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Sob suspeita

Leia a ação impetrada pelo MPF em que Serra é citado

PRESSÃO

Steinbruch fez chegar a FHC, e avisou aos ministros Paulo Renato e Luiz Carlos Mendonça de Barros, que era pressionado para pagar parcelas da propina um ano depois da privatização da Vale - e justamente quando estava em apuros com a Previ

Nos primeiros acertos para a privatização da Vale, apenas um grupo se apresentou para arrematar a estatal. Era formado por Antônio Ermírio de Moraes, dono da Votorantim, e Bradesco. Para criar concorrência e evitar que a gigante da mineração fosse comprada pelo valor mínimo, o governo estimulou a formação de outro grupo. A Previ, o maior fundo de pensão do país, dono de um patrimônio de R$ 37 bilhões, e o Bradesco migraram para o lado de Steinbruch na criação do Consórcio Brasil, que acabou vitorioso. Os fundos de pensão justificaram a mudança de rota dizendo que se juntaram ao grupo Vicunha por lhes ter sido negado assento no conselho gestor da empresa no consórcio adversário. "Benjamin acertou com RICARDO SÉRGIO para entrar no consórcio. E é claro que pagou por isso", disse a ÉPOCA um ex-ministro que tinha gabinete no Palácio do Planalto. Na ocasião, Antônio Ermírio procurou o governo para se queixar da operação que fez a Previ abandoná-lo dois meses antes do leilão. "A Previ e Steinbruch estavam com muita facilidade para arranjar recursos. Tinham dinheiro fácil, apesar de o empresário não ser do ramo", disse ele a ÉPOCA. "Talvez não tenhamos oferecido o que eles queriam. Mas saí limpo de tudo isso e durmo em paz no travesseiro todas as noites."

RICARDO SÉRGIO foi caixa de campanha de José SERRA nas eleições de 1990, para deputado federal, e 1994, para o Senado. Também arrecadou verbas para as campanhas de FHC em 1994 e 1998. Quando foi avisado de que seu propinoduto não desaguava nas campanhas do PSDB, Steinbruch espalhou a notícia da cobrança da propina - até mesmo para Paulo Renato, em um almoço sobre patrocínios de programas educativos - um ano depois da venda da Vale. E justamente quando estava às turras com seus sócios pelo controle da companhia. A mesma Previ que o ajudou a comprar a Vale mudou de lado quando ele entrou em um embate pelas participações de outra gigante do aço, a CSN. Steinbruch queria pressionar o governo e conseguir apoio da Previ na briga.

Na semana passada, o ex-secretário-geral da Presidência da República Eduardo Jorge Caldas Pereira disse a ÉPOCA que teve seis encontros com Steinbruch em 1998 - dois deles na sede da Vale. Numa das conversas, o empresário ofereceu ajuda financeira para a campanha de reeleição de Fernando Henrique Cardoso. Foi encaminhado para o núcleo de arrecadação de fundos da campanha. "Ele estava com problemas na administração da CSN e queria que o governo interferisse na Previ", relata Eduardo Jorge. O ex-assessor da Presidência nega que Steinbruch tenha falado sobre cobrança de propina. "Mas, se ele tivesse me relatado algo nesse sentido, eu teria respondido que não pagasse porque isso jamais foi pedido por tucanos."

Parente pendurado

RICARDO SÉRGIO ajuda primo de SERRA no BANCO DO BRASIL e a Previ

Em 1994, o empresário GREGÓRIO MARIN PRECIADO fez doações de R$ 62,2 mil para a campanha de José SERRA ao Senado. Um dos caixas de campanha do tucano, então, era RICARDO SÉRGIO. Um ano depois, quando assumiu uma diretoria do Banco do Brasil com a chancela de SERRA, GREGÓRIO MARIN conseguiu rolar uma dívida de R$ 61 milhões de duas empresas, as mesmas de onde saíram as contribuições de campanha.

Uma operação desse tipo não é incomum e beneficia empresas em bancarrota, como ocorreu com a construtora Encol. Mesmo assim, sindicalistas, ligados ao PT querem investigar melhor. Os caminhos de GREGÓRIO MARIN e RICARDO SÉRGIO se encontraram pelo menos outra vez. Em 1997, MARIN atuou como representante da multinacional Iberdrola, que levou 39% das ações na privatização da Coelba, a Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia. Quem liberou o dinheiro pela Previ - que ficou com 49% - foi RICARDO SÉRGIO. Não foram apontadas irregularidades na privatização.

MARIN é casado com uma prima de José SERRA. A única ligação conhecida entre ambos é um terreno comprado em sociedade quando SERRA voltava do exílio, em 1980, que foi vendido em 1995.

Toma lá, dá cá nas teles

Empresários dizem que uma troca de ações encobriu o pagamento de propina na Telemar THOMAS TRAUMANN

Duas coincidências ligam os leilões de privatização da Vale do Rio Doce, em 1997, e do sistema Telebrás, no ano seguinte. A primeira é a presença do então diretor do Banco do Brasil RICARDO SÉRGIO de OLIVEIRA negociando a formação de consórcios e manobrando para financiá-los com dinheiro público sacado no BNDES. A segunda é a denúncia de que esses serviços foram pagos. Até agora, a existência de propina não foi provada. Mas, na semana passada, dois empresários que acompanharam em detalhes o leilão das telefônicas confirmaram a ÉPOCA que homens de confiança de RICARDO SÉRGIO – Miguel Ethel e José Brafman – cobraram dos donos da Telemar comissão por serviços prestados no leilão. “Foi um inferno. O acordo imaginado era que o dinheiro para o pagamento da comissão ia sair da própria Telemar, mas o BNDES entrou na empresa com poder de veto e fiscalizava cada centavo. Então, de um lado a torneira da Telemar estava seca. De outro, RICARDO SÉRGIO pressionava”, disse um executivo que na ocasião tinha acesso às reuniões da nova diretoria da Telemar.

Revista Consultor Jurídico, 20 de setembro de 2002, 10h20

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