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Sistema paralelo

Politécnica da USP desenvolve supercomputador a custos reduzidos

A adoção de materiais e tecnologias totalmente nacionais permitiu ao Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI), da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP), desenvolver supercomputadores que chegarão ao mercado com preço não superior a R$ 200 mil. "Vale destacar que um supercomputador convencional pode custar mais de US$ 10 milhões", compara João Antônio Zuffo, coordenador do LSI.

A substituição de alguns componentes como os fios de ouro das ligações internas, usados na maioria dos supercomputadores, por materiais condutores mais baratos, é um dos exemplos citados por Zuffo para justificar essa acentuada queda nos custos do equipamento. "Desenvolvemos todos os sistemas utilizando a eletrônica convencional disponível no mercado", acrescenta o pesquisador.

O supercomputador, desenvolvido em parceria com a Itautec, tem capacidade de processamento 16 vezes maior que um computador pessoal (PC), do tipo Pentium 4, e estará disponível no mercado em menos de um ano. Esse melhor desempenho está relacionado com a existência, no supercomputador, de um sistema paralelo, composto de vários processadores formados pela interligação de microprocessadores. Segundo Zuffo, com essa estrutura as tarefas submetidas a uma supermáquina são fracionadas entre os vários processadores. Isso promove a agilização da resposta e inibe a ocorrência de travamentos do equipamento, uma vez que havendo falha em algum processador, outro entra em ação. "Um exército de formiguinhas versus um elefante", essa é a analogia criada pelo professor do LSI para caracterizar os supercomputadores em relação aos computadores convencionais.

O equipamento do LSI/Itautec foi desenvolvido sobre plataforma Linux e tem cerca de 200 processadores, capacidade que pode ser expandida para até cerca de mil processadores. Entretanto, destaca Zuffo, o grande obstáculo para a proliferação dos supercomputadores é o reduzido número de softwares disponíveis, os existentes no mercado se destinam, basicamente, a cálculos numéricos empregados em sistemas financeiros e em aplicações científicas. "Mas nada impede que sejam desenvolvidos e instalados novos programas para serem utilizados nas mais diversas áreas", acrescenta ele. O próprio LSI instalará um exemplar para o incremento de softwares.

Hoje, informa Zuffo, o supercomputador com maior capacidade de processamento dispõe de mais de 8.170 processadores, o que lhe permite executar algo em torno de 100 trilhões de cálculos com ponto flutuante - números decimais - por segundo (100 teraflops). Esse equipamento está instalado na Califórnia (EUA), e é usado pelo governo para pesquisas militares.

A equipe do LSI trabalha com a tecnologia de computadores paralelos desde a década de 80. Em 1997, as pesquisas possibilitaram o incremento de um sistema paralelo com 144 processadores que na época, diz Zuffo, "era o maior sistema do mundo em número de processadores, fora dos Estados Unidos".

Além de pesquisador, Zuffo é escritor. No início do mês ele lançou, em São Paulo, o livro A Sociedade e a Economia no Novo Milênio. A obra, justifica o autor, é resultado das experiências vividas por ele no LSI, "local que congrega profissionais das mais diversas áreas de atuação", e que permitiram uma visão privilegiada da sociedade do novo milênio. No livro, ele realça o impacto que as novas tecnologias provocarão na sociedade. Uma das mudanças destacadas será a substituição do emprego pela tarefa. "Nas empresas não haverá mais a ocupação principal de profissionais. Todos terão de cumprir metas de trabalho, o que levará ao desaparecimento do emprego", afirma.

Fonte: Agência Brasil

Revista Consultor Jurídico, 22 de outubro de 2002, 18h39

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