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Nova porta

China amplia prazo de regularização de soja transgênica brasileira

O mercado chinês fecha nesta terça-feira (15/10) a compra de 3 milhões de toneladas da soja do Brasil. Com o acordo assinado, amplia-se o prazo para que o Brasil regularize a situação da soja transgênica. O caso ainda está na justiça brasileira, com 130 processos relativos à questão.

Segundo Dante Scolari, diretor executivo da Embrapa, a questão é unicamente econômica. A briga é de grandes multinacionais, européias e americanas, que lutam pela aprovação ou não de uso de uma qualidade de soja que resiste a um tipo de herbicida. As multinacionais alemãs produzem herbicidas e outros produtos contra pragas - que deixarão de ser necessários quando o plantio for com a espécie resistente.

Enquanto alguns deixam de ganhar com o uso da transgênica, outros pagam para usá-la. Por hectare plantado com a soja produzida pela Monsanto, o agricultor deve pagar cerca de US$ 2,00, teoricamente, pela biotecnologia do grão. Ali dentro, um dos cem mil genes está preparado para resistir à dessecação química de um tipo de herbicida. A fórmula do herbicida é genérica, qualquer um pode produzir.

Este produto age da seguinte forma. Quando o agricultor utiliza o sistema de plantio direto, ele aplica o herbicida para matar as ervas, planta a soja, e passa novamente o tal produto químico. Com isso economiza cerca de 15% na manutenção da lavoura, evitando aplicar produtos químicos mais caros, ou utilizar outra tecnologia. Essa é a diferença.

A China planta soja transgênica e compra da Argentina. No Brasil, existe plantações de soja transgênica feitas de forma irregular. Os chineses querem que o Ministério da Agricultura do Brasil declare que tipo de soja está sendo vendida.

A proibição, na lei, do plantio de soja, confunde as autoridades chinesas. E eles compram anualmente 15 milhões de toneladas de soja. O agricultor brasileiro pode conquistar o mercado de até 10 milhões de toneladas, segundo Reinaldo Junqueira de Barros, secretário-executivo de apoio e cooperativismo, do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento do Brasil.

Como o grão transgênico não está autorizado no Brasil, o Ministério da Agricultura brasileiro não pode emitir um certificado. A febre protecionista dos ecologistas acaba evitando a entrada da moeda verde, o dólar. A soja vale hoje cerca de US$ 170,00 dólares a tonelada, sendo ela transgênica ou não. Alguns compradores japoneses ofereceram US$ 15,00 a mais pela tonelada da soja tradicional, uma diferença que não convenceu aos plantadores de soja do mundo, pois ainda faturam mais com a transgênica.

A carne também é outro produto que foi aprovado, nesta segunda-feira (15/10), pelo Ministério da Quarentena. Até o final do ano, os chineses autorizarão a compra de 10 mil toneladas de carne bovina e de frango dos produtores brasileiros. Na questão do algodão, também vai existir troca na área de biotecnologia.

O Brasil já produz o algodão bege e os chineses produzem o algodão azul. A Embrapa vai montar seu terceiro laboratório de pesquisa no exterior. Possui um na França, outro nos Estados Unidos e agora firmou parceria com a Academia de Agronomia da China para montar um laboratório aqui, no país que mais compra alimentos no mundo.

O Brasil está sendo acordado pelo gigante sonolento da Ásia. Segundo Napoleão Bonaparte, o imperador francês, o melhor seria deixar a China fechada e dormindo, pois acordada, poderia transformar o mundo.

Revista Consultor Jurídico, 15 de outubro de 2002, 17h15

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