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Puxão de orelha

Ministro critica jornalistas e ensina como fazer boas reportagens

“O repórter, antigamente, não se limitava a descrever o fato, mas, depois de investigá-lo, contava uma história. Hoje, contenta-se em fazer a descrição pura e simples de eventos, com aspas nas bocas de alguns personagens”. A crítica foi feita pelo ministro Edson Vidigal, vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça, que no início de sua carreira atuou como jornalista no Maranhão, seu estado natal.

Vidigal preside, no dia 8 de novembro, uma mesa de debates no Seminário Internacional “Imprensa Investigativa – sensacionalismo e criminalidade”, promovido pelo Centro de Estudos Judiciários do Conselho da Justiça Federal. O evento tem apoio do STJ e será nos dias 7 e 8 de novembro, das 8h às 17h, no auditório da Corte. As inscrições para o Seminário são gratuitas e terminam sexta-feira (25/10). Os interessados podem fazer as inscrições pelo endereço www.cjf.gov.br.

Ele lembrou que a palavra repórter designava, em sua origem inglesa, o investigador. “A reportagem, em sua origem era, por natureza, investigativa”. Na opinião dele, a reportagem investigativa é aquela que trabalha uma pauta comprometida com respostas claras e objetivas, e não necessariamente uma denúncia explosiva ou um fato sensacionalista.

“É preciso tirar os jornalistas das redações, mandando-os às ruas, às fontes, onde todos já se esqueceram de ir em busca de histórias interessantes”, comenta.

Como exemplo de repórter investigativo, ele cita o norte-americano Bob Woodward, autor das obras “Por detrás da Suprema Corte”, “A Agenda” e ‘Por dentro da Casa Branca, de Bill Clinton”. Woodward, juntamente com Carl Bernstein, no jornal Washington Post, protagonizaram o famoso caso Watergate, cujo resultado foi a queda do presidente Nixon. “Vale a pena ler o que eles escreveram. Você até pensa que é ficção, mas não é, é puro jornalismo investigativo,” aconselha.

O seminário tem por objetivo estudar e discutir o papel da imprensa na era da globalização, com ênfase no sensacionalismo e na criminalidade. A abertura do evento será feita pelo presidente do STJ e CJF, ministro Nilson Naves e a conferência inaugural será proferida pelo presidente Emérito da Corte Constitucional Italiana e diretor da Radiotelevisiva Italiana (RAI), Antonio Baldassarre.

Revista Consultor Jurídico, 24 de outubro de 2002, 11h39

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