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Terça-feira, 15 de outubro.

Primeira Leitura: crise não foi equacionada, mas o governo agiu.

Da natureza da crise

O PT cobrava do governo medidas contra os especuladores. A crítica fazia o dólar subir – já que, para o mercado, a cobrança serve como certeza antecipada de que um eventual governo petista adotaria medidas contra a fúria especulativa.

Ocorre que, acredita este Primeira Leitura, o que há é uma crise financeira e de confiança: a escassez de dólar e a incerteza de como a crise será enfrentada pelo próximo governo é que fazem a cotação subir, criando um cenário que favorece a ação dos especuladores.

A parte e o todo

Assim, a especulação é um dado do problema, e não o problema. Culpar os especuladores serve para redimir tanto o malanismo – o dólar nas alturas seria irracional, e não a expressão da escassez de crédito para um país que se tornou vulnerável – quanto o petismo – que sempre reafirma que a crise que aí está é obra exclusiva de FHC.

Lógica perigosa

Essa lógica podia ser inofensiva quando o dólar estava a quase R$ 3, mas, certamente, tornou-se perigosíssima com o dólar a quase R$ 4.

Foi o que o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, tentou explicar na desastrada entrevista de quarta-feira. Foi submetido ao corredor polonês e ainda acusado por colunistas de ter subido no palanque.

Emergência

A ignorância, inclusive a do jornalismo, tem sempre seu preço. Eis aí: o governo não podia mais ignorar que a pressão política e o dólar em descontrole tornavam uma intervenção inevitável. Foi o que se viu na sexta, com um pacote de medidas administrativas.

E foi o que se viu segunda-feira, quando, depois de a moeda americana voltar a subir, o BC convocou uma reunião extraordinária do Copom para elevar o juro de 18% para 21%.

Ainda em alta

Enquanto o Copom decidia a nova taxa de juros, o dólar continuou a subir, atingindo a cotação máxima de R$ 3,93, com alta de 2,87%.

A reação inicial foi a redução do ritmo de alta do câmbio, que fechou cotado a R$ 3,85, com valorização de 0,78%.

Inevitável

Assim, a crise financeira e de confiança não foi equacionada, mas o governo agiu, ampliando a recessão. Não era exatamente isso que se pedia? Tanto era que o presidente do PT, José Dirceu, considerou as medidas inevitáveis.

Assim falou...Geraldo Alckmin

“Não vejo nada que justifique um aumento dessa natureza.”

Do governador paulista e candidato à reeleição, sobre a elevação da taxa básica de juros pelo BC. Há o temor de que a medida, ainda que inevitável, prejudique os tucanos no segundo turno, por seu caráter recessivo.

Tudo é história

Os EUA sustentam que o movimento extremista Jemaah Islamiyah, principal suspeito pelos ataques em Bali, mantém relações com a Al Qaeda, a rede terrorista liderada pelo saudita Osama bin Laden. Existe uma pressão internacional pela prisão do líder do movimento, Abu Bakar Bashir.

Ele vive, sem ser incomodado, na Indonésia, país que tem a maior população islâmica do mundo – cerca de 200 milhões de pessoas. O governo da presidente Megawati Sukarnoputri diz que tem provas contra o clérigo muçulmano e que, por isso, nada pode fazer.

Com 64 anos, Bashir se diz um admirador de bin Laden e preside um conselho que advoga a adoção de leis islâmicas na Indonésia. O Jemaah Islamiyah, afirma, não existe. Sempre que questionado, Bashir diz que nada ter a ver com o terror, embora o governo de Cingapura afirme que prendeu 32 supostos integrantes do grupo, suspeito de planejar atentados contra alvos ocidentais no país.

Revista Consultor Jurídico, 15 de outubro de 2002, 9h42

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