Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Terça-feira, 8 de outubro.

Primeira Leitura: segundo turno não acalma mercado financeiro.

Tudo de novo

A tensão no mercado financeiro não diminuiu com a confirmação de que haverá segundo turno entre Serra e Lula. O dólar fechou em alta de 3,17%, cotado a R$ 3,735. A Bovespa encerrou o pregão em baixa de 4,28%. A taxa de risco subiu 3,35%, para 2.038 pontos.

Paradoxos

Houve quem se espantasse com o comportamento dos mercados segunda-feira. Os investidores não queriam que o candidato governista chegasse ao segundo turno? Sim, queriam. E por que, então, todos os indicadores pioraram fortemente depois do resultado anunciado?

A mesma escrita

Ora, o espaço aberto para especulação se multiplicou. Várias pesquisas serão divulgadas nesses 20 dias, e, pelo menos num primeiro momento, é certo que Lula estará bem à frente de Serra, reproduzindo a contabilidade da etapa anterior, pró-oposição. Nessa dimensão - a do ganho financeiro fácil -, apostar contra o real pareceu um bom negócio.

À esquerda

Mas há uma segunda dimensão na turbulência: o mercado se surpreendeu com o crescimento do que classifica como a esquerda do país. O PT obteve algumas vitórias em primeiro turno nos Estados e inesperadas chances nas disputas em segundo turno

No Senado, ampliou sua bancada. Na Câmara, elegeu uma bancada não só numericamente forte, mas com lideranças incontestáveis, muitas vezes de influência nacional.

Na defensiva

Esse cenário põe na defensiva o especulador e o investidor de mais longo prazo - principalmente o estrangeiro. Existe um Brasil que, independentemente de Lula, já começou a apresentar mudanças no corpo de sua institucionalidade. Com Lula, esse rearranjo parlamentar se traduz em mais viabilidade para propostas de mudanças.

Questão de perfil

O mercado olha também com ansiedade para os apoios que Lula poderá angariar nesse segundo turno. Já que o confronto do PT em nível nacional se dará com o PSDB (e seu aliado PMDB), tornou-se mais distante, na leitura dos investidores, a possibilidade de composição de um governo de perfil social-democrata, unindo tucanos e petistas.

Palanques complicados

Essa situação de confronto se reproduzirá em Estados importantes como São Paulo, Rio Grande do Sul, Ceará, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. Assim, as alianças do PT podem acabar se dando com partidos como o PSB e o PPS, siglas que também desagradam aos investidores - no caso do PSB, Anthony Garotinho foi contra o acordo com o FMI; no caso do PPS, Ciro Gomes deixou claro que partiria para a reestruturação da dívida brasileira.

Dívida

Some-se a esse cálculo político muitos problemas já previstos para o mercado cambial neste mês, no qual vencem nada menos do que US$ 3,6 bilhões em títulos, que o Banco Central tentará rolar. E por fim, há a turbulência internacional, a cada dia mais preocupante.

Assim falou...FHC

"(Pelo) meu estilo de governar, pouco a pouco, as forças oligárquicas perderam força. (...) Agora vejo algumas dessas forças correrem para o Lula, tentando sobreviver, o que me parece contraditório."

Do presidente da República, ao considerar positiva a derrota de candidatos cuja vida pública têm sido marcada por denúncias de irregularidades, como Paulo Maluf (PPB) e Orestes Quércia (PMDB), de São Paulo, e o ex-presidente Fernando Collor de Melo (PRTB), de Alagoas.

Estava escrito

Em fevereiro de 2002, a revista do site Primeira Leitura publicou a reportagem "A Direita Tem Medo Deles", em que se discorria sobre como as candidaturas de Luiz Inácio Lula da Silva e José Serra assustavam os conservadores: "Há tempos esta revista e o site Primeira Leitura vêm dizendo que um eventual segundo turno entre Lula e Serra honraria as democracias brasileira e latino-americana.

Um deles, Lula, é o melhor fruto da transição havida no Brasil de um regime ditatorial para um regime plenamente democrático, mas que ainda não logrou alcançar a democracia social e só a duras penas a tateia; o outro, Serra, é fruto desse mesmo processo, mas de outra estratégia.

Lula e seu partido acreditam que as elites precisam ser postas contra a parede para negociar depois. Serra e parte significativa do PSDB consideram que se pode conquistar fatias do establishment para fazer reformas".

Revista Consultor Jurídico, 8 de outubro de 2002, 9h47

Comentários de leitores

0 comentários

Comentários encerrados em 16/10/2002.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.