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Show de baixarias

Eleições presidenciáveis são marcadas por baixarias e ofensas

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Lula diz que Serra é chorão. Serra diz que Ciro é mentiroso. Ciro diz que Serra é covarde. Já Garotinho, por sua vez, xinga a tudo e a todos. Esse é o atual cenário da corrida sucessória que irá decidir quem será eleito o próximo presidente do Brasil.

Uma verdadeira baixaria, onde uma multidão de ofensas e impropérios tomaram o lugar das propostas nos discursos dos candidatos. Norteados por pesquisas e teleguiados por marqueteiros, é até compreensível um candidato atacar o seu oponente, no afã de minar-lhe as forças e arrancar-lhe uns votos. Porém, na eleição atual está proliferando o discurso colérico, anti-ético e preconceituoso.

Um dos mais lamentáveis exemplos, foi a declaração do candidato do PPS à Presidência, Ciro Gomes, que disse que o principal papel de sua companheira, a atriz Patrícia Pillar, é "dormir" com ele. Já Paulinho Pereira, o vice de Ciro, no dia 6 de setembro, referiu-se à ministra-chefe da Controladoria Geral da União, Anadyr de Mendonça, como "mulher mal-amada" (antes, tinha dito que Serra "estava pedindo para apanhar").

As declarações dos candidatos da Frente Trabalhista foram consideradas sexistas e ofensivas por representantes de movimentos feministas e estudiosas dos direitos da mulher.

Porém, a forma mais vil e deplorável de baixaria é o preconceito intelectual, que, infelizmente, imputam ao candidato petista Luís Inácio Lula da Silva. Toda vez que é divulgada uma pesquisa onde mostram o crescimento de Lula, sempre aparece alguém para advertir que Lula não é preparado, haja vista que não tem nem diploma universitário.

Ora, primeiramente, devemos lembrar que Abraham Lincoln, o mais virtuoso dos presidentes norte-americanos, também não tinha diploma: era um lenhador. Nelson Mandela ganhou o respeito mundial após acabar com o apartheid na África do Sul.

Em segundo lugar, o candidato a vice de Lula é o senador José de Alencar (PL – MG), dono da Coteminas, da Artex, da Santista e de outras dezenas de empresas que empregam diretamente 16.500 pessoas. Alencar também veio de origem bem pobre, conseguiu erguer um império e hoje é dono de um patrimônio de R$ 1 bilhão, mas nunca ouvi ninguém sequer "mencionar" que ele também não tem um diploma.

Para finalizar, Lula não tem culpa por não ter diploma. Ele nasceu numa família pobre em Garanhuns, veio como imigrante para São Bernardo, arrumou emprego, trabalhou, se esforçou e se tornou o maior líder trabalhista de toda a América Latina.

Se existe alguém culpado por Lula não ter diploma somos nós, que ao longo das décadas permitimos a criação de uma sociedade oligarca e repleta de desigualdades sociais. Numa sociedade mais justa, todos teriam acesso à educação gratuita e de qualidade. Em qualquer país do mundo, Lula seria reverenciado devido à sua biografia intocável e coerente conduta.

Vou mais adiante: por sua pré-disposição para o diálogo franco, poderia até ser citado como merecedor de um prêmio Nobel da Paz, por sua veia pacifista. Esses foram apenas alguns exemplos do farto arsenal de ataques que domina a sucessão presidencial. Com certeza, infelizmente irão se repetir, alternando apenas o nome do ofensor. Espero, como eleitor, que o nível das eleições melhorem. Afinal, os cidadãos brasileiros não merecem ver e ouvir esse show de horrores que se transformou esse pleito eleitoral.

 é advogado especialista em Direito do Consumidor e jornalista

Revista Consultor Jurídico, 19 de setembro de 2002, 12h15

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