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Quinta-feira, 10 de outubro.

Primeira Leitura: qualquer presidente eleito enfrentará inflação.

Vai mal

O mercado financeiro continua a deteriorar-se. Com alta de 3,88%, o dólar voltou ao patamar recorde do Real quarta-feira, fechando cotado a R$ 3,875, como já havia ocorrido em 27 de setembro. O risco do país subiu 10,13%, para 2.294 pontos.

Dólar irracional?

O país não está diante de um dólar irracional, termo usado pelos principais listas econômicos. Está, isto sim, diante de uma crise financeira de gravíssimas proporções e conseqüências. Porque, que fique claro: seja qual for o presidente eleito, há uma inflação maior já contratada para 2003 e há uma recessão também já contratada.

Este dólar a R$ 3,875 é fruto do travamento do crédito, e não de uma suposta irracionalidade. Não há dólar, e o mercado cobra do futuro presidente, seja quem for, uma definição de como essa crise será enfrentada.

A crise e os candidatos

O que o mercado deseja é, na essência, a continuidade do malanismo. Mas o fato é que nem Serra nem Lula o representam. O dinheiro está com o mercado, e ele só o emprestará se forem cumpridas algumas precondições.

Este é o cenário: uma crise financeira. E ambos os candidatos têm se comportado como se houvesse apenas uma irracionalidade passageira no ar, que teria de ser administrada por FHC, o que não é verdade.

A frustração que virá...

Eleito Lula ou Serra, está se formando no país o pior dos caldos para que a frustração popular se manifeste em 2003. Há hoje excessiva fé de que a eleição é remédio para todos os males. Como não é, saem de cena, no ano que vem, os milhões de empregos prometidos pelos candidatos e entra em cena a recessão.

... também para incluídos

As perspectivas são ruins para quem perder o emprego e para quem continuar ocupado. O Dieese informou ontem que, mesmo depois de um ano de perdas de renda, boa parte das negociações salariais no segundo semestre acabará frustrada. No primeiro semestre de 2003, o quadro se repetirá, em condições piores.

Inflação

Tudo isso com mais inflação, como já antecipam os índices. O IPCA, apurado pelo IBGE, registrou inflação de 0,72% em setembro, acima dos 0,65% de agosto. No ano, a taxa já está em 5,6% e, nos últimos 12 meses, em 7,93%.

A alta de setembro foi provocada pela desvalorização do câmbio, que pressionou, principalmente, os preços dos alimentos. O óleo de soja, por exemplo, subiu 14,23% e a farinha de trigo, 10,71%. E ainda estão por vir os prometidos reajustes de preços de combustíveis, já que ninguém segura a Petrobras.

Assim falou...Armínio Fraga

"Não existe muita mágica: dinheiro só pode vir do meu, do seu, do nosso [bolso]. A sociedade tem de decidir como administrar a sua dívida. Grande parte da dívida está conosco. Está nos bancos, nos fundos de pensão. A questão é: como queremos administrar o passivo que temos conosco?"

Do presidente do Banco Central, ao responder de onde virá o dinheiro para honrar contratos e fazer o superávit primário, durante entrevista, ontem, na qual foi pressionado como nunca pela imprensa.

Ironias da história

O PT aderiu de vez ao pragmatismo na campanha do segundo turno e parece levar a sério o que Lula disse na entrevista de terça-feira, quando declarou que quer atrair até os apoios de quem "não quer mudanças" no país. A Igreja Universal do Reino de Deus - liderada pelo autoproclamado "bispo" Edir Macedo -, que tem no PL seu principal braço político, aderiu oficialmente à campanha do petista, depois de apoiar Anthony Garotinho (PSB) no primeiro turno.

Para obter os votos do eleitorado evangélico, Lula quer atrair também outras denominações e pensa em montar um comitê específico para esse fim. Em outra demonstração da nova prática petista, o governador eleito do Piauí, Wellington Dias, agradeceu formalmente o apoio velado que recebeu do ex-governador Mão Santa, que teve o mandato cassado em 2001 pelo TSE.

No Rio Grande do Sul, a ordem é descolar o candidato Tarso Genro do governo do petista Olívio Dutra, a exemplo do que os tucanos tentam fazer com Serra em relação a FHC, sob uma saraivada de críticas do PT...

As evoluções apontam um PT que trocou a formação política das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) da Igreja Católica pelo cristianismo de resultados pentecostal, a moral antes santa pelo "pragmatismo" de um Mão Santa e o apoio incondicional a Olívio Dutra pela necessidade de escondê-lo se for para ganhar a eleição.

Revista Consultor Jurídico, 10 de outubro de 2002, 9h48

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