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Boi Gordo

Prezado Editor da Conjur – Consultor Jurídico

Com certa apreensão temos acompanhado algumas matérias publicadas há algumas semanas em seu conceituado site (www.conjur.com.br), dando conta de informações e depoimentos feitos sobre a fatídica concordata da FRBGSA.

Somos exclusivamente credores lesados pela FRBGSA, legalmente constituídos em uma sociedade anônima, prestes a receber da CVM - Comissão de Valores Mobiliários, o registro de companhia de capital aberto, com respectivas ações negociadas em bolsa de valores. Isso será um fato inédito na história brasileira de mercado de capitais. (1)

Após o atual momento de adequações formais junto a CVM – Comissão de Valores Mobiliários, a grande maioria dos credores já manifestou adesão ao nosso projeto, e farão parte desta maioria que quer RECONSTRUIR do que terminar de DESTRUIR.

Acreditamos que defender a falência da FRBGSA significa DESTRUIR o restante de ativos da empresa. A falência significa uma longa espera e a dilapidação do patrimônio remanescente que agora pertence aos credores. Não podemos depender exclusivamente dos rituais jurídicos para esta, que é considerada a maior concordada do judiciário brasileiro dos últimos 50 anos!

Com isso, pelo paradoxo de não querer a falência da FRBGSA – nossa devedora - não significa dizer que culpados, se houverem, não sejam exemplarmente punidos ou, pior, que alguns “grupos xiitas” tentem criar a cortina de fumaça de que “protegemos a devedora”. Não é isso.

Ajudar a “quebrar” nossa devedora é o mesmo que definitivamente sepultar qualquer esperança de um dia, reavermos pelo menos parte, do que investimos.

O que precisa ser esclarecido são os resultados práticos que atitudes inócuas promovidas por advogados, meros desconhecedores da realidade do mercado, favoreçam e em muito a FRBGSA, na sua tática de nos vencer pelo cansaço, protelando ao máximo, qualquer tipo de solução dada no Judiciário. Adiante, será possível identificar quem está a favor ou contra os credores.

Entendemos que a falência somente interessa a grupos ou advogados que sobrevivem da “indústria de concordatas e falências” e seus polpudos honorários. Como somos contra este tipo de conduta, a GLOBAL BRASIL SA, inclusive pelo seu respeitado site, vem sendo alvo de ataques e conclusões ingênuas por parte de “grupos” ou advogados que desconhecem nossa proposta.

Neste aspecto, o mais contundente tem sido o "grupo investidor boi gordo". Premeditado ou não – não sabemos - o “acidente processual” criado, acabou por favorecer exclusivamente a devedora: o imbróglio jurídico criado (discussão se a concordata deve ser processada em SP ou MT), a Boi Gordo ganha prazo no processo, cria artifícios protelatórios e ainda assiste de camarote o desespero de quase 30 mil credores lesados.

Preocupa-me que este conceituado site, manifeste a opinião somente deste tipo de gente, que defende somente a saída "jurídica" sem que antes, e pelo menos, se tente uma saída de "mercado" para a concordata da Boi Gordo.

Gostaria de gentilmente solicitar, que o site oferecesse espaço para outro tipo credor. O credor que acredita que com uma equipe profissional e competente, dentro das forças independentes, livres e democráticas do mercado, se possa reverter a concordata da FRBGSA, salvaguardando os interesses de credores, da maioria.

O credor lesado não pode ser envolvido em uma longa, difícil e penosa espera a mercê exclusivamente de uma “solução jurídica".

Sabemos que as artimanhas e os interesses escusos são ocultos e fortes, e podem prevalecer ao respeito que tenha que ser dado a pessoas de bem que investiram na FRBGSA

Não podemos alimentar a volúpia daqueles que querem lucrar em cima da desgraça alheia.

Defendemos que o Judiciário continue agindo como sempre agiu: com a parcimônia e imparcialidade. Entretanto, é preciso que a OAB – Ordem dos Advogados do Brasil volte suas atenções para “grupos” que captam irregularmente clientes, explorando o desconhecimento, a ansiedade e a desgraça alheia. Além de antiético é totalmente amoral!

A GLOBAL BRASIL S/A criou um ambicioso projeto de reestruturação societária e financeira para minimizar perdas de credores da FRBGSA. A proposta nasceu no seio de credores que buscam soluções alternativas e que possam andar, e até ajudar, conjuntamente com as “soluções jurídicas”.

É um contra-senso não prestar atenção nas alternativas técnicas viáveis criadas e desenvolvidas dentro da mais irrestrita legalidade. No caso da GLOBAL BRASIL SA, a lei das sociedades anônimas e as duras regras pertinentes às companhias de capital aberto.

Neste particular e na contramão da história brasileira recente, buscamos nos constituir dentro de uma sociedade anônima, sujeitando-se ao extremo rigor da atual legislação e ao crivo impiedoso das autarquias reguladoras. Porém, não nos incomodamos com isso, pois nosso compromisso tem sido de absoluta transparência em todos os nossos atos!

Há de se lembrar também, o importante trabalho que “associações de credores” legalmente constituídas estão fazendo: além de reagrupar pequenos credores, prestam um substancial serviço na interlocução de interesses e de trabalhos conjuntos. Serão nossas parceiras numa solução integrada.

Agradeço pelo espaço e pela oportunidade de externar o sentimento da maioria.

Adriano Lunardon

Credor da FRBGSA

Diretor Presidente e Diretor de Relações com o Mercado

GLOBAL BRASIL S/A

www.globalbrasil.com

(1) Nota: A GLOBAL BRASIL está totalmente à disposição para disponibilizar ou esclarecer qualquer aspecto técnico, tático e estratégico do projeto.

Curitiba, 23 de Outubro de 2002.

Revista Consultor Jurídico, 24 de outubro de 2002, 11h45

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