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Quinta-feira, 31 de outubro.

Primeira Leitura: PT cuidadoso confunde o mercado financeiro.

PT confunde mercado

O mercado esperava, nesse período de transição política, brigar com um PT que acabou não aparecendo para o duelo. Em lugar do partido com bandeiras sociais, surgiu outro que, cuidadoso, pôs o apoio às reformas tributária e da Previdência como pré-requisito para atender demandas políticas.

José Dirceu, presidente do PT, disse quarta-feira, por exemplo, que a renegociação das dívidas dos Estados, reivindicada por vários governadores, só é possível depois da aprovação dessas reformas.

Calma lá

O mesmo aconteceria em relação à recuperação do salário mínimo e da redução das alíquotas do imposto de renda. Segundo Dirceu, o Brasil precisa de uma "transição", que ele mesmo traduz como uma fase de reformas.

Será que dá?

O líder do PT na Câmara, João Paulo Cunha (SP), já avisou. Para contemplar o acordo com o FMI, não dá ainda para saber se será possível aumentar o mínimo acima dos R$ 211 e abrir mão da alíquota de 27,5% do Imposto de Renda.

Reação

O mercado corrigiu fortemente suas posições nesta quarta. A cotação do dólar caiu 2,61%, para R$ 3,72, depois que o BC conseguiu rolar integralmente US$ 2 bilhões em títulos cambiais que venceriam na sexta-feira.

Às massas

O presidente eleito, Luís Inácio Lula da Silva, indicou como vai ser sua relação com a população. Lula tentará manter parte de seus eleitores em permanente mobilização. Segundo ele, o "povo tem ficado de fora" depois das eleições e que, em seu governo, será diferente.

Dom e Ravel

Lula já tem o seu Dom e Ravel, dupla que cantava sucessos como Eu te amo, meu Brasil no período Médici. Trata-se de Zezé di Camargo e Luciano. No lugar do ufanismo ilusório, o populismo lacrimoso de músicas como Meu País.

À espera

O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), disse que aguarda um convite de Lula para discutir a participação do partido na base parlamentar de apoio ao novo governo.

Oposição tucana

O presidente Fernando Henrique Cardoso recomendou a seu partido que não faça oposição sistemática ao novo governo. "O PSDB não pode fazer com o PT o que o PT fez comigo. Nas duas eleições, mal acabava a eleição, dizia 'Fora FHC'."

Pauladas à vista

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central previu reajuste de cerca de 9% no preço da gasolina ainda neste ano e outros 9% em 2003. O gás de cozinha deve subir 16,6% até dezembro, e as tarifas de energia, 3,8% até o fim do ano.

Inflação

O IGP-M de outubro registrou inflação de 3,87%, a maior taxa desde agosto de 1994. No ano, o índice já acumula alta de 14,82% e, nos últimos 12 meses, de 16,34%. O IGP-M, medido pela Fundação Getúlio Vargas, tem 60% de seu resultado baseado nos preços no atacado.

Assim falou...Luís Inácio Lula da Silva

"Quero provar que pode ser diferente e vou provar"

Do presidente eleito ao dizer que "o povo tem ficado de fora" dos governos no Brasil e que, em sua administração, será diferente.

Assim falou...Fernando Henrique Cardoso

"As reformas não se fazem porque não se queira, mas porque há interesses conflitivos".

Do presidente ao lembrar ao PT que não fez as reformas que, agora, o partido pretende fazer porque encontrou resistências, inclusive dos petistas.

Ironias da história

Enquanto estava na oposição, o PT se opôs sistematicamente às reformas propostas por Fernando Henrique Cardoso, as mesmas que agora pretende aprovar. A ironia vai além. Os argumentos que FHC usava para justificar a necessidade de mudar o sistema tributário e a Previdência Social são exatamente os mesmos adotados agora pelos petistas.

"O país precisa de uma transição e ela passa por uma reforma tributária e previdenciária que pode garantir recursos pra investimentos em programas [sociais] mais amplos. Não podemos, neste momento, ter perdas de receita", disse ontem José Dirceu, presidente do PT, em entrevista na TV Globo. Não fosse o forte sotaque do dirigente petista, alguém mais desatento poderia pensar que era FHC falando.

Revista Consultor Jurídico, 30 de outubro de 2002, 19h26

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