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Sexta-feira, 13 de setembro.

Primeira Leitura: IBGE mostra os dois Brasis de Fernando Henrique.

Os dois Brasis de FHC

O IBGE forneceu quinta-feira um retrato dos anos FHC que explica a falência de discursos totalmente pessimistas nesta campanha eleitoral — armadilha na qual Ciro Gomes (Frente Trabalhista) e Anthony Garotinho (PSB) caíram — e a ineficiência de uma proposta de pura continuidade. Em sua Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), o instituto mostra claramente os dois Brasis de FHC.

Tem cura

O primeiro é mais bem compreendido pelas campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e José Serra (PSDB): um país que tem muitos problemas, mas também tem cura, e vê o analfabetismo cair à metade, de 8,3% para 4,2% entre crianças de 10 a 14 anos, entre 1995 e 2001.

Ou que registrou um aumento espantoso do consumo de telefones, microcomputadores e eletrodomésticos.

No caos

O segundo Brasil, aquele explorado por Ciro e Garotinho, parece estar mergulhando no caos, exibe média anual de crescimento do emprego de apenas 1,4% de 1999 a 2001, taxa inferior ao crescimento da população com mais de 10 anos, que foi de 1,7%.

A criação de número insuficiente de postos foi constante na década e fez com que a população desempregada crescesse de 4,4 milhões de pessoas em 1993 para 7,8 milhões em 2001.

Preço

Os brasileiros — mesmo os empregados — pagaram caro pelo descompasso entre a oferta de trabalho e o crescimento da população, já que viram seu rendimento médio encolher 10,3% em cinco anos.

Eu uso, tu não usas

O presidente Fernando Henrique Cardoso usou os dados para se defender. Disse que é mentira que seu governo tenha produzido 10 ou 12 milhões de desempregados, como dizem os alguns candidatos, já que a pesquisa mostra que o aumento foi de 3,4 milhões. Mas criticou o uso dos dados — pelos outros.

8 ou 10?

O emprego virou, quinta-feira, tema central da campanha presidencial. O site de José Serra (PSDB-PMDB) cobra, em manchete, a promessa do petista Luiz Inácio Lula da Silva (PT): "Cadê a proposta de criar 10 milhões de empregos, que, pela pouca consistência, Lula tenta agora negar?"

No horário eleitoral do tucano, foi usado um jingle com o mote "oito ou dez", referência a propostas de Serra, de 8 milhões de vagas, e a do petista.

Comigo, não

Lula voltou a dizer que tem afirmado ser preciso gerar 10 milhões de empregos, mas que não se comprometeu em criá-los. "Ele [Serra] é que deveria olhar para o que eles fizeram em oito anos, para os postos de trabalho que eles fecharam. Se um candidato começa a ler o programa do outro para fazer críticas é porque ele não tem programa."

Ah, bom

O presidente do PT, José Dirceu, disse que, para gerar empregos, é preciso que o país cresça. "Há uma agenda em comum hoje na sociedade, que pode construir um novo acordo, um novo pacto, que é a necessidade de retomar o crescimento”.

Sexta, 13

O PT aproveitará que esta sexta-feira é dia 13 — número do partido — e fará um dia nacional de mobilização da militância para ir às ruas pedir votos para os candidatos do partido, principalmente para o presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva.

O presidente da legenda, José Dirceu, disse em entrevista online, nesta quinta-feira, que é necessário "evitar o clima de já ganhou", mas afirmou que existe um "movimento muito forte da sociedade" pela vitória de Lula.

Nada a declarar

Enquanto isso, Ciro Gomes decidiu não mais responder a perguntas sobre a crise deflagrada na Frente Trabalhista pela sua queda nas pesquisas.

Assim falou...José Serra

“Mais útil do que renunciar à paternidade da idéia é a gente debater como ele [Lula] pretende criar 10 milhões de empregos, e como nós pretendemos gerar 8 milhões”

Do presidenciável do PSDB, criticando a postura do petista Luiz Inácio Lula da Silva, que voltou atrás e disse não ter prometido 10 milhões de empregos, apenas informado que o país precisa disso.

Tudo é história

Não fosse o ano eleitoral, o centenário de Juscelino Kubitschek seria apenas um desfiar de solenidades obrigatórias. Uma exposição aqui, um concerto e uma seresta ali, algumas boas pesquisas de cientistas políticos e historiadores transformadas em livros, artigos saudosistas ou críticos na mídia.

Os mineiros e Brasília dariam ao assunto a atenção devida, e o resto do Brasil passaria por JK em tópicos e pílulas. As circunstâncias da disputa pelo Planalto, porém, fizeram mais do que comemorar o centenário. JK foi ressuscitado e cada um dos candidatos — à sua maneira — carregou uma parte do legado do ex-presidente para o palanque da campanha.

Revista Consultor Jurídico, 13 de setembro de 2002, 10h07

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