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Virada de mesa

Cai a direção do Correio Braziliense. Joaquim Roriz festeja.

O diretor de redação do Correio Braziliense, Ricardo Noblat, anunciou nesta quarta-feira (23/10) sua saída do jornal. O presidente do Condomínio Acionário do Grupo Associados, Paulo Cabral, também deve anunciar sua renúncia.

A crise tem vertentes política e econômica. O principal adversário da reformulação do jornal - que antes vendia o seu espaço noticioso -, governador Joaquim Roriz não deu trégua à publicação e, com o apoio de acionistas do Condomínio conseguiu expelir Cabral e Noblat.

Do lado econômico, pesou o processo movido pelo herdeiro do criador do conglomerado Assis Chateaubriand, Gilberto, que reivindica indenização milionária na justiça por conta de um precatório de R$ 248 milhões devido à Rádio Clube de Pernambuco, cujas ações pertenciam na proporção de 22% à família Chateaubriand e os outros 78% ao Condomínio.

A mudança no comando do diário foi lamentada pelo jornalismo brasiliense. Durante os nove anos em que o Correio foi dirigido por Noblat, a publicação expandiu sua tiragem de 30 mil para 68 mil exemplares. Foram 68 também os prêmios jornalísticos atribuídos ao Correio nesse período também.

A manobra para forçar a saída de Noblat e Cabral passou por Minas Gerais, mas foi deflagrada pelo próprio vice-presidente do Correio Braziliense, Ari Cunha. O diretor da casa, que chegou a presidir o banco oficial do governo do Distrito Federal e mantém fortes relações com Roriz, primeiro passou a alimentar a campanha do governador com ataques a Cabral e Noblat.

Uma vez afastado da diretoria da publicação, Ari Cunha passou a buscar apoio dos demais condôminos - em especial os do jornal O Estado de Minas, a segunda principal publicação do grupo. Nesta quarta-feira, com a assinatura de treze dos dezenove acionistas, endereçou-se a Paulo Cabral uma dura carta, atacando a condução do Correio e convocando o dirigente para uma reunião.

Cabral dispensou-se de dar explicações aos acionistas e anunciou que preferia renunciar. Noblat, que também é condômino e, como os demais, tem seus bens bloqueados por conta da ação de Gilberto Chateaubriand, comunicou a redação de sua demissão. A reação dos jornalistas foi de repúdio à mudança.

O governador Joaquim Roriz, em campanha pela reeleição, foi comunicado do fato por volta do meio-dia, quando fazia um discurso em uma churrascaria. O ato político converteu-se em comemoração. Os carros de som de Roriz passaram a anunciar a derrocada dos jornalistas pela cidade.

Revista Consultor Jurídico, 23 de outubro de 2002, 18h45

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