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Eleições 2002

Candidato do Prona é eleito mesmo sem nenhum voto

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A votação do candidato Enéas, do Prona, dá a seu partido, em São Paulo, em princípio, uma bancada de oito deputados federais. Mas, ainda que fossem sete os deputados eleitos teríamos uma complicação judicial raras vezes imaginada. O Prona só inscreveu sete candidatos à deputação federal. Assim, em princípio, estariam todos eleitos.

Acontece que o agora deputado Tocera, do Prona, conseguiu o absoluto recorde de não ter sequer votado em si mesmo. Com 99% dos votos apurados o TRE-SP indicava o deputado Tocera com absolutamente nenhum voto consignado. É isso mesmo : Zero votos. Entretanto, tendo sido candidato como mostra a curiosa lista do TRE-SP, estará eleito como sétimo colocado de sua legenda, ainda que não tenha recebido nenhum voto.

Interessante também o fato de que são somente sete os candidatos a deputado federal anotados para o Prona. Do que decorre que, se forem oito os eleitos, faltará candidato do Prona para preenchimento da vaga.

A unidade federativa São Paulo tem, por previsão constitucional, 70 deputados como o número a ser eleito. Se o Prona, com direito a 8 deputados, elege só sete teremos uma vaga sobrando que será conferida a qualquer outro partido ou coligação a quem caiba a divisão pelas sobras. Isto porque São Paulo não pode ficar com um deputado a menos.

De qualquer forma Enéas, o do Prona, já começa fazendo história. Elege sozinho toda a sua bancada de candidatos, é o candidato com maior número de votos para deputado federal da história do Brasil capaz mesmo de eleger candidato que não recebeu nenhum voto.

Desde já lembremo-nos desses nomes que fazem história na política nacional : Amauri Robledo Gasques, Prof. Irapuan Teixeira, Elimar, Ildeu Araújo, Vanderlei Assis e o candidato Tocera, o do zero votos, o ilustre deputado eleito Dr. Tocera. Afinal, já deputado, vira doutor.

E, claro, o Dr. Enéas, o do Prona. Sua história política começa agora para valer. Só espero que o lado folclórico dessa campanha tenha se exaurido com a votação e que, Enéas e seus companheiros, sejam uma agradável surpresa para o nosso futuro.

 é advogado especialista em Direito Eleitoral e Político, presidente do Idipea -- Instituto de Direito Político, Eleitoral e Administrativo, e autor de diversos livros.

Revista Consultor Jurídico, 7 de outubro de 2002, 13h49

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