedores” (...);

“No caso da GREMAFER e da ACETO, foi efetuado, inclusive pela Diretoria, completo exame de todas as variáveis, tendo sido adotada opção por solução heterodoxa, compreendendo programa de desimobilização [arresto de imóveis], inclusive com concessão de crédito novo para retomada das atividades produtivas dos devedores (...)”.

Parte do BANCO DO BRASIL foi contra

Segundo a Folha apurou, em novembro de 95 havia divergência dentro do Banco do Brasil sobre se essa era a melhor opção a ser adotada. Mas a decisão final foi a de reduzir a dívida e dar mais dinheiro a GREGÓRIO MARIN PRECIADO .

Quem lê as páginas do processo da GREMAFER e da ACETO nota que tudo tramitou pelas instâncias normais do BANCO DO BRASIL. Não há nos documentos nenhuma indicação clara de pressão política.

Mas fica evidente que as duas empresas tinham situação muito delicada para serem agraciadas em 95, com redução de divida e mais dinheiro novo.

A descrição do esquema está em um documento de outubro de 95. A conclusão formal é que o BANCO DO BRASIL deveria aprovar a proposta formal de redução de dívida e oferecimento de dinheiro novo.

Apesar dessa decisão favorável, o corpo do texto de 14 páginas traz inúmeros argumentos contrários.

Por exemplo, depois que GREGÓRIO MARIN PRECIADO recebeu seu primeiro empréstimo em 93, diz o documento, “houve considerável saldo financeiro remanescente que passou a ser renovado sem nenhuma amortização”.

Revista Consultor Jurídico, 20 de setembro de 2002, 17h57

Comentários de leitores

0 comentários

Comentários encerrados em 28/09/2002.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.