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Agressão em DP

Professor acusa policiais de agressão e pede ajuda da OAB-SP

A Comissão de Direitos Humanos e do Negro e Assuntos Antidiscriminatórios da OAB-SP, recebeu denúncia do professor Erivaldo da Silva Teixeira, nesta segunda-feira (7/10). Ele afirma que foi vítima de abuso de autoridade e discriminação, no Distrito Policial da cidade de Ubatuba, litoral norte de São Paulo, no dia 4/10.

Ele disse que quando ia para o ponto de ônibus com destino a São Paulo, onde faz curso de especialização em Psicologia e Educação na USP, foi cercado por três viaturas policiais. Segundo Teixeira, os policiais gritavam, xingavam e portavam armas. Ele foi revistado aos gritos e detido para averiguação. Quando começou a chorar, os policiais ficaram ainda mais agressivos.

De acordo com o professor, o delegado de polícia, Eduardo Cambranelli afirmava que ele tinha 95% de chance de ser o maníaco de Guarulhos, responsável por estupros e assassinatos de incontáveis mulheres. Erivaldo foi mantido no pátio interno da delegacia, no chão, onde foi exposto à curiosidade popular. Depois passou duas horas na solitária, quando foi submetido a identificação por uma mulher. Ele teve de tirar a camisa e ser fotografado por pessoa não identificada.

Enquanto seus pertences eram revistados, o delegado fazia inferências e julgamentos sobre nomes em agenda, canhoto de cheque etc. De acordo com Teixeira, o delegado também fez comentários sobre o fato de ter origem nordestina e sobre sua opção sexual.

Teixeira teve a casa revistada, inclusive computador, porque havia, também, suspeita de pedofilia. Segundo a denúncia, o delegado não deixou Teixeira fazer telefonemas, de imediato. O delegado também proibiu que o professor colocasse os abusos no Boletim de Ocorrência, porque nem ele (delegado), nem os investigadores tinham feito nada ilegal.

O professor foi liberado por interferência de uma advogada, que o levou ao Ministério Público. "A OAB-SP está de imediato providenciando o habeas corpus preventivo e encaminhando a denúncia para a Secretaria de Segurança Pública, com cópia para as Corregedorias da Polícia Civil e Militar, pedindo apuração", afirma Eunice Prudente, Secretária Geral Adjunta da OAB-SP.

Agora, Teixeira disse que não tem mais ambiente para trabalhar em Ubatuba, uma vez que os pais não querem mais que um suspeito de ser "estuprador" dê aula para seus filhos. Ele já recebeu o apoio do Sindicato dos Professores do Ensino do Oficial do Estado de São Paulo e dos colegas.

Revista Consultor Jurídico, 7 de outubro de 2002, 18h53

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