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Quinta-feira, 12 de setembro.

Primeira Leitura: audácia de Beira-Mar mostra falência do Estado.

A falência do Estado

A rebelião de quarta-feira no presídio fluminense de Bangu 1, comandada pelo traficante Fernandinho Beira-Mar, é a mais perfeita tradução da falência do Estado brasileiro. Beira-Mar, aos 36 anos, está entre os grandes líderes do narcotráfico na América Latina. De dentro da penitenciária, classificada como "de segurança máxima", comanda o tráfico no Rio.

Os criminosos, ligados ao Comando Vermelho, mataram seis detentos, dos grupos inimigos Terceiro Comando e Amigo dos Amigos, com os quais disputam o controle do narcotráfico e do comércio de armas ilegal. Beira-Mar teria mandado um recado às autoridades: só iria sair da galeria B, onde reféns estavam amarrados a botijões de gás, quando terminasse o serviço. É demais.

Poder paralelo

O poder do crime organizado no Rio assumiu proporções alarmantes durante o governo do agora presidenciável Anthony Garotinho (PSB) e viu rompido uma espécie de pacto de convivência com a Polícia tão logo Benedita da Silva assumiu. Ainda que ela tenha herdado uma situação calamitosa, o que é fato, o quadro não fez senão se agravar.

Imobilidade

Nem o governo do Rio nem o governo federal parecem se dar conta da gravidade do problema. Nunca passou de uma ficção o Plano Nacional de Segurança — lançado por FHC como resposta a um seqüestro num ônibus no Rio, que terminou com a morte da refém e do bandido.

Bazófia

O Rio de Janeiro pegando fogo, e Anthony Garotinho se vangloriando. Ontem, ao comentar a rebelião em Bangu 1, disse que, à sua época, “a violência e o crime estavam controlados”. Bazófia pura.

Que o digam os parentes da diretora do presídio, Sidneya Santos de Jesus, assassinada em 2000.

Sonho meu

Garotinho disse ontem que pesquisas realizadas por seu partido, levando em conta o percentual de brasileiros evangélicos, indicam que ele está no segundo turno das eleições. "A curva da minha candidatura é ascendente", disse, sem revelar números.

Vem prá briga!

O presidenciável do PSDB, José Serra, tem se esforçado para atrair o petista Luiz Inácio Lula da Silva para o debate. Ontem, numa referência à determinação do petista de evitar confrontos, o site do tucano perguntava: “A que governo levará a tática do paz e amor”?

Xô, baixo astral

A campanha de Ciro Gomes (Frente Trabalhista) também tem insistido em sua estratégia. No caso, atacar Serra de todas as maneiras. Ontem, seu site trazia um jingle contra o tucano. “Xô, garoto baixo astral/ sem cabelo e sem bigode/ parece um bicho mau”, diz um trecho da letra cantada como em ritmo de Bossa Nova.

Chute e poesia

Na terça-feira, o deputado João Herrmann (PPS-SP), coordenador da campanha de Ciro, denunciava um grande complô contra as eleições e citava como epígrafe um poema, que atribuía ao poeta russo Maiakóvski. Além de ver o que não existe, errava a autoria. O poema, chamado No Caminho com Maiakóvisk, é do brasileiro Eduardo Alves da Costa.

Rigor científico

Durante a sabatina a que se submeteu no jornal O Globo, também na terça, Ciro citou o mesmo poema e cometeu o mesmo erro. É claro que errar a autoria de um texto beira a irrelevância.

Ocorre que Ciro e sua turma têm com os números o mesmo rigor que têm com a literatura.

Pseudo

O memorável jornalista Paulo Francis costumava chamar de “pseudo” aquele certo tipo de gente que parece culta e bem informada, mas que na verdade é apressada, pretensiosa e apenas medianamente informada, medianamente competente, medianamente capaz, medianamente "por dentro".

Assim falaram...presos de Bangu 1

“Caíram duas torres”.

Dos detentos aliados de Fernandinho Beira-Mar, segundo agentes penitenciários, ao anunciar a morte de dois líderes traficantes adversários e fazendo referência ao World Trade Center, destruído nos atentados do 11 de Setembro.

Tudo é história

Depois da bolha tecnológica no final dos anos 90, quando empresas como Pet.com, que vendiam artigos para animais de estimação pela internet, valiam muitos milhões, os EUA podem estar a caminho de mais uma bolha, dessa vez no setor imobiliário.

Ainda não há consenso sobre se a valorização dos imóveis trata-se de mais um delírio coletivo ou se é um movimento sólido. O setor tem se mantido em alta mesmo com as dificuldades do resto da economia. Mas alguns observadores já estão preocupados. Só para lembrar: o Japão está há uma década estagnado justamente por ter experimentado um bolha imobiliária nos anos 80.

Revista Consultor Jurídico, 12 de setembro de 2002, 9h27

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