Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Quinta-feira, 19 de setembro.

Primeira Leitura: sentimento do eleitor foi plasmado por malanismo.

Chegou a conta

Primeira Leitura teve acesso a pesquisas qualitativas feitas pelo instituto Síntese, Pesquisa e Análise, com eleitores de todo o país. Descobriu que o que há por trás dos resultados das pesquisas de intenção de voto é uma mudança da postura do eleitor em relação ao que espera de seu país.

O sentimento do eleitor foi plasmado por anos de malanismo, em que a política de preços da Petrobras – uma estatal – coloca os interesses dos 400 mil acionistas da empresa acima dos de 170 milhões de brasileiros.

Resumo do malanismo

As pesquisas qualitativas mostram que o presidente Fernando Henrique Cardoso “plugou” o Brasil ao mundo, mas não melhorou a “vida das pessoas” porque não se voltou para os “problemas internos”. Ao dar prioridade às questões externas, ainda assim, não conseguiu tirar o país “do fio da navalha”.

Caldeirão

O petista Luiz Inácio Lula da Silva estaria, segundo esses levantamentos, habilitado para acrescentar à receita algum “patriotismo” e “nacionalismo” – porque o Brasil é “grande” e “rico” e só precisaria cuidar melhor de si mesmo.

Conto de fadas

Lula é visto ainda como "amigo", "persistente", alguém que superou o discurso do "não", que melhorou o português, mas não esqueceu a "língua do povo", que mudou pessoalmente, mas sem abrir mão de "mudar o país". "De sapo virou príncipe", disse um eleitor.

Velhos fantasmas

Quase todos os participantes dessas pesquisas qualitativas falam em esperança. Entre as fragilidades de Lula, estão o temor de que o antigo "radicalismo" do PT ganhe força, que o Brasil se torne uma praça de "greves" e que sua "inexperiência" ponha o país em apuros.

Calcanhar-de-aquiles

O discurso de Lula sobre o comportamento da Petrobras – essa empresa-símbolo do malanismo – de optar por encomendar plataformas fora do Brasil, pegou. Um eleitor diz o seguinte: ele "pensa no Brasil industrializar seus produtos".

Continuidade...

Já o tucano José Serra é visto como a continuidade de FHC, que não é avaliado como um governo "ótimo", mas, a despeito disso, dotado de "ótimos valores".

Entre esses valores se contam a "adaptação do Brasil à realidade mundial" e a segurança econômica "nos momentos de turbulência externa".

...sem continuísmo

Em resumo, Serra, como continuidade, não empolga, mas, num cenário externo adverso, não traria riscos adicionais. O instituto Síntese resume assim: boa parte dos votos em Serra é acompanhado de um sentimento "morno e sem entusiasmo, mas convicto".

Os outros

Ciro Gomes, da Frente Trabalhista, aparece nas pesquisas como alguém que errou nas atitudes, mas que tem coragem – "o Collor do bem". Anthony Garotinho (PSB) é valorizado pela experiência administrativa, religiosidade e amor à família, mas é tido por "oportunista". De todo modo, representa o lado "leve" da campanha.

Assim falou...Donald Rumsfeld

“Que coisa maravilhosa é a liberdade de expressão.”

Do secretário de Defesa dos EUA, depois que manifestantes pacifistas interromperam seu depoimento no Congresso americano, em que defendia uma ação militar contra o Iraque.

Estava escrito

Em 22 de janeiro deste ano, o site Primeira Leitura publicou o texto “O Estado miserável”, em que se descrevia as mazelas sociais provocadas pela política econômica do governo. O resumo a seguir ajuda a explicar o cenário encontrado pelas pesquisas qualitativas: “O malanismo não queria o Estado mínimo? Neoliberal? Moderníssimo? Pois aí está. (...) Dessa aventura (...) surgiu um Estado miserável, desorganizado, incapaz de responder às demandas da sociedade”.

(...) Alguém paga a conta dessa aventura anteriormente recomendada pelo Consenso de Washington, do qual o ministro Pedro Malan é um dos aprendizes aplicados. E essa conta aparece no aumento do desemprego em um ano perdido. Um país como o Brasil, afinal, com a concentração de renda que exibe, não pode se dar ao luxo de não crescer.

Mas se dá. (...) A diferença entre o malanismo e o que precisa ser feito é que o primeiro considera que a reorganização do Estado se resume a privatizar e a fabricar superávits. Não é só. O Estado precisa existir para atender aos que jamais foram atendidos: o povo”.

Revista Consultor Jurídico, 19 de setembro de 2002, 9h31

Comentários de leitores

0 comentários

Comentários encerrados em 27/09/2002.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.