Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Terça-feira, 29 de outubro.

Primeira Leitura: ajuste fiscal será prioridade de Lula em 2003.

Baixando expectativas

O primeiro pronunciamento do presidente eleito Luís Inácio Lula da Silva deu o tom do que será seu governo no ano de 2003 - muito duro, no qual o ajuste fiscal e as contas externas serão prioridades. “Essa é a razão para dizer com clareza a todos os brasileiros: a dura travessia que o Brasil estará enfrentando exigirá austeridade no uso do dinheiro público e combate implacável à corrupção”, afirmou.

Assistencialismo em alta

Consciente de que não será possível, por meses e meses, fazer a economia crescer, reduzir o desemprego e recuperar a renda, Lula se comprometeu com um programa assistencialista para abrandar as demandas sociais.

“Meu primeiro ano de mandato terá o selo do combate à fome. Um apelo à solidariedade para com os brasileiros que não têm o que comer”.

Nova secretaria

O presidente eleito anunciou a criação de uma Secretaria de Emergência Social, com verbas e poderes para iniciar o combate ao flagelo da fome. “Se, ao final do meu mandato, cada brasileiro puder se alimentar três vezes ao dia, terei realizado a missão de minha vida”.

O PT refém

Retórica à parte, o fato é que o Brasil depende de crédito para fechar suas contas. E dar crédito é sempre uma decisão que cabe aos credores. São eles que estão dando as cartas.

Duplo desafio

O governo do PT tem, portanto, um duplo desafio: administrar a crise financeira gravíssima que aí está e, paralelamente, construir um novo modelo macroeconômico voltado para o crescimento. Para tanto, será preciso ter diagnóstico e estratégia adequados. O que, até o momento, o PT não apresentou, infelizmente.

Diagnóstico

Um diagnóstico adequado mostraria que não há otimismo no mercado financeiro, como comemoram parte da mídia e as lideranças petistas.

Segunda-feira, por exemplo, investidores mostravam que ainda estão com o dedo no gatilho. O dólar subiu um pouco, a taxa de risco, mais um pouco...

Assim falou...Luís Inácio Lula da Silva

“O povo brasileiro sabe que aquilo que se desfez ou se deixou de fazer na última década não pode ser resolvido num passe de mágica... Não há solução milagrosa para tamanha dívida social, agravada no último período”.

Do presidente eleito, no seu primeiro pronunciamento oficial à nação, jogando água fria nas imensas expectativas da população, boa parte delas plantada por sua própria campanha eleitoral.

Tudo é história

Fernando Henrique Cardoso e Pedro Malan tinham uma estratégia de crescimento. Ela naufragou. A estratégia do fernando-malanismo era tornar o Brasil atraente para o capital estrangeiro. Dada a escassez de poupança interna, caberia à poupança externa ser o fator de dinamismo. O arranjo econômico que se fez a partir dessa aposta condenou o país a um eterno stop-and-go. E, nos últimos anos, a um quase stop, sem go. Foram 20 meses consecutivos de queda da renda e, na região metropolitana de São Paulo, o desemprego é o recorde dos últimos 20 anos.

O país aprendeu, duramente, que não basta ser atraente, já que o fluxo de capital para o Brasil não é governado exclusivamente pelas condições econômicas do país. O Brasil do fernando-malanismo, se é melhor do que o anterior, não é, por isso, decididamente atraente. É ainda o quinto país mais arriscado entre os emergentes, a despeito da queda da sua taxa de risco nos últimos dias.

A principal medida da eficiência do ajuste fiscal explica a classificação: a relação dívida/PIB está na casa dos 60%. É um Brasil que não é capaz, por exemplo, de gerar a energia necessária para suportar o crescimento sustentado. E os investimentos não foram feitos porque o fernando-malanismo governou de olho no caixa. Foi um governo que tratou a segunda geração de reformas (previdenciária, tributária, microeconômica, entre outras) com desconfiança.

Não fez a reforma tributária porque temia perder a arrecadação que lhe garantia o cumprimento das metas fiscais acordadas com o FMI. Esse é o Brasil que FHC deixa. O PT pode mudá-lo. Pode fazer reformas, por exemplo. Mas reformas levam tempo para gerar frutos. Tempo, em economia, exige credibilidade. E credibilidade o PT não tem. Terá apenas enquanto fizer o que o FMI e o mercado desejam.

Revista Consultor Jurídico, 29 de outubro de 2002, 10h30

Comentários de leitores

0 comentários

Comentários encerrados em 06/11/2002.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.