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Sob suspeita

Leia a ação impetrada pelo MPF em que Serra é citado

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O MP investiga Bosco, o bancário que virou banqueiro

Mais irregularidades na gestão do cofre da Previ foram reveladas numa auditoria confidencial, entregue ao Ministério Público Federal. O documento, obtido por ÉPOCA, relaciona transações ilegais feitas por RICARDO SÉRGIO e pelo ex-diretor de investimentos da Previ João Bosco Madeiro da Costa. Um dos problemas apontados pelo relatório é a participação da Previ na compra da Tele Centro Sul, da Telemig Celular e da Tele Norte Celular.

O negócio foi celebrado em parceria com o banco Opportunity e com os canadenses da TIW. Hoje, por causa de sentenças judiciais, a Previ está impedida de tomar decisões nas empresas. Segundo os fiscais, Bosco ignorou resoluções de diretoria e autorizou a participação da Previ no consórcio. Também negociou com o Opportunity em "condições informais" e sem o conhecimento dos demais diretores. Nessas reuniões, acertou com o Opportunity, em "regime de confidencialidade", as taxas cobradas pela Previ pela administração de fundo. Bosco era funcionário de carreira no Banco do Brasil. Hoje vive como banqueiro. Mora numa mansão de 800 metros quadrados, avaliada em quase R$ 1 milhão e registrada em nome de uma empresa sediada no paraíso fiscal das Ilhas Virgens.

Estela Caparelli

06.o INDÍCIOS VEEMENTES SOBRE O ENRIQUECIMENTO DESPROPORCIONAL E ILÍCITO DO SR. RICARDO SÉRGIO

O DOC. n. 33 ampara este capítulo da narrativa.

Vejamos, como os fatos são notórios, com a transcrição da reportagem do jornalista POLICARPO JÚNIOR:

“Foi uma temporada de ouro

Em três décadas de mercado financeiro, Ricardo Sérgio nunca ganhou tanto dinheiro quanto na época em que passou pelo governo

O economista Ricardo Sérgio de Oliveira, 56 anos, é a negação viva do que se supunha ser uma certeza – a de que grandes empresários ou disputados executivos não gostam de trabalhar no governo porque, com os salários raquíticos pagos pelo serviço público, eles acabam perdendo dinheiro. Com Ricardo Sérgio de Oliveira, que ocupou a posição de diretor da área internacional do Banco do Brasil entre 1995 e 1998, aconteceu algo diferente. Antes de ingressar no governo, o economista trabalhou por dezessete anos no Crefisul, então sócio do Citibank, e, no auge de uma carreira bem-sucedida, chegou a ser vice-presidente de investimentos do Citi, em Nova York, função que ocupou durante dois anos. VEJA teve acesso às declarações de renda de Ricardo Sérgio e também às de suas duas companhias – a RMC, corretora de valores, e a Planefin, empresa de consultoria. Cruzando-se os dados, constata-se que, ao aceitar atuar no governo, Ricardo Sérgio fez um grande negócio.

Em 1995, quando assumiu a diretoria do BB, Ricardo Sérgio tinha uma trajetória de sucesso no mercado financeiro e seu patrimônio pessoal declarado era de 1,4 milhão de reais. Naquela época, o economista vivia num apartamento confortável em São Paulo e já era dono da Planefin e sócio da RMC. Ao virar funcionário público, ele se afastou dos negócios pessoais e entregou a administração de suas empresas à esposa, Elizabeth, e aos dois sócios, Henrique Molinari e José Stefanes Gringo. Em novembro de 1998, quando deixou o cargo de diretor do Banco do Brasil, enredado no escândalo da privatização das teles, Ricardo Sérgio estava mais rico. Seu patrimônio pessoal, conforme informam suas declarações de renda, pulara de 1,4 milhão de reais para 3,3 milhões de reais. Ou seja: seus bens somavam mais que o dobro de tudo aquilo que havia conseguido acumular em três décadas atuando no mercado financeiro. Nos anos seguintes, em 1999 e 2000, seu patrimônio seguiria ascendendo, até bater na casa dos 4 milhões de reais – mas isso é outra história.

O enriquecimento de Ricardo Sérgio não se deu por seu trabalho visível no governo. Como diretor do BB, ganhava pouco mais de 8.000 reais mensais. Suas empresas é que tiveram bom desempenho. A RMC, por exemplo, percorria uma trajetória discreta no mercado de ações – mas de 1997 em diante começou a dar pulos impressionantes. Nesse ano, seu faturamento foi de 4,2 milhões de reais, passou para 12,2 milhões em 1998 e atingiu 21,9 milhões em 1999. No auge, a RMC chegou a ser a sexta maior corretora do país em número de contratos negociados no ranking da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F).

A Planefin também entrou em fase áurea. Em 1996, a consultoria tinha faturamento anual de apenas 60.000 reais, o que mal dava para pagar o salário dos funcionários. Dois anos depois, a Planefin, então sob a administração da esposa de Ricardo Sérgio, se transformara numa empresa potente e vigorosa, já faturava seu primeiro milhão de reais – e começava a render e distribuir lucros a seu dono.

As declarações de renda do economista mostram que o crescimento de seu patrimônio se deveu ao recebimento de lucros e dividendos da RMC e da Planefin. O que chama a atenção é a intensidade com que os negócios de suas companhias passaram a se cruzar com os negócios públicos – especialmente com o dinheiro movimentado pelos fundos de pensão, área em que a influência de Ricardo Sérgio era notória. A RMC, por exemplo, além de explodir nas bolsas, aventurou-se no mercado imobiliário e teve muito sucesso. Em 1998, a empresa associou-se a uma construtora, a Ricci, e lançou o projeto de erguer um complexo de edifícios em São Paulo. E logo encontrou comprador: a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, que adquiriu as duas primeiras torres, ainda na planta, por 62 milhões de reais. A Previ também se interessou em comprar até os terrenos onde os prédios seriam construídos. Pagou mais 10,8 milhões.

Revista Consultor Jurídico, 20 de setembro de 2002, 10h20

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