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Terça-feira, 22 de outubro.

Primeira Leitura: mercado está de olho na equipe econômica do PT.

Bom comportamento

Para uma semana repleta de pressões sobre o dólar, como o vencimento de US$ 1,1 bilhão em títulos públicos e contratos cambiais e de mais US$ 500 milhões em dívidas de empresas, o dólar até que se manteve bem-comportado segunda-feira, quando o mercado passou a considerar como certa a vitória de Lula.

A moeda americana fechou a R$ 3,91 (+1,03%). O C-Bond, principal título da dívida externa, terminou o dia a 53,54% do valor de face (+1,01%). A Bovespa teve alta, e o risco do país ficou abaixo dos 2 mil pontos.

Perfil conservador

Os investidores gostaram das notícias do fim de semana, antecipadas por Primeira Leitura na sexta-feira, de que a administração do Banco Central num eventual governo Lula ficaria a cargo de um nome que não seria do partido e teria perfil conservador – entre os cotados estaria Paulo Leme, economista do Goldman Sachs. Leme, por enquanto, não confirmou o convite.

Questão em aberto

As atenções se concentram, agora, na formação da equipe econômica do petista. Ainda que estabilizado, o dólar no atual patamar piora muito a relação entre a dívida e o PIB do país.

Entre outras razões, foi por causa da dúvida sobre a sustentabilidade da dívida brasileira que a Fitch Ratings, agência de classificação de risco, rebaixou a nota do Brasil ontem, de B+ para B. Ou seja, a questão externa estaria, na opinião do investidor externo, longe de estar equacionada.

Falta o povo

Do ponto de vista político, há problemas óbvios para o PT, caso sua opção seja mesmo por "terceirizar" a administração da economia. A escolha do conservadorismo na gestão da Fazenda e/ou do Banco Central simplesmente inviabilizaria o cumprimento das promessas de Lula durante a campanha. Ou seja, adicione-se o povo à atual receita petista e as contas não fecharão.

Pela metade

O pronunciamento de Lula no domingo foi mais um passo regressivo na campanha eleitoral. Se José Serra voltou a recorrer ao medo como último recurso para obter votos – estratégia aparentemente ineficiente, pois tudo indica que o eleitor não tem medo de um governo petista – e insistiu no desafio do debate, Lula disse coisas pela metade e não explicou o essencial.

Se hay gobierno...

Ao dizer que o governo “optou pela conta política do endividamento externo”, o presidenciável do PT voltou aos tempos da oposição pela oposição.

Ao classificar as privatizações de “absurdas”, Lula pareceu esquecer-se de que seu partido já reconheceu avanços alcançados com o processo de venda das estatais.

...soy contra

Lula não esclareceu também como a crise econômica do país “foi agravada depois de oito anos de uma política econômica totalmente equivocada”. A crise é séria, inegavelmente, mas o que existiu antes da era FHC?

Será que o atual presidente tornou pior a situação do país que herdou de José Sarney e Fernando Collor?

Assim falou...Ari Fleischer

“Teremos tolerância zero para qualquer violação de uma resolução da ONU”.

Do porta-voz da Casa Branca, ao negar que a posição dos EUA tenha mudado com relação ao Iraque. O governo Bush sinalizou que poderia concordar com a permanência de Saddam Hussein no poder caso ele se desarmasse e concordasse com outras demandas americanas.

Ironias da história

As dificuldades que esperam o governo petista – uma opção mais conservadora na gestão da economia adiaria para um futuro incerto o cumprimento de muitas das promessas de Lula durante a campanha – formam um quadro conhecido pelo atual governo.

A ênfase dada por Malan e sua equipe à formação de superávits primários não combinava com uma agenda de atendimento das inúmeras demandas sociais. Uma vez eleito, Lula poderá ouvir de sua equipe o mesmo alerta que FHC, hipoteticamente, escutou: se colocar o povo na equação, as contas não fecham.

Revista Consultor Jurídico, 22 de outubro de 2002, 9h26

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