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Terça-feira, 8 de outubro.

Primeira Leitura: provável vitória de Lula está precificada.

Preparativos

A provável vitória eleitoral de Lula está precificada (embutida nos preços dos ativos). É o que se depreende do comportamento do mercado financeiro quarta-feira – dia em que passaram a vigorar as medidas adotadas pelo Banco Central na última sexta, com aumento dos compulsórios e o estabelecimento de novos limites para que os bancos possam comprar dólares.

Novo patamar

A taxa de risco do país recuou 0,87%, ficando em 2.262 pontos; o C-Bond, principal título da dívida externa brasileira, valorizou-se, e a juros no mercado futuro caíram 3,55%. Até o segundo turno, os preços dos ativos devem continuar girando em torno desse patamar.

O dólar fechou cotado a R$ 3,92, com alta de 1,95% – garantindo ganho maior para os detentores de títulos cambiais, já que a Ptax (taxa média da cotação dos negócios realizados com dólar) de quarta-feira define a correção cambial dos papéis que vencem hoje.

Visão otimista

O BC tentou antecipar o resgate de parte da dívida. Conseguiu rolar 61,6% do total, que é de US$ 3,6 bilhões, mas teve de oferecer juros impagáveis, de até 60% ao ano. A despeito disso, o secretário-adjunto do Tesouro Nacional, Rubens Sardenberg, disse acreditar que, passada a eleição, haverá forte demanda por títulos do Tesouro.

“Se, mesmo nesta conjuntura, conseguimos vender terça-feira R$ 2 bilhões em títulos, sendo grande parte com vencimento em 2003, por qual razão, uma vez passado o processo eleitoral, com os compromissos assumidos pelos candidatos, não voltaremos a ter demanda?”.

Glossário econômico

Antônio Palocci, coordenador de campanha de Lula, afirmou que centralização do câmbio e moratória estão fora do vocabulário do PT. Palocci disse também que Lula pode reafirmar os compromissos que assumiu na Carta ao Povo Brasileiro, lançada em junho, para ajudar a superar a crise.

Questionado sobre se o partido, se eleito, reduziria imediatamente os juros, respondeu: “Às vezes, a taxa não é uma opção, mas uma coisa que se impõe no processo econômico”.

Exposição reduzida

Todd Thomsom, diretor financeiro do Citigroup – um dos maiores bancos do mundo, controlador do Citibank no Brasil –, fez questão de destacar que a instituição reduziu os empréstimos e outras concessões ao país em US$ 1,2 bilhão, ao apresentar os resultados do terceiro trimestre: um lucro de 23%.

Segundo ele, a medida foi adotada numa tentativa de limitar o risco no momento em que os bônus e as ações brasileiras despencam. O Citigroup teme que o país deixe de pagar uma dívida de cerca de US$ 300 bilhões.

Assim falou...John Taylor

“Sob estimativas razoáveis para o crescimento econômico, estimativas razoáveis para a taxa básica de juros e estimativas razoáveis para o que acontecerá quando a incerteza diminuir, a dívida é sustentável”.

Do subsecretário para assuntos internacionais do Tesouro americano, descrevendo as condições segundo as quais a dívida brasileira seria “sustentável”. Detalhe: no mesmo depoimento ao Senado dos EUA, Taylor previu crescimento zero para a América Latina, “na melhor das hipóteses”, em 2002.

Ironias da história

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que a provável vitória de Lula marcaria um poderoso passo adiante de uma corrente renovadora que percorre a América Latina. Segundo Chávez, que presenteou o petista com uma réplica da espada de Simon Bolívar, pela votação obtida no primeiro turno, a esquerda está retomando seus objetivos humanistas: “A tese do fim das ideologias está derrotada, não há razão moral para sustentá-la”.

A declaração é feita no momento em que o PT chega às portas do Planalto com uma campanha onde o discurso de esquerda foi deixado de lado, marcando seu deslocamento rumo ao centro.

Revista Consultor Jurídico, 17 de outubro de 2002, 9h42

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