Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Lula presidente

Polícia Federal deve passar por diversas mudanças no governo Lula

A Polícia Federal deve passar por gigantescas transformações no governo de Luis Inácio Lula da Silva. Quem garante é Francisco Carlos Garisto, presidente da Fenapef, a Federação Nacional dos Policiais Federais, entidade de classe que congrega mais de 12 mil delegados e agentes federais em todo o Brasil.

Além de ser um dos poucos federais que privam da intimidade da alta cúpula do PT, Garisto é a pessoa mais consultada pelo deputado José Dirceu sobre questões jurídico-criminais. Tamanha é essa aproximação que, em sua manchete de segunda-feira, o site da Fenapej (www.fenapef.org.br) afirma: "Vitória do Brasil. Vitória do Povo.Vitória da Fenapef.Lula é eleito presidente."

Tal aproximação se deu há quase dez anos, quando Garisto, a partir de São Paulo, comandou a primeira greve na história da PF -seguida de um plebiscito em que a maioria dos agentes votou pela saída de Romeu Tuma da direção da PF. "De fato, a greve nos aproximou do sindicalismo. E hoje somos uma federação nacional", disse Garisto em entrevista ao site Consultor Jurídico.

Garisto adianta que, nas conversas que manteve com Dirceu nos últimos tempos, a tônica era o uso político da PF no governo FHC -como, refere, o caso da escuta telefônica promovida por federais na empresa Lunus, de Jorge Murad e Roseana Sarney (que levou a PF a apreender, no começo do ano, RS$ 1,23 milhão na empresa, no Maranhão). As pautas conversadas também giravam em torno do delegado Marcelo Itagiba, superintendente da PF no Rio, amigo de José Serra e o futuro diretor da PF caso o tucano levasse o pleito.

Mas as conversas "técnicas" são as que motivarão as mudanças na Polícia Federal. Sobretudo brecar a idéia de FHC de se criar uma PF fardada e de nível médio. "Isso seria um desastre, a PF é historicamente composta de agentes de nível superior", diz Garisto.

Garisto relata que em São Paulo e no Rio de Janeiro, por exemplo, cada delegado federal está com mil inquéritos para serem apurados por mês. Como cada inquérito exige pelo menos 10 depoimentos, cada delegado teria mensalmente dez mil pessoas, no mínimo, para serem ouvidas.

Se se levar em conta que cada depoimento leva no mínimo uma hora, chega-se então aos porquês dos números assustadores levantados por Garisto: cerca de 60% dos inquéritos abertos pela PF prescrevem, sobretudo os de lavagem de dinheiro, porque não há efetivo suficiente para tocar as investigações.

Para Garisto, há que se analisar os casos dos inquéritos de lavagem de dinheiro, que exigem a presença da perícia. Há na Policia Federal hoje 220 peritos, cada um com 4 mil inquéritos a serem apurados. A demanda necessária seria a contratação de pelo menos mais dois mil peritos federais.

"Nossos delegados federais também deveriam ser treinados à capacitação internacional para entenderem as complexas maquinações das novas técnicas de lavagem de dinheiro. Mas infelizmente nosso governo entende a questão erroneamente: anunciou pela medida provisória 51 a contratação de 6 mil policiais federais fardados, de nível médio. O que precisamos é de capacitação de nível superior para lidar com criminosos que encontraram experts em informática nas portas nas melhores universidades do mundo".

Garisto conta que "sabemos que há dois anos a Policia Rodoviária Federal instituiu concurso que levou à seleção de novos 2 mil policiais. Que até hoje não estão trabalhando porque não há verba para a contratação dos aprovados".

"Por que não aproveitar esse efetivo de dois mil homens já concursados, para que reforcem as fronteiras e estradas contra os crimes de lavagem física de dinheiro aqui relatados?" questiona Garisto.

Revista Consultor Jurídico, 29 de outubro de 2002, 10h15

Comentários de leitores

0 comentários

Comentários encerrados em 06/11/2002.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.